Em meio ao crescimento do mercado de FIDCs (Fundos de Investimento em Direito Creditório) no Brasil, gestoras se beneficiam de uma alta demanda por crédito corporativo em meio a um cenário de juros altos.
Um dos players que cresceram nesse cenário é a Brave Asset. A gestora, fundada em 2019, conta com atualmente R$ 5,3 bilhão sob gestão e tem registrado crescimento médio de 40% ao ano. O foco é em baixa volatilidade, disciplina na alocação e crescimento consistente, segundo o sócio e diretor de Relações Institucionais, Luiz Bastos.
Ao mesmo tempo, a casa começa a intensificar sua atuação comercial — ainda que mantendo um perfil discreto — ampliando o contato com escritórios de agentes autônomos e consultorias financeiras.
“No começo era cold call o dia inteiro. Hoje, eles começam a nos procurar: ‘vi vocês na plataforma, podemos marcar uma reunião?”, afirma Luiz. Ele diz que um dos desafios é introduzir os produtos aos assessores.
“No FIDC, o trabalho é muito mais explicar o produto do que a tese. Muitos assessores nunca tiveram contato com esse tipo de fundo”, afirma.
Mas o esforço tem trazido resultado. Hoje são mais de 10 mil cotistas nos fundos da gestora, com centenas de escritórios parceiros e presença em várias plataformas. O pilar de education tem refletido, também, na captação.
‘Às vezes tem mais dinheiro que ativo’
Segundo a Brave, houve momentos recentes em que a captação chegou a R$ 10 milhões por dia. Ainda assim, a gestora por fechar fundos para novas aplicações em determinadas janelas.
“Nosso problema, hoje, é bom: às vezes tem mais dinheiro do que ativo. E aí a gente prefere fechar e esperar”, diz Luiz, colocando que vê como ponto importante limitar a captação quando não encontra ativos suficientes com qualidade.
“Se eu deixo captar demais, o fundo rende menos e ainda gera pressão para alocar. Isso pode contaminar a gestão”, explica o sócio e gestor de fundos de crédito estruturado, Lucas Moraes.
Segundo ele, a estratégia reflete o posicionamento central da casa: preservar o retorno ajustado ao risco no longo prazo, mesmo que isso signifique crescer menos no curto prazo.
Baixa volatilidade como prioridade
Segundo os sócios, a filosofia da Brave se diferencia de parte do mercado ao priorizar estabilidade em vez de retorno máximo. “Nosso objetivo não é ter a maior rentabilidade, é ter a menor volatilidade possível”, afirma Lucas, sócio e gestor de fundos de crédito estruturados da gestora.
A preocupação está diretamente ligada à natureza do crédito estruturado. Segundo ele, um único mês negativo pode comprometer anos de histórico. “A gente pode fazer seis anos perfeitos. Um mês com mais volatilidade pode colocar tudo a perder”, diz Luiz.
Esse posicionamento explica a decisão de crescer de forma gradual e manter uma carteira altamente pulverizada, com prazos mais curtos e controle rigoroso de risco.
Expansão cautelosa e novos produtos
No último ano, a Brave também avançou em novas frentes, sem abrir mão do DNA conservador que marca sua atuação.
Entre os principais movimentos estão o lançamento de um fundo de previdência e a ampliação da presença em estratégias de renda fixa.
Segundo os diretores, a iniciativa não representa uma mudança de direção, mas uma extensão da expertise construída em FIDCs para outros veículos.
No caso da previdência, o impulso veio diretamente da demanda de distribuidores e family offices, que passaram a buscar produtos com o perfil da gestora dentro de estruturas mais adequadas ao investidor de longo prazo.
“Veio muito da provocação do nosso passivo. Muitos queriam um fundo de previdência com o nosso perfil”, afirma Luiz.
Já na renda fixa, a gestora também passou a estruturar produtos que combinam crédito privado tradicional com uma parcela de alocação em FIDCs, dentro dos limites regulatórios, buscando manter o perfil de risco e retorno característico da casa.
“A gente usa esse percentual para alocar em FIDCs nossos, que é onde a gente entende que ganha o jogo”, diz.
