O Brasil não precisa mais ser convencido de que a tecnologia financeira funciona. O país passou a última década construindo um dos ecossistemas fintech mais dinâmicos do mundo — do Pix, que transformou os pagamentos, à XP, que democratizou o acesso aos investimentos — e essa base criou algo incomum: um mercado de gestão patrimonial cada vez mais sofisticado e disposto a adotar o que vem pela frente.
Os números refletem um mercado com escala real. Segundo a swissQuant Group, o Brasil conta atualmente com mais de 433 mil milionários e 4.218 indivíduos de ultra alto patrimônio, número que deve crescer para 470 mil até 2028¹. Sua indústria de fundos de investimento está entre as dez maiores do mundo, com US$ 2,2 trilhões em ativos sob gestão distribuídos em quase 34 mil fundos, enquanto as emissões no mercado de capitais atingiram um recorde de US$ 152,7 bilhões em 2025, abrangendo 27 setores da economia. Ainda assim, apesar dessa profundidade, a alocação em mercados privados continua estruturalmente pouco desenvolvida. Há duas décadas, 97% dos investimentos brasileiros estavam concentrados em renda fixa. A mudança está em curso, mas a infraestrutura necessária para sustentá-la em larga escala ainda está se consolidando.
É justamente nessa lacuna que a tecnologia se torna o fator decisivo.
A conversa sobre infraestrutura que ninguém está tendo em alto e bom som
A discussão mais comum sobre ativos alternativos no Brasil costuma começar pelo produto: qual fundo, qual gestor, qual estratégia. Esse é o ponto de partida errado. O que realmente determina se um produto chega aos clientes — e permanece com eles — é a camada operacional que existe por trás dele.
Em nível global, as plataformas de wealth management estão aprendendo isso da forma mais difícil. A automação inteligente do perfil de risco, da assinatura de documentos e do processo de onboarding deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito básico. Em mercados como o Brasil, onde o Open Finance já atende 52 milhões de clientes em mais de 700 instituições e processa 3,5 bilhões de solicitações de dados por semana, assessores e clientes estão acostumados a esperar velocidade, transparência e uma experiência digital fluida. Quando um produto alternativo chega com um processo de subscrição complexo ou um sistema de relatórios pouco transparente, dificilmente terá uma segunda oportunidade.
O ecossistema brasileiro de wealth management é liderado por plataformas como Itaú Private Bank, BTG Pactual, XP Private e Safra, entre outras, que investiram fortemente em infraestrutura digital. O nível de exigência para qualquer novo produto ou parceria é elevado.
Três aspectos que a tecnologia realmente transforma
Tempo de lançamento no mercado. Em um mercado onde o interesse dos clientes pode superar a disponibilidade de produtos, a capacidade de estruturar e distribuir uma nova estratégia em semanas — ou até dias — em vez de trimestres representa um verdadeiro diferencial. Plataformas construídas sobre uma arquitetura modular conseguem responder a mudanças regulatórias, novos mandatos de clientes ou novas parcerias com gestores sem precisar reconstruir toda a estrutura a cada alteração. Essa agilidade não é apenas uma funcionalidade: é uma condição para permanecer relevante.
Adequação da distribuição. Um produto desenvolvido para investidores institucionais raramente chega ao canal de gestão patrimonial sem adaptações. No Brasil, isso significa ajustar os valores mínimos de investimento às expectativas do mercado local, garantir compatibilidade com as plataformas já utilizadas pelos assessores e produzir relatórios que atendam tanto aos padrões regulatórios quanto às preferências dos clientes. A parceria entre LynkMarkets e iCapital aborda diretamente essa questão: cada ETN privado possui um código ISIN exclusivo, que funciona em múltiplas plataformas globais de liquidação, preservando ao mesmo tempo a flexibilidade para adaptar a estrutura do produto e seu modelo de distribuição às exigências do mercado local. O que parece um detalhe operacional é, na prática, a diferença entre um produto distribuído com sucesso e outro que permanece na prateleira.
Capacidade de adaptação contínua. O ambiente regulatório brasileiro evolui constantemente, o contexto macroeconômico muda e a sofisticação dos clientes cresce mais rapidamente do que na maior parte dos mercados da região. Uma pesquisa de 2025 mostrou que 47% das empresas brasileiras com mais de 50 funcionários já haviam adotado algum tipo de tecnologia de inteligência artificial, frente a apenas 15% em 2021. As empresas que desenvolveram essas capacidades mais cedo não eram necessariamente mais inovadoras; apenas aproveitaram a oportunidade no momento certo. A mesma lógica se aplica à infraestrutura de distribuição de ativos alternativos. Plataformas que investirem hoje em tecnologia configurável e responsiva não precisarão reconstruir seus sistemas quando o mercado exigir novas soluções. As que esperarem provavelmente precisarão fazê-lo.
Para onde o Brasil caminha a partir daqui
Mecanismos de liquidez já consolidados em mercados internacionais — como mercados secundários, fundos de continuação e fund finance — começam a ganhar tração efetiva no Brasil, com potencial significativo de expansão nos próximos anos. A atividade de private equity acelerou em 2025, com 89 transações que somaram R$ 50,1 bilhões, ante 72 operações que movimentaram R$ 13,3 bilhões no ano anterior. A direção é clara.
O que permanece incerto é quais plataformas estarão posicionadas para capturar esse fluxo. A resposta não será determinada pelo gestor com o melhor histórico de desempenho nem pelo produto com o perfil de retorno mais atrativo. Será definida pela infraestrutura de distribuição capaz de operar com rapidez, adaptar-se às necessidades específicas do mercado e escalar com eficiência para acompanhar esse momento.
Na LynkMarkets, essa é a aposta para o Brasil: a verdadeira vantagem competitiva neste mercado está na camada tecnológica, e a janela para construí-la é agora.
Artigo assinado por Francisco Molnar Neto, Country Manager para o Brasil e Diretor de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina na LYNK Markets.
Referencias
(1) swissQuant Group — https://swissquant.com/industry-insights/brazils-rising-wealth-landscape-opportunities-and-challenges-for-modern-portfolio-management/
(2) ANBIMA International — https://international.anbima.com.br/
(3) Capgemini — https://www.capgemini.com/insights/research-library/wealth-management-top-trends-2025/
(4) Mordor Intelligence — https://www.mordorintelligence.com/industry-reports/south-america-wealth-management-market
(5) iCapital — https://icapital.com/newsroom/press-releases/icapital-makes-strategic-investment-in-lynk-markets-partners-to-scale-adoption-of-alternatives-globally-through-private-alternative-investment-fund-notes/
(6) Rio Times Online — https://www.riotimesonline.com/brazil-technology-scene/
(7) Chambers and Partners — https://practiceguides.chambers.com/practice-guides/alternative-funds-2025/brazil/trends-and-developments
(8) Murray Advogados — https://murray.adv.br/en/private-equity-investments-jump-in-brazil-despite-slow-exits/
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