Em julho de 2026, estamos comemorando 22 anos da indústria de ETFs aqui no Brasil. O primeiro lançamento foi em 2004, PIBB11, ETF gerido pelo Itaú e que replica o índice IBrX-50, índice das 50 ações mais negociadas da Bolsa. De 2004 até 2019 a indústria seguiu focada em ativos de Renda Variável: em 2008 nasceram o BOVA11 e o SMAL11. Já em 2012 nasceu o DIVO11 e em 2014 nasceu o IVVB11, ETF este para exposição ao S&P 500. E com isso, no final de 2014, a indústria brasileira de ETFs tinha cerca de R$ 3,3 bilhões de patrimônio líquido.
E assim, em 2019, tivemos o começo da indústria de ETFs de Renda Fixa no Brasil. Tudo começou com um ETF focado numa cesta diversificada de títulos públicos atrelados à inflação, mais conhecidas como NTN-B, o ETF é o IMAB11, gerido pela Itaú Asset. Essa é uma estratégia que permite que o investidor se exponha a toda curva dos títulos de inflação (curta, média e longa).
E aqui já vale destacar as vantagens tributárias dos ETFs em comparação a uma exposição semelhante via título público ou um fundo tradicional. No ETF não temos a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e nem o come-cotas. Dessa forma, por conta do prazo médio de repactuação de carteira, a grande maioria dos ETFs de Renda Fixa contam com tributação de 15% sobre o ganho de capital, independente de quando o investidor decidir resgatar.
Já em 2022 tivemos um ponto chave na indústria de ETFs de Renda Fixa. A Investo trouxe o LFTS11, o primeiro ETF 100% focado em LFT. Hoje essa é uma estratégia disponível em outras gestoras e que funciona muito bem para um recurso que será usado no curtíssimo prazo (em torno de 28 dias, tal como se mostra no gráfico comparativo abaixo).

Isso ocorre porque os ETFs não estão sujeitos ao IOF. Por outro lado, esse tipo de estratégia é tributado em 25% sobre o ganho de capital, percentual superior ao aplicado aos demais ativos de renda fixa. Nessa classe, a alíquota máxima é de 22,5%, incidente apenas nos seis primeiros meses da aplicação. A tributação de 25% para um ETF composto exclusivamente por LFTs decorre de uma Nota Informativa do Tesouro Nacional, que estabelece que a carteira desse tipo de ETF possui prazo médio de apenas um dia útil, enquadrando-o, por essa razão, nessa alíquota.
Em 2024 tivemos mais um lançamento de estratégia na indústria. Uma combinação que permite exposição ao CDI, por meio das LFTs, e com uma dose a mais de potencial de ganho por conta da adição de uma NTN-B de prazo longo (como uma 2060, por exemplo). Essa combinação, que normalmente fica numa proporção 90% LFT e 10% NTN-B, permite que essa estratégia seja usada para aquele recurso de reserva de oportunidade, e além disso, gera ao investidor uma imposto de 15% sobre o ganho de capital, isso porque o prazo médio de repactuação fica acima dos 720 dias por conta da parcela de NTN-B longa.
Essa é hoje uma estratégia bastante difundida entre as gestoras, com lançamentos recentes pela XP Asset, Galápagos e Itaú Asset, cada gestora utilizando racional um pouco diferente para montar esse tipo de exposição.
Já em 2025 nasceu mais uma inovação. A B3 passou a permitir que ETFs de Renda Fixa fizessem pagamento de proventos aos cotistas. Algo que começou em 2023 no mercado brasileiro mas nos ETFs de Renda Variável. Hoje a nossa indústria conta com 1 ETF de distribuição dentro da classe Renda Fixa. O ETF AREA11, gerido pelo BTG e com estratégia desenhada pela consultoria AUVP, do finfluencer Raul Sena, concede exposição a uma cesta diversificada de títulos públicos IPCA+ e faz pagamento de proventos mensais. Com esse movimento, o investidor brasileiro passou a ter mais um veículo para recebimento de renda passiva e num ativo que expõe a uma certa proteção contra inflação.
Já no final do mesmo ano, a XP Asset começou a trazer os ETFs de vértices específicos de NTN-B, como o XB3511 e o XB5011. Tais ETFs dão exposição somente às NTN-B 2035 e NTN-B 2050, respectivamente, e funcionam como uma forma do investidor acessar o título público de vencimento específico através da estrutura de ETF, ao invés de acessar o título por negociação via mesa da corretora ou no Tesouro Direto. Este tipo de estratégia também começou a ser desenvolvida pela Itaú Asset, já no início de 2026.
Nesse tipo de exposição, contrastando com o Tesouro Direto, o investidor que acessa através de ETF tem as vantagens tributárias já descritas, tem reinvestimento automático dos cupons pagos pelas NTN-B e de forma isenta, diferente do que acontece num Tesouro Direto, onde o cupom é recebido na conta do cotista, já com tributação retida, e fica a cargo do investidor fazer o reinvestimento.
Além disso, outra vantagem que pode ser destacada é com relação à negociação. O ETF é um veículo negociado em Bolsa, que conta com formador de mercado e só terá interrupção de negociação intradia em momentos de circuit breaker. No Tesouro Direto, quando observamos cenários de maior volatilidade intradia, os títulos tem negociação interrompida. Além disso, existe o fato do Tesouro Nacional suspender a compra de alguns títulos algum tempo antes do vencimento, tal como aconteceu em fevereiro de 2025, onde alguns títulos Tesouro IPCA+ foram substituídos por outros, o que pode prejudicar o planejamento financeiro dos investidores.
E assim, caminha a indústria de ETFs de Renda Fixa. O que começou no passado com estratégias para exposição aos índices ANBIMA (IMA-B, IRF-M e etc), hoje se desenrola em ETFs com pagamento de proventos, em ETF que tem um controle maior para evitar desenquadramento tributário, em ETF de vértice específico de NTN-B e até mesmo em ETFs de títulos pré-fixados ou atrelados à inflação com duration constante. E com isso, vemos o patrimônio dessa classe de ETFs avançar a passos bem acelerados, tal como pode ser visto no gráfico abaixo.

E pelo que temos observado, a tendência é que cada vez mais esse número cresça, o que é um bom termômetro para medir se o investidor brasileiro está compreendendo a ideia de que um ETF. Por mais que seja negociado em Bolsa, não é obrigatoriamente um ativo de Renda Variável, mas sim, um veículo que permite acesso às mais variadas classes, sendo Renda Fixa uma delas.



