Fundada em março de 2020, em meio ao início da pandemia, a Menegon Capital transformou um cenário adverso em parte de sua estratégia de crescimento. Sem depender de uma grande estrutura física, a consultoria de investimentos alcançou R$ 430 milhões sob consultoria (AUC) atendendo cerca de 110 clientes com uma equipe de apenas cinco pessoas, apoiada em um modelo predominantemente digital.
“Mais de 90% dos nossos atendimentos são feitos por videoconferência. Os nossos clientes estão muito dispersos pelo Brasil e pelo mundo também“, afirma o fundador e economista-chefe da casa, com apenas 31 anos, Pedro Menegon, em entrevista ao Funds Society Brasil durante a XP Expert.
Segundo ele, a empresa chegou a manter um escritório de cerca de 80 metros quadrados na Faria Lima, mas decidiu abandonar o espaço por um menor após perceber que a estrutura não fazia mais sentido diante do comportamento dos clientes.
“Durante um ano inteiro tivemos menos de dez visitas de clientes. Era o escritório dos sonhos, mas não fazia o menor sentido continuar gastando dinheiro com isso. Os clientes estão literalmente espalhados pelo mundo inteiro“, diz.
Hoje, a operação atende investidores no Brasil e também em países como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda e outras localidades da América Latina e Ásia.
Conteúdo como principal ferramenta de crescimento
A digitalização da consultoria foi impulsionada principalmente pela necessidade de conquistar credibilidade durante o isolamento social.
“Imagina você falar de um trabalho fiduciário e conquistar a confiança de uma pessoa sem vê-la pessoalmente, sem tomar um café. As redes sociais foram nossa principal ferramenta de aproximação“, afirma.
Embora utilize ferramentas de marketing digital, Menegon diz que o principal investimento sempre esteve na produção de conteúdo.
“Eu não sou um cara muito analítico para dados de tráfego. Essa parte eu terceirizo. Meu foco sempre foi a produção de conteúdo“, explica.
Segundo ele, esse modelo continua sendo o principal canal de aquisição de clientes.
“Nossa estratégia motriz continua sendo o digital. Produzimos conteúdo para que o orgânico traga essas pessoas. É muito mais farming do que hunting“, afirma.
Além da presença nas redes sociais, o economista participa regularmente de programas especializados sobre investimentos e utiliza esses espaços para fortalecer a marca da consultoria.
Boutique com R$ 430 milhões
Apesar da estrutura enxuta, a Menegon Capital atende atualmente aproximadamente 110 famílias, com patrimônio médio entre R$ 4 milhões e R$ 4,5 milhões.
“Estamos com aproximadamente R$ 430 milhões sob consultoria“, diz.
Questionado sobre o tamanho da equipe, Menegon respondeu de forma direta.
“Somos cinco pessoas. É uma boutique“, afirma.
A equipe é dividida entre relacionamento comercial e operação. Como a consultoria atua de forma totalmente independente, sem vínculo com plataformas de distribuição, boa parte do trabalho envolve consolidar manualmente as posições dos clientes enviadas por bancos e assessores.
“Nós não somos plugados em nenhuma casa. Não consigo entrar na plataforma XP ou Itaú do cliente. Precisamos solicitar periodicamente todas essas informações e consolidar os dados internamente.“
Segundo ele, essa independência permite defender exclusivamente os interesses do investidor.
“Eu brinco que acabo sendo um advogado do cliente perante o banker dele. Se oferecem um produto que não faz sentido para aquele investidor, a gente intervém“, afirmou.
Fee based desde a origem
Ao fundar a Menegon Capital, Menegon optou por um modelo exclusivamente baseado em honorários, sem remuneração por distribuição de produtos.
“Eu nunca acreditei no modelo commission based. Acho que ele cria uma névoa sobre quem realmente está remunerando o profissional“, afirmou.
Segundo ele, a empresa já utilizava contratos anuais de honorários antes mesmo da popularização do termo fee based no mercado brasileiro.
“Meu único incentivo é que o cliente goste muito da qualidade do trabalho. Senão, quando chegar a renovação do contrato, ele simplesmente não renova“, disse.
Nova frente aposta em ETFs
A consultoria também anunciou oficialmente o lançamento da Menegon First, divisão voltada a investidores com patrimônio de até R$ 300 mil.
A principal diferença está na utilização de ETFs como base da alocação.
“Em vez de montar uma carteira com dez ações, fundos imobiliários e renda fixa, o cliente terá uma carteira composta por aproximadamente cinco ETFs, mas sempre com curadoria humana“, explicou.
Segundo Menegon, cada consultor ficará responsável por aproximadamente 50 clientes nessa nova divisão.
A opção pelos ETFs busca tornar mais eficiente a construção patrimonial para investidores iniciantes.
“Para pequenas carteiras, o ETF realmente acelera o crescimento. Ele entrega diversificação com baixo custo e evita que o patrimônio fique excessivamente pulverizado em posições muito pequenas“, afirmou.
Já para clientes da divisão Together — principal serviço da consultoria — o trabalho continua sendo altamente personalizado.
“Faço uma curadoria até a última linha da carteira. Ações, fundos imobiliários, renda fixa e, eventualmente, ETFs. Não existe carteira padronizada“, disse.
Brasil segue como principal tese
Apesar da expansão do mercado internacional entre investidores brasileiros, Menegon afirma que a casa continua concentrando suas recomendações principalmente no mercado doméstico.
“A gente acredita muito no Brasil. Ainda existe muito espaço para crescimento em infraestrutura e em diversos setores da economia. Tem muito mato para capinar“, afirmou.
Segundo ele, ativos internacionais aparecem apenas em situações específicas, como clientes que precisam manter patrimônio no exterior ou possuem despesas recorrentes fora do país.
“Nossa tese principal continua sendo Brasil“, concluiu.
