A carteira inclui Hermès, Richemont, L’Oréal, Kering, Burberry, Christian Dior e Ralph Lauren. A Hermès foi a marca com melhor desempenho ao longo de 20 anos, com uma rentabilidade de 2.206%. A Christian Dior registrou uma rentabilidade de 467%, a Ralph Lauren de 525%, a Richemont de 619% e a L’Oréal de 344%. No outro extremo, a Burberry obteve uma rentabilidade de 92% e a Kering de 149%, reforçando a ideia de que a seletividade continua sendo fundamental.
“Se Miranda tivesse criado uma carteira em 2006, ela não teria buscado novidade nem impulso de curto prazo. Teria priorizado tradição, escassez e poder de marca que não dependem do momento. Esse instinto coincide com o que impulsionou o desempenho superior de longo prazo nas ações do setor de luxo”, comentou Lale Akoner, estrategista global de mercados da eToro.
“As empresas mais sólidas do setor operam mais como companhias de crescimento composto do que como empresas cíclicas. Costumam compartilhar uma série de características muito específicas: preços protegidos, oferta limitada e confiança para não seguir as modas do mercado. A Hermès raramente aplica descontos. A Ralph Lauren passou anos sendo considerada antiquada pela indústria da moda. A L’Oréal continuou vendendo os mesmos produtos em todos os ciclos. Talvez não sejam histórias de investimento empolgantes no curto prazo, mas demonstraram grande resiliência no longo prazo”, explica Lale Akoner.
O cenário de curto prazo é mais incerto, o que evidencia a sensibilidade do setor às condições macroeconômicas. Nos últimos 10 anos, a cesta de ações registrou uma rentabilidade de 194%, frente aos 238% do S&P 500. Em cinco anos, a cesta subiu 33%, enquanto em três anos registrou uma rentabilidade de apenas 11% e, em um ano, de 28%.
Lale Akoner acrescentou: “O luxo costuma ser considerado um setor homogêneo, mas a realidade é muito mais seletiva. A dispersão de desempenho, ou seja, a diferença entre as marcas com melhor e pior resultado, é significativa e reflete diferenças no posicionamento de marca, na execução e na exposição à demanda aspiracional frente à demanda ultra premium. No entanto, no curto prazo, o setor se comporta muito mais como um setor cíclico. A demanda é sensível à liquidez global, à confiança do consumidor e aos fluxos turísticos, especialmente em mercados-chave como Estados Unidos e China. Isso explica a volatilidade recente, apesar da força das marcas subjacentes”.
No longo prazo, as marcas mais tradicionais demonstraram capacidade de proteger preços, preservar a exclusividade e defender margens ao longo dos ciclos econômicos. Para os consumidores, essas marcas estão associadas a bolsas, batons, trench coats e polos. Para os investidores, ofereceram uma rentabilidade composta sustentada, desde que a seleção tenha sido disciplinada. Com o retorno de O Diabo Veste Prada, a lição de investimento é simples: o glamour pode chamar atenção, mas é a durabilidade que gera rentabilidade.