A crescente adoção de ativos alternativos nos portfólios de investimento — de todos os tipos e tamanhos — é uma tendência inegável, que inclui os investidores latino-americanos. No entanto, embora tenha ocorrido um desenvolvimento geral desse tipo de estratégia na região, ainda existe uma defasagem nos veículos locais em relação à experiência internacional. E, para solucionar essa questão, a visão da indústria é de que os investidores de varejo desempenhem um papel fundamental. Por isso, profissionais do setor defendem o desenvolvimento do mercado de fundos alternativos listados.
Na última edição do Congreso Regional Mercado de Capitales, organizado pela nuam e pela Asobolsa — e realizado em Cartagena das Índias —, representantes de três grandes casas de investimento latino-americanas abordaram o tema, enfatizando a dinâmica favorável entre capitais mais massificados, assessores independentes e bolsas.
O caso do Brasil, o maior e mais desenvolvido mercado da região, é emblemático e traça um roteiro para outras jurisdições. No país, explicou Camilo Aristizabal, sócio e CIO do BTG Pactual Colombia, “a questão dos alternativos e do mercado público está evoluindo de uma forma muito interessante”. E a chave são os investidores de varejo.
Para o profissional, as abundantes necessidades de capital na região ressaltam a importância de criar veículos capazes de atrair esses investidores. Nesse sentido, destaca que o sucesso do caso brasileiro vem do crescimento dos assessores independentes no país e de uma estrutura regulatória que favorece a criação de produtos financeiros listados.
Isso amplia o acesso aos mercados privados, que atualmente contam com um universo de negócios atrativos que supera os mercados públicos em volume. “O mundo dos alternativos, nos últimos quinze anos, ganhou muito espaço em relação ao mundo tradicional”, destacou Carlos Rojas, CEO da gestora CAPIA SAFI e presidente da Asociación de Fondos de Inversión del Perú. Em um contexto no qual as empresas estão levando muito mais tempo para optar por um IPO — quando chegam a fazê-lo —, o executivo alertou que o valor está se inclinando mais para os alternativos do que para os mercados tradicionais.
O potencial de listagem em bolsa
Para ampliar o acesso a essas estratégias, uma ferramenta fundamental é a massificação da listagem de estratégias alternativas. Fazendo eco à experiência do Chile — um dos mercados de fundos alternativos mais sofisticados da região —, o Head Trader da LarrainVial Asset Management, Iván Tovar, destacou o papel desempenhado pelos benefícios tributários e pela arquitetura aberta de distribuição no desenvolvimento desse fenômeno no país.
Nesse sentido, participantes do setor veem potencial de sinergias no processo de integração que está sendo promovido atualmente pelas principais bolsas de valores do Chile, Peru e Colômbia. “A listagem de produtos alternativos nos mercados integrados vai gerar muitas coisas positivas”, projetou Rojas, incluindo sinergias em questões tributárias e de liquidez. Usando o exemplo das Fibras, no México, o profissional ressaltou que a “conversão de um ativo ilíquido em líquido faz mágica”.
“Temos que começar a construir mais, mais estruturas de ativos alternativos para levá-los à bolsa. E, de preferência, que nem todos sejam imobiliários. Seria bom que pudéssemos estruturar outras coisas”, acrescentou Aristizabal. Considerando as necessidades de liquidez efetiva do segmento de varejo, o profissional vê com otimismo como essa variável “está começando a evoluir de forma impressionante” na região.
Para que isso aconteça, é fundamental reduzir as fricções. Tovar enfatizou os custos e a facilidade de criar esse tipo de veículo, além da necessidade de desenvolver um ambiente mais diversificado de veículos, de todos os tamanhos. “Devemos buscar listar os fundos e fazer com que haja negociação desses fundos na bolsa, mas também precisamos, como cultura, buscar que os fundos possam ser de US$ 50 milhões”, afirmou, criando as condições para que fundos de menor porte sejam viáveis.



