Os investidores de varejo estão deixando para trás o rótulo de “dinheiro burro” (dumb money), demonstrando maior maturidade por meio de altos níveis de engajamento, construção disciplinada de portfólios, maior diversificação e um conhecimento mais sólido de macroeconomia, segundo o mais recente relatório trimestral Pulso do Investidor de Varejo, da plataforma de investimentos e negociação eToro.
O estudo, que entrevistou 11 mil investidores de varejo em 13 países, revelou que esses investidores apresentam elevados níveis de disciplina e participação ativa: 70% acompanham regularmente seus investimentos e 79% investem mensalmente. As gerações mais jovens lideram esse comportamento: 87% da Geração Z e 86% dos millennials aplicam recursos todos os meses, ante 79% da Geração X e 68% dos baby boomers.
Comentando os resultados, Lale Akoner, analista de mercados globais da eToro, afirmou: “Os investidores de varejo estão muito distantes do estereótipo oportunista que dominou as manchetes em 2021. Nossa pesquisa mostra que os investidores atuais são engajados, criteriosos e consistentes, refletindo uma abordagem mais disciplinada do que reativa.
Os investidores mais jovens, em particular, estão liderando essa transformação. Muitos entraram nos mercados durante um período de mudanças estruturais, marcado por maior volatilidade e incerteza macroeconômica. Como resultado, acostumaram-se a monitorar tendências globais e a utilizar tecnologia e informações acessíveis para gerenciar riscos de forma estratégica.”
Na Espanha, a pesquisa — realizada com uma amostra de 1.000 entrevistados — apresentou resultados semelhantes. 78% afirmaram revisar regularmente seus portfólios e 80% realizam investimentos mensais. O perfil geracional também segue o mesmo padrão: 85% da Geração Z e 82% dos millennials espanhóis revisam suas carteiras com frequência, ante 80% da Geração X e 63% dos baby boomers.
“O que estamos observando não é euforia do investidor de varejo, mas sofisticação. O investidor individual já não reage simplesmente aos acontecimentos: ele planeja. Reavalia a carteira, faz rotações de forma criteriosa e compreende o ambiente macroeconômico. A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, está atuando como um elemento catalisador”, afirmou Javier Molina, analista de mercados da eToro.
Diversificação global
O relatório mostra que os investidores de varejo ao redor do mundo continuam ampliando a diversificação de seus portfólios entre diferentes classes de ativos. Cresceu o número de investidores com exposição a criptoativos, ações internacionais e títulos de renda fixa domésticos. “Os investidores de varejo estão alocando cada vez mais recursos com foco em diversificação, priorizando um conjunto mais amplo de oportunidades. A redução das posições em caixa aponta para um rebalanceamento gradual, enquanto a maior exposição a títulos, ativos internacionais e criptoativos sugere que a diversificação está sendo utilizada como ferramenta de gestão de risco”, afirmou Akoner.
Entre os investidores espanhóis, a diversificação também se reflete na distribuição geográfica dos investimentos, com aumento da exposição à China e aos mercados emergentes. A Europa registrou crescimento líquido no número de investidores, enquanto Estados Unidos e Reino Unido apresentaram pequenos ajustes. Segundo Molina, “a diversificação deixou de ser um conceito teórico para se tornar uma ferramenta ativa de gestão de risco. O aumento da exposição a mercados emergentes, títulos e criptoativos responde a uma construção estratégica de portfólio em um mundo cada vez mais fragmentado”.
Reações à desvalorização do dólar
Os investidores de varejo também demonstram maior compreensão dos fatores macroeconômicos. Diante da desvalorização do dólar americano, 49% afirmam que pretendem ajustar seus portfólios. “A dinâmica cambial e as mudanças nas políticas globais desempenham um papel cada vez mais relevante. O melhor acesso aos dados de mercado, à análise macroeconômica global e às ferramentas de gestão de risco oferece uma visão mais clara das forças que determinam os retornos e reduz a distância entre investidores de varejo e institucionais”, afirmou Akoner.
Ela acrescentou: “Se combinarmos essa paridade de acesso à informação com a capacidade de executar operações mais rapidamente do que os investidores institucionais, podemos entender por que muitos investidores de varejo superaram as instituições em 2025. Se 2021 foi o ano da ascensão do investidor de varejo, 2025 demonstra sua maturidade e sofisticação.”
Na pesquisa realizada na Espanha, a tendência é semelhante: mais de 55% dos entrevistados afirmaram considerar rebalancear seus portfólios diante da fraqueza do dólar.
“Quando mais da metade dos investidores ajusta suas carteiras em resposta à desvalorização do dólar, fica claro que o investidor de varejo pensa em termos de moeda, fluxos financeiros e geopolítica. Já não se trata apenas de decidir qual ativo comprar, mas também em qual moeda e em qual contexto”, concluiu Molina.



