A indústria chilena de fundos de investimento públicos registrou um início de ano positivo, com o crescimento ainda impulsionado principalmente pelo avanço dos ativos alternativos no país. É o que mostram os dados consolidados da Associação Chilena de Administradoras de Fundos de Investimento (Acafi) referentes ao primeiro trimestre deste ano.
Segundo comunicado da entidade, o setor alcançou US$ 45,239 bilhões em ativos sob gestão em março de 2026, o que representa um crescimento de 20% em relação ao valor registrado no encerramento do primeiro trimestre do ano anterior.
Esse montante está distribuído em 908 fundos, 42 a mais do que os registrados no mesmo período de 2025.
Do total administrado, os ativos alternativos continuam liderando a indústria, com US$ 29,786 bilhões, equivalentes a 66% dos ativos, distribuídos em 765 fundos. Nessa categoria, destacam-se os fundos imobiliários, com US$ 8,58 bilhões; private equity, com US$ 7,807 bilhões; e dívida privada, com US$ 7,019 bilhões.
“A expansão observada nos últimos doze meses responde a uma combinação de fatores estruturais e de mercado. Por um lado, os investidores continuam aumentando sua exposição a ativos alternativos, especialmente dívida privada, private equity e imobiliário, buscando diversificação e retornos de longo prazo. Por outro, a recuperação dos mercados financeiros e o melhor desempenho dos ativos mobiliários impulsionaram uma valorização relevante das carteiras durante o período”, destacou a gerente de Estudos da Acafi, Virginia Fernández, no comunicado.
Vale destacar, porém, que os fundos mobiliários apresentaram uma dinâmica sólida durante o primeiro trimestre do ano. O segmento alcançou US$ 15,453 bilhões em ativos, equivalentes a 34% do total, administrados por meio de 143 veículos.
Segundo a entidade, esse foi o segmento mais dinâmico em termos de crescimento anual, registrando alta de 59% em relação aos US$ 9,742 bilhões registrados em março de 2025.
Crescimento no trimestre e fluxos positivos
Considerando apenas o período entre janeiro e março de 2026, o relatório mostra um crescimento de US$ 1,194 bilhão, dos quais cerca de US$ 1 bilhão (84%) teve origem em aportes líquidos, enquanto o restante (16%) decorreu da valorização dos ativos.
O relatório da Associação também revelou que, durante o primeiro trimestre do ano, foram criados 23 novos fundos que, em conjunto, administram ativos de US$ 216 milhões.
Desse total, 85% correspondem a ativos alternativos, sendo que a dívida privada concentra 43% dos recursos, seguida por private equity, com 28%, e fundos imobiliários, com 14%. Os fundos mobiliários, por sua vez, representam 15% dos ativos dos novos veículos criados.
Além disso, nesses primeiros meses do ano, a indústria registrou fluxos líquidos positivos de US$ 762 milhões, valor semelhante ao observado no mesmo período de 2025. Isso reflete que os investidores continuaram realizando aportes líquidos na indústria no início de 2026, mantendo uma tendência favorável de captação de recursos, destacaram os representantes da associação das gestoras.
“Os resultados refletem a maturidade alcançada pela indústria de fundos de investimento no Chile e sua capacidade de direcionar recursos para diferentes setores da economia. Embora os fluxos do primeiro trimestre tenham sido semelhantes aos observados em 2025, eles permanecem em níveis elevados e continuam demonstrando uma sólida capacidade de captação de recursos por parte da indústria”, acrescentou Fernández.



