A HMC Capital e a Arch Capital concluíram o first close do programa de investimentos da 247 Data Centers, plataforma brasileira dedicada ao desenvolvimento, construção e operação de data centers voltados a grandes provedores globais de computação em nuvem.
A rodada contou com aportes da Just Climate, da Kinea Investimentos e um seleto grupo de multi e single-family offices brasileiros, como G5 Partners, Ekho Family Office e One, por meio de veículo estruturado especificamente para a operação. por meio de um FIP estruturado pela Arch.
“Essa captação mostra uma mudança estrutural relevante no olhar dos investidores globais e locais. Infraestrutura digital em geral e data centers, em particular, deixaram de ser mais uma classe de ativos alternativos para se tornarem infraestrutura crítica, no mesmo patamar de energia, saneamento e telecomunicações. Essa captação reflete isso. A combinação de investidores institucionais internacionais com alguns dos mais importantes wealth managers brasileiros converge para uma classe de ativos que sustenta a economia digital e deveria ser tratada com essa prioridade estratégica”, explica Roberto Miranda de Lima, CEO da Arch Capital, em comunicado enviado pela empresa a Funds Society.
Segundo Guilherme Souza, sócio-executivo da HMC Capital, contratada como capital advisor e responsável por conectar a Arch Capital a uma base qualificada de investidores, a tese nasceu de um trabalho iniciado pela Arch Capital há cerca de cinco anos para identificar lacunas de infraestrutura no mercado brasileiro de data centers.
“O Brasil, basicamente, tem três players mais organizados, institucionais, de data center para hyperscalers. Já existia uma demanda por processamento de dados que não era atendida 100% no Brasil. A Arch enxergou esse gap, montou uma tese e fundou a 247 Data Centers”, afirma, em entrevista ao portal. A plataforma foi estruturada para atender empresas como Google, Amazon e outras grandes companhias de tecnologia.
De acordo com Souza, a companhia reuniu uma equipe especializada no desenvolvimento de data centers na América Latina e iniciou a captação de recursos para executar um plano estimado em US$ 650 milhões em capital próprio.
No first close, além dos investidores âncora Just Climate e Kinea, o FIP reuniu um grupo de family offices brasileiros. Segundo o executivo, a primeira etapa da captação já permite que a companhia avance na implementação do projeto.
“A companhia já assegurou terrenos em áreas estratégicas para os hyperscalers e energia para esses terrenos. Com esse primeiro closing, ela fica capitalizada, com terrenos e energia, e muito próxima de ter os primeiros contratos de longo prazo com os hyperscalers”, disse.
A escolha da Just Climate como investidor estratégico também está relacionada ao perfil energético da operação. Conforme Souza, a matriz elétrica brasileira representa um diferencial competitivo para a instalação de data centers. “A tese da Twenty Four Seven é climática porque o Brasil tem uma matriz de energia limpa. A alternativa seria construir um data center nos Estados Unidos, que possui uma matriz muito mais intensiva em carbono”, afirmou.
Segundo a companhia, a Twenty Four Seven já possui terrenos localizados em áreas prioritárias para os hyperscalers e acesso assegurado a mais de 150 MW de capacidade energética, fatores considerados essenciais para atender à demanda por infraestrutura digital no país.
Captação deve continuar pelos próximos 12 meses
A HMC Capital estima que o processo de captação será concluído ao longo dos próximos 12 meses, com novas rodadas de investimento.
“O plano comercial deve levar mais um ano. O primeiro closing sempre dá mais trabalho porque é o primeiro capital que entra. À medida que a companhia executa o seu plano, o nível de risco vai reduzindo”, afirma Souza. Nesta primeira fase, o foco esteve em investidores brasileiros, especialmente family offices. Segundo o executivo, investidores internacionais também deverão participar das próximas rodadas.
“Para os closings subsequentes, nos próximos 12 meses, deve incluir investidores de fora do Brasil também”, diz.
Questionado sobre a participação de fundos de pensão, Souza afirmou que o perfil do investimento acabou limitando o interesse desse segmento. “Você está falando de uma tese monoativo. É uma companhia que vai ter múltiplos sites de data center, mas continua sendo uma companhia. Para muitos fundos de pensão isso acabou sendo uma barreira”, explica.
Demanda por infraestrutura sustenta a tese
Na avaliação da HMC Capital, a combinação entre a oferta restrita de operadores independentes e o crescimento da demanda por infraestrutura para inteligência artificial e serviços em nuvem sustenta o potencial do projeto.
“A Twenty Four Seven surgiu como o quarto player a firmar os Master Supply Agreements com os hyperscalers e é o único player independente. A gente acha que é um ativo que vai ter um valor de escassez grande”, afirmou Souza. Segundo ele, o processo de diligência realizado pelos investidores foi um dos principais desafios da operação, uma vez que o segmento de data centers ainda é relativamente recente para muitos investidores institucionais brasileiros.
“Foi uma tese que exigiu muito estudo, muito dever de casa e um tempo de maturação. Conseguimos reunir um grupo muito sofisticado de family offices, que fez uma diligência profunda tanto da Arch quanto da tese”, disse.
Souza acrescentou que a companhia já superou parte dos principais desafios operacionais da fase inicial. “Feito o first close, companhia capitalizada, com terrenos e energia assegurados, esses eram os obstáculos mais difíceis. Agora segue o trabalho de trazer o capital remanescente necessário para a execução do plano”, afirmou.



