Em meio à expansão dos ETFs no Brasil, a plataforma DEX quer ocupar um espaço que vai além do papel de provedora de índices. A empresa está montando uma estrutura para participar de diferentes pontos dessa cadeia, desde a criação dos índices que servem de referência aos fundos até dados, conteúdo, educação e eventos.
A estratégia é transformar essas frentes em um ecossistema dedicado aos ETFs.
“Nosso objetivo é ser um ecossistema voltado para o universo de ETFs, onde a gente vai conectar gestor, assessor, consultor e investidor final”, afirma Anderson Moreira, head de conteúdo da DEX, em entrevista à Funds Society Brasil.
Fundada no ano passado, a companhia teve seu lançamento oficial neste ano e pretende usar essa combinação de serviços tanto para construir seu próprio negócio quanto para ajudar a ampliar o mercado brasileiro de ETFs.
A tese é que o desenvolvimento da indústria depende não apenas do surgimento de novos produtos, mas também de mais informação, dados e conhecimento sobre como esses veículos podem ser utilizados nas carteiras.
“Com esses quatro vetores que a gente tem, a gente acredita que vai conseguir fazer com que o mercado seja fomentado, seja um mercado que vai crescer”, afirma Moreira. Na visão da DEX, a expansão da indústria tende, por sua vez, a alimentar a demanda pelas próprias frentes de atuação da companhia, como índices e dados.
A estratégia ganha relevância em um mercado que, apesar de já ter mais de duas décadas no Brasil, ainda é pequeno. Segundo os números citados pela DEX na entrevista, a indústria soma aproximadamente R$ 26 bilhões e cerca de 870 mil cotistas. A renda fixa já representa mais da metade do patrimônio dos ETFs brasileiros.
O índice como porta de entrada
Hoje, a frente mais madura — e a principal geradora de receita — é a de índices.
A DEX já possui oito índices que servem de referência para ETFs negociados no Brasil. Entre seus clientes estão gestoras como Galápagos Capital e Buena Vista —um dos sócios da gestora é um investidor minoritário da DEX. A empresa também afirma estar em conversas com outras casas para desenvolver novas estratégias.
Mas a proposta não é simplesmente receber uma estratégia de uma gestora e transformá-la mecanicamente em um índice.
A DEX procura se posicionar como uma espécie de consultora no desenvolvimento do produto, diz Sérgio Machado, head de Sales, recém contratado pela DEX. O ex-corporate sales do BNP Paribas afirma que a proposta é de atuar em todo o processo de elaboração do ETF.
“Quando uma gestora chega com uma ideia, a equipe avalia se ela pode efetivamente ser traduzida em uma metodologia replicável por um ETF. O processo pode envolver definição de premissas, alternativas metodológicas, análise de dados e backtests”, diz.
A intenção é chegar a um índice que seja não apenas tecnicamente viável, mas que dê origem a um ETF capaz de permanecer no mercado no longo prazos.
A aposta no DEX Pro
Outra aposta da DEX para conectar diferentes elos da indústria é o DEX Pro, plataforma de dados que a empresa pretende lançar nas próximas semanas. A ferramenta reunirá, em um mesmo ambiente, informações dos mercados brasileiro e americano de ETFs, permitindo acompanhar performance e fluxos, comparar produtos e analisar diferentes estratégias.
“Você vai conseguir olhar para o mercado brasileiro e o mercado americano numa mesma plataforma. Você vai conseguir, por exemplo, comparar ETFs de uma mesma classe, de classes diferentes e até, de repente, customizar uma carteira com aqueles dados”, afirma Moreira.
A ferramenta foi desenhada para atender diferentes participantes da cadeia. Escritórios de assessoria e consultoria, por exemplo, poderão utilizar o DEX Pro para estudar e analisar portfólios e construir carteiras proprietárias de ETFs.
Para gestores, a aplicação é diferente. Além de acompanhar captações e resgates para entender onde estão entrando ou saindo recursos da indústria, a plataforma poderá ser usada na pesquisa que antecede o desenvolvimento de um novo ETF.
“Ele vai conseguir acessar outras estratégias, entender outros ETFs”, diz.
Os dados de fluxo também podem ter uma aplicação comercial. Ao identificar onde estão ocorrendo captações e resgates, o gestor poderá utilizar essas informações para direcionar seus esforços de distribuição.
Conteúdo para falar com todo o mercado
Outro componente da estratégia é a comunicação.
A DEX mantém um portal dedicado à cobertura da indústria e pretende transformá-lo em uma referência de notícias e educação sobre ETFs — independentemente de determinado fundo utilizar ou não um índice desenvolvido pela própria companhia.
“Queremos fomentar a comunicação e ser um portal de referência para comunicação e educação sobre ETF”, afirma Moreira.
Essa estratégia inclui a cobertura de lançamentos e eventos de diferentes participantes da indústria, inclusive quando os produtos não utilizam índices desenvolvidos pela DEX. A empresa cita, por exemplo, coberturas de lançamentos de ETFs do Nubank, Global X e Itaú.
Certificação a caminho
Como toda empresa que toca em ETFs no Brasil, a DEX também tem um pilar de comunicação, a fim de promover mais informações sobre os ETFs para o público.
Uma das iniciativas que já estão num pipeline da empresa é o de promover certificação em ETFs. “Por enquanto, ainda não temos uma reguladora definida, mas estamos analisando internamente com quem poderíamos fazer essa associação”, diz Moreira. “É um pilar que vai levar um pouco mais de tempo, mas já estamos com o material e revisando tudo”.
“Nosso objetivo é ser um ecossistema voltado para o universo de ETFs, em que vamos conectar gestor, assessor, consultor e investidor final”, afirma.
