Investidores globais, responsáveis políticos e líderes empresariais se reuniram em Miami, durante as jornadas organizadas pelo FII Institute, para analisar como o capital está se deslocando entre regiões, setores e tecnologias em um período marcado por mudanças e abalos geopolíticos e econômicos.
Uma de suas principais conclusões foi o papel-chave que a América Latina passou a desempenhar na reconfiguração dos fluxos globais de capital. No centro do debate sobre seu papel estão o nearshoring, as infraestruturas, a energia e o capital humano como fatores-chave para impulsionar o crescimento de longo prazo.
Nesse sentido, os participantes destacaram a transformação da América Latina em um refúgio seguro e motor de crescimento, com abundantes recursos naturais, mercados de capitais em expansão e uma relevância geopolítica cada vez maior. “Este é o momento de passar da fragmentação para o alinhamento, da hesitação para a ação. A nova ordem latino-americana não será definida por discursos, mas por decisões, alianças e investimento”, apontou Richard Attias, presidente do Comitê Executivo e conselheiro delegado em exercício do FII Institute.
O capital se move
Entre os temas que mais chamaram a atenção e se destacaram durante o evento estiveram as fortes entradas de capital em mercados-chave como o Brasil, o papel da América Latina na segurança alimentar e energética mundial; e a necessidade de investir em infraestruturas e educação para desbloquear rentabilidades de longo prazo.
“Estamos deixando de ver o investimento social como um custo para reconhecê-lo como a base do crescimento econômico, porque abordar a primeira infância, a saúde, a educação e o saneamento é o que realmente configura o futuro de um país”, destacou María José Pinto González Artigas, vice-presidente do Equador.
Ao longo das sessões deste evento, três mensagens se repetiram de forma constante nas reflexões apresentadas pelos palestrantes: o capital está se deslocando para novas geografias, incluindo a América Latina; está cada vez mais focado na resiliência de longo prazo e no impacto na economia real; e se move com rapidez, impulsionado pela geopolítica, pela tecnologia e pelas transições energéticas.
Da mesma forma, coincidiram em que, em um mundo em que a disrupção é a “nova normalidade”, o capital está se reposicionando. “Enquanto os líderes globais continuam suas conversas nos próximos dias, o foco permanece o mesmo: como alinhar o capital com a oportunidade e como transformar esse movimento em um impacto mensurável”, indicam desde o FII Institute.
Energia, infraestrutura e o próximo ciclo de investimento
Ao falar sobre transformar desafios em oportunidades, a Venezuela e as novas oportunidades que seu setor tecnológico representa tiveram grande protagonismo. Sobre isso, falou de forma telemática Delcy Rodríguez Gómez, presidente interina da República Bolivariana da Venezuela, que destacou que o país recebe mais de 120 empresas energéticas dos Estados Unidos, Oriente Médio, Ásia, África e Europa, em meio a reformas legais. Segundo explicou, a lei de hidrocarbonetos da Venezuela e outras reformas legais mais amplas foram desenhadas para oferecer a segurança jurídica que os investidores necessitam.
Outro foco claro de oportunidade são as infraestruturas. Segundo os especialistas que participaram de um painel temático sobre o tema, os debates neste setor se concentram no desafio que as limitações energéticas e de fornecimento elétrico representam para o nearshoring; assim como na rápida expansão da infraestrutura industrial e dos centros de dados. Os participantes também destacaram o papel do turismo, da logística e da infraestrutura cultural na geração de rentabilidades de longo prazo.
Nesse sentido, Manfredi Lefebvre d’Ovidio, presidente do World Travel & Tourism Council, destacou a importância de Miami e das alianças de investimento para o sucesso da América Latina: “A colaboração público-privada global é fundamental para o sucesso da América Latina, e Miami é a prova disso. A maioria dos voos de europeus que viajam para a América Latina passa por Miami”.



