A economia mexicana enfrenta uma deterioração crescente de suas contas públicas, o que reduziu significativamente a margem para manter o grau de investimento soberano, um cenário que pode se traduzir em custos de financiamento mais elevados, saída de capitais e menor investimento estrangeiro nos próximos anos.
Em sua Análise da Situação Econômica do México referente ao segundo trimestre de 2026, o Banamex alertou que o aumento do déficit fiscal, o crescimento da dívida pública e a elevação do custo do serviço da dívida do governo começaram a acender sinais de alerta entre as agências internacionais de classificação de risco.
O alerta ocorre após a Standard & Poor’s ter alterado, em maio, a perspectiva da dívida soberana mexicana de estável para negativa, enquanto a Moody’s reduziu a classificação do país de Baa2 para Baa3, apenas um nível acima da perda do grau de investimento.
A deterioração dos indicadores fiscais explica boa parte da preocupação. As Necessidades de Financiamento do Setor Público encerraram 2025 em 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB), acima inclusive das previsões oficiais, enquanto a dívida líquida do governo atingiu 52,7% do PIB, o nível mais elevado em quatro décadas.
A isso se soma um aumento acelerado do custo financeiro do endividamento. Para 2026, estima-se que o pagamento de juros da dívida pública alcance 1,5 trilhão de pesos (cerca de US$ 83 bilhões), equivalente a 4,1% do PIB, um valor que começa a competir diretamente com os gastos destinados à infraestrutura, saúde e educação.
O Banamex destaca que o espaço fiscal do governo também foi reduzido pela necessidade de subsidiar os preços da gasolina para conter o impacto da alta internacional do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio.
A Secretaria da Fazenda reativou neste ano os estímulos ao IEPS, o que permitiu manter o preço da gasolina Magna abaixo de 24 pesos por litro, mas implicou um custo fiscal estimado em 15,8 bilhões de pesos (US$ 878 milhões) em perda de arrecadação tributária para o governo federal.
As consequências de uma eventual perda do grau de investimento podem ser profundas para a economia mexicana. Entre os principais riscos estão vendas forçadas de títulos mexicanos por parte de fundos com mandatos exclusivos para ativos com grau de investimento, uma possível exclusão de índices globais de referência, pressões sobre a taxa de câmbio e um aumento dos custos de financiamento para bancos, empresas e governos locais.
Esse cenário ocorre, além disso, em um momento de menor dinamismo econômico. O Banamex estima que o PIB mexicano recuou 0,6% na comparação trimestral durante o primeiro trimestre do ano e projeta um crescimento de apenas 1,3% para todo o ano de 2026, o que representaria três anos consecutivos de expansão abaixo da média histórica do país.
A instituição considera que o México ainda conta com importantes pontos fortes, entre eles a independência do banco central, o regime de câmbio flexível e a integração comercial com os Estados Unidos. No entanto, alerta que restaurar a confiança dos investidores e estabilizar a trajetória da dívida pública se tornaram os principais desafios econômicos de curto prazo.
A revisão do T-MEC, a incerteza geopolítica internacional e um ambiente global de menor crescimento acrescentam pressão adicional sobre uma economia que, embora mantenha estabilidade macroeconômica, começa a apresentar sinais de vulnerabilidade fiscal que, há poucos anos, pareciam distantes.



