Uma dinâmica atraente. Uma oportunidade de crescimento. Um polo de negócios com dinamismo crescente. Há muitas coisas interessantes que a UBS Global Wealth Management (UBS GWM), uma das maiores empresas de gestão patrimonial do mundo, vê na América Latina. A empresa está fortalecendo suas operações na região, apoiando-se em patrimônios cada vez mais internacionais e que estão buscando diversificar seus investimentos para além do dólar e dos Estados Unidos.
“Os últimos anos, em geral, têm sido muito dinâmicos no mundo e, em particular, na América Latina, devido à situação macroeconômica e ao crescimento de nossos principais clientes”, destaca Simón Toros, Market Head para a América Central e o Cone Sul da companhia de matriz suíça, em entrevista à Funds Society.
Com o impulso favorável do boom das commodities — considerando a exposição da região a matérias-primas, energia e agricultura — e da tecnologia, graças ao boom da IA, as fortunas familiares vêm crescendo na maioria dos grandes mercados da região, segundo relata o executivo.
Essa dinâmica reforça as intenções do UBS com o bloco latino-americano. A integração com o Credit Suisse fez com que seus ativos na região quase dobrassem, posicionando a empresa como um ator relevante no negócio. “Isso nos posicionou como número um na América Latina”, afirma Toros, acrescentando que isso lhes permitiu dar mais atenção a diferentes países da região.
É nesse contexto que o grupo suíço decidiu fortalecer sua operação latino-americana ao designá-la como uma Business Unit, no ano passado, sob a liderança de Marcelo ChiloV como Head da unidade. Essa criação a transforma na quarta unidade regional de negócios da UBS GWM, ao lado de Estados Unidos, Europa e Oriente Médio e Ásia.
A Business Unit latino-americana está, por sua vez, estruturada em torno de quatro mercados: Brasil, Argentina, México e os demais mercados, ou seja, América Central e Cone Sul (CAS). Ainda assim, possuem presença local, com escritórios, no Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Panamá, que utilizam como hub regional.
“O simples fato de já termos uma unidade dedicada, dentro da Global Wealth Management, à América Latina dá uma ideia da importância que a região tem e do potencial de crescimento que vemos”, comenta Toros.
Diversificando para além do dólar
Toros descreve um ambiente em que as conversas com indivíduos, MFOs e institucionais estão mais dinâmicas, especialmente considerando os setores que estão atraindo mais atenção. “A origem do crescimento econômico não está distribuída de forma igualitária. Há um impacto bastante forte das commodities e da tecnologia. Isso, naturalmente, chama a atenção dos investidores para saber para onde se mover”, explica, o que os tem impulsionado para segmentos como semicondutores e ouro.
Além disso, a evolução das taxas nos EUA aumentou a atratividade da renda fixa investment grade; e os ativos alternativos vêm ganhando maior destaque nos portfólios há anos.
Mas, para além dos portfólios, na UBS GWM enxergam um universo de patrimônios latino-americanos cada vez mais interessados em diversificar, tanto em termos de moedas quanto de domicílio de seus ativos.
“Falando da América Latina em particular, tudo o que está acontecendo nos EUA, todas as questões geopolíticas que estão na agenda, trazem muitas perguntas em relação ao dólar”, relata o Head para a região CAS, acrescentando que o endividamento público dos Estados Unidos e suas taxas de juros reforçaram a importância de diversificar as posições em moedas.
Novos domicílios para os patrimônios
Em relação às jurisdições, Toros afirma que observam um interesse maior em olhar para fora dos EUA — destino tradicional dos investimentos offshore dos latino-americanos —, devido à situação política e à narrativa em torno do país. “Tivemos muitas conversas e vimos movimentos de capital para jurisdições alternativas”, explica, embora destaque que “nem sempre isso implica uma mudança na alocação de ativos”.
Para onde estão olhando? O executivo aponta Europa e Ásia como regiões de interesse crescente.
No caso da Europa, Toros destaca a Suíça — centro nevrálgico do UBS — e o booking center que abriram na Alemanha. No caso dos mercados latino-americanos mais sofisticados, alguns olham para Luxemburgo, acrescenta.
No caso da Ásia, o interesse dos latino-americanos responde aos laços comerciais que estão se estreitando entre as duas regiões. O principal atrativo, explica, está na possibilidade de acessar com mais facilidade os mercados asiáticos. Nesse sentido, Coreia do Sul e Taiwan se destacam no cenário global, devido ao seu papel no mercado de semicondutores.
Oportunidades de negócios na região
Segundo relatam na UBS GWM, outro espaço que os investidores latino-americanos estão observando de perto é sua própria região. “Há um fluxo de capital intra-América Latina que nunca vimos antes”, afirma Toros, com os clientes de private banking muito ativos em investimentos em diferentes negócios na região.
O executivo observa dois fenômenos paralelos nessa direção. Por um lado, as empresas familiares estão crescendo para além das fronteiras de seus países de origem; por outro, as fortunas familiares estão cada vez mais interessadas em investir em negócios na América Latina.
Essa tendência é vista pela gigante de gestão patrimonial como uma oportunidade de negócios. Seguindo a implementação dessa filosofia em nível de grupo, criaram uma equipe de Client Connectivity na região.
Antes, relata Toros, as equipes da UBS GWM se concentravam apenas nos mercados locais em que estavam presentes, mas perceberam que existe uma busca por oportunidades de investimento. Os clientes pedem assessoria e conexões para diferentes negócios em diferentes países, e o UBS aproveita sua extensa rede regional.
“Procuramos conectar os clientes entre si, para que conversem”, explica o profissional, apoiando-se em sua posição de destaque na região, atendendo clientes de 20 países. “As economias da América Latina se abriram muito ao capital estrangeiro”, acrescenta.
