O analista Marco Saravalle está ampliando sua atuação no mercado financeiro. Conhecido pelo trabalho em análise de ações e, mais recentemente, à frente da MSX Invest, ele assume como estrategista-chefe da Krivo Capital, gestora do Grupo Ibirá, em uma nova fase que terá como uma das principais vitrines um fundo de ações sob sua estratégia.
O movimento, porém, vai além do FIA. A Krivo quer crescer como uma plataforma de gestão voltada principalmente para parceiros B2B, como assessores e consultores de investimentos que desejam oferecer advisory e gestão aos próprios clientes sem necessariamente construir toda essa estrutura dentro de casa.
“O nosso DNA da Krivo é de ter poucos clientes próprios, mas muitos parceiros no B2B”, disse Saravalle, em entrevista à Funds Society.
A operação será estruturada em três pilares: consultoria de investimentos, gestão de carteiras administradas e gestão de fundos. Nesse desenho, Saravalle ficará responsável pela estratégia da casa como um todo, incluindo decisões de alocação.
‘Gestão as a service’
A aposta no B2B parte de uma lógica que Saravalle define como “gestão as a service”. A ideia é oferecer a assessores e consultores uma estrutura que permita ampliar o serviço prestado aos clientes sem que esses profissionais precisem montar, sozinhos, toda a infraestrutura necessária para uma operação de advisory e gestão.
Na prática, a Krivo quer atuar nos bastidores enquanto o parceiro permanece concentrado na prospecção e no relacionamento com o investidor.
“Isso libera o parceiro também a prospectar, a fazer realmente relacionamento, que é o DNA de um escritório de assessoria ou consultoria”, afirmou Saravalle. “O foco dele não é analisar se o cliente está fora do asset allocation, se tem muita inflação, se precisa aumentar a renda variável. É trazer o cara para dentro.”
Segundo o estrategista, há três frentes principais nessa proposta. A primeira é facilitar o acesso à infraestrutura de consultoria em um ambiente no qual, segundo ele, as plataformas estão mais restritivas à abertura de novos CNPJs e acessos. A segunda é fornecer serviços de suporte aos parceiros, como back office e marketing. E a terceira é incorporar a própria gestão, seja por meio de carteiras administradas ou de fundos exclusivos para os clientes desses profissionais.
“Se o cliente precisa de back office, de marketing, a gente entrega para ele. Caso ele precise de gestão, a gente consegue fazer”, disse. “Meu cliente precisa de carteira administrada? A gente consegue. Meu cliente precisa abrir um fundo exclusivo para ele? Também garantimos.”
O foco está sobretudo nos profissionais e escritórios menores, que não teriam escala para replicar internamente esse tipo de estrutura. “Principalmente para aqueles escritórios que são pequenos, que não tem escala. Quando são players grandes, eles já tem sua própria estrutura”, diz.
A chegada à Krivo também representa um passo adiante na trajetória construída com a MSX. A marca deverá permanecer concentrada no research, incluindo relatórios e assinaturas, enquanto a estrutura de consultoria passa a fazer parte do novo ecossistema.
“Eu basicamente vou acabar assumindo um pouco o papel de ser o porta-voz da Krivo, um pouco de fazer também essa parte de estratégia, alocação para as carteiras”, afirma.
Um FIA para dar visibilidade à gestora
Um dos primeiros produtos dessa nova fase é o FIA Krivo Exponencial, fundo de ações que terá a estratégia de investimentos comandada por Saravalle.
O veículo será um fundo total return, sem compromisso de concentrar a carteira em um único segmento da Bolsa. A alocação poderá transitar entre blue chips, empresas de dividendos e small caps e também buscar exposição internacional por meio de instrumentos negociados na B3.
“Vai ser um fundo que eu chamo de total return, ou seja, buscar retorno independentemente de onde ele esteja”, disse Saravalle.
A carteira nasce aproveitando parte do trabalho que o estrategista já desenvolvia no research. A composição deve ter uma parcela de blue chips, outra de small caps e peso relevante em empresas pagadoras de dividendos. Nesse último caso, a intenção não é apenas capturar os proventos, mas também reduzir a volatilidade da carteira.
“A parcela de dividendos não é só para trazer dividendos, mas principalmente para trazer menor volatilidade para esse fundo ao longo do período”, afirmou.
O fundo terá aplicação mínima de R$ 500 e prazo de resgate em torno de D+10, uma escolha que impõe limites à exposição às ações menos líquidas.
Saravalle explica que, conforme o patrimônio aumentar, a participação de small caps poderá ter que diminuir para preservar a liquidez necessária para atender aos resgates.
“Quanto mais o fundo cresce, mais eu vou ter que diminuir a posição das small caps”, afirmou.
A expectativa da casa é captar aproximadamente R$ 20 milhões nos primeiros dois meses e chegar a R$ 100 milhões até o final do ano. Segundo Saravalle, o ecossistema que reúne consultoria e parceiros soma hoje aproximadamente R$ 500 milhões, e uma parcela relevante da captação inicial deverá partir dessa base.
