A B3 passou a negociar e liquidar em reais as Opções de Política Monetária Internacional, derivativos referenciados em decisões de juros de bancos centrais como o Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Central do México (Banxico).
A alteração, que entrou em vigor na primeira semana de agosto, elimina a exposição cambial do produto. Com isso, os investidores passam a negociar exclusivamente as expectativas para as decisões de política monetária, sem que o resultado das operações seja afetado pela variação das moedas estrangeiras.
Prêmio, exercício e valor de referência dos contratos passam a ser denominados exclusivamente em reais. Segundo a B3, a mudança aproxima o funcionamento desses derivativos do modelo utilizado nas Opções de Copom.
Antes da alteração, o investidor também ficava exposto à variação da moeda estrangeira utilizada como referência pelo banco central relacionado ao contrato. Dessa forma, além de assumir uma posição sobre a decisão de juros, carregava o risco de oscilações cambiais até a data de exercício da opção.
“Nosso objetivo foi tornar o produto mais simples e permitir que o investidor negocie apenas sua expectativa sobre a decisão de política monetária. A exposição cambial deixa de fazer parte da operação, enquanto a gestão desse risco permanece com os participantes que já possuem instrumentos adequados para administrá-lo”, afirma Marcos Skistymas, diretor de produtos listados da B3.
Lançadas em dezembro de 2025, as Opções de Política Monetária Internacional foram desenvolvidas para permitir que investidores negociem expectativas sobre decisões de juros de bancos centrais internacionais, seguindo uma lógica semelhante à das Opções de Copom.
De acordo com a B3, participantes especializados, como formadores de mercado, conseguem administrar o risco cambial por meio de estratégias de hedge. Investidores institucionais, porém, apontaram que a variação das moedas acrescentava uma camada de complexidade que não fazia parte da estratégia de investimento.
Com todos os contratos liquidados em reais, a exposição do investidor passa a estar concentrada no evento de política monetária, independentemente do banco central utilizado como referência.
“A mudança nasceu da experiência prática dos clientes com o produto. O objetivo foi remover uma barreira identificada após o lançamento e tornar a negociação mais simples, mantendo o foco na expectativa para a decisão de juros de cada banco central”, diz Skistymas.
A B3 afirma que espera ampliar a utilização das Opções de Política Monetária Internacional após a mudança na estrutura dos contratos.
Os produtos permanecem disponíveis exclusivamente para investidores institucionais. Segundo a bolsa, a restrição decorre do entendimento regulatório vigente sobre contratos de evento. A alteração não afeta as Opções de Copom, cuja negociação permanece inalterada.



