Em um contexto em que os dilemas geopolíticos estão se consolidando na lista de preocupações dos investidores, uma parcela maior do ecossistema de LPs está buscando reduzir o número de gestoras com as quais se relaciona. Essa é uma das conclusões da última versão do Global Private Capital Barometer, da Coller Capital, correspondente ao verão boreal, que apontou que está aumentando a proporção de investidores que planejam cortar nomes de suas carteiras.
Nesta edição, mostrou o relatório, 23% dos limited partners entrevistados afirmaram que planejam reduzir o número de casas de investimento em seus portfólios no futuro. Isso representa uma alta relevante desde a última vez que a Coller incluiu essa pergunta em sua pesquisa com investidores, em 2020. Na ocasião, apenas 16% dos LPs planejavam reduzir seu volume de relações.
Dito isso, cabe destacar que ainda são mais os atores que buscam incorporar ainda mais gestoras a suas carteiras. Um total de 38% dos entrevistados espera um aumento.
Em relação às classes de ativos, a consultoria destaca que 57% dos entrevistados não antecipa fazer mudanças em posicionamentos, em linhas gerais, mas o estudo da Coller revela, sim, um esfriamento do entusiasmo por estratégias de crédito privado e infraestrutura.
Em comparação com o barômetro do semestre passado, a proporção de investidores que espera aumentar sua aposta em crédito privado caiu de 42% para 29% em seis meses. E, para ativos de infraestrutura, o número caiu de 39% para 31% no mesmo período.
“Isso pode ser uma pausa natural, depois de períodos de crescimento acelerado para as duas classes de ativos, mas as manchetes negativas recentes relacionadas ao crédito privado provavelmente também estão influenciando os planos de posicionamento dos LPs”, indicou a firma em seu relatório.
Cabe ressaltar que isso não significa que o segmento não esteja olhando para a classe. A Coller destacou que a “ampla maioria” dos investidores pesquisados, de 87%, planeja manter ou aumentar seus investimentos em dívida privada nos próximos 12 meses.
O que move as decisões
Os investidores globais seguem injetando capital nos mercados alternativos, com a lógica de longo prazo protegendo-os em parte dos choques de curto prazo.
“Por isso, não surpreende que os LPs sigam alocando capital nos mercados privados, mesmo com a guinada imprevisível dos acontecimentos mundiais”, indicou a Coller Capital em seu relatório.
O estudo da firma mostrou que um terço dos limited partners espera acelerar seu ritmo de compromissos nos próximos dois anos, enquanto 57% espera manter o ritmo.
Além disso, 63% dos entrevistados afirmaram que não há mudanças no impacto que o ambiente geopolítico está tendo nas decisões de posicionamento. O percentual restante afirmou que esse fator está, sim, tendo mais peso em seus processos de tomada de decisão.
Dito isso, a consultoria afirma que a divisão regional pinta um quadro mais heterogêneo. “Entre nossos entrevistados norte-americanos, pouco menos de um quarto (23%) considera a geopolítica mais do que antes. Em contraste, outras regiões parecem mais preocupadas”, indicaram, com Europa e Ásia registrando uma proporção de cerca de 50% dos investidores.



