Singapura mantém, pelo quarto ano consecutivo, a liderança como a cidade mais cara do mundo para sustentar um estilo de vida premium, seguida por Zurique e Mônaco, segundo o Global Wealth and Lifestyle Report 2026, do Julius Baer.
A ascensão de Zurique, que avançou três posições no ranking, deveu-se ao fortalecimento do franco suíço, sustentado pela reputação de estabilidade do país e pelo papel da moeda como “reserva de valor” em períodos de incerteza, segundo a gestora de patrimônio. Já a liderança mantida por Singapura há vários anos decorre dos elevados preços dos imóveis e dos automóveis — as duas categorias com maior peso no índice —, além da valorização do dólar singapurense, acrescentou o relatório. O índice compara os preços em dólares norte-americanos.
Como resume Christian Gattiker, chefe de Research do Julius Baer: “As moedas voltam a assumir o protagonismo, mas a verdadeira chave está na forma como elas interagem com os ativos e as decisões dos investidores”. Em sua avaliação, “o que fica claro em 2026 é que o mundo continua sendo um lugar complexo e a incerteza permanece em um nível muito elevado”. Nesse contexto, “as cidades e os países estáveis tornam-se ainda mais atraentes”, destaca o chefe de Research do Julius Baer.
O Índice de Estilo de Vida do banco classifica 25 cidades com base na análise da inflação dos preços de 20 produtos e serviços de luxo, como imóveis, automóveis, voos em classe executiva, mensalidades escolares e menus de degustação. A pesquisa entrevistou 360 pessoas de alto patrimônio, com ativos financeiros familiares de US$ 1 milhão ou mais, entre fevereiro e março de 2026.

Para as pessoas de alto patrimônio, o custo de manter um padrão de vida elevado aumentou “significativamente” nos últimos 12 meses, com alta média de 10,2% no índice deste ano, calculado em dólares norte-americanos, segundo o relatório. A valorização do ouro também se refletiu no levantamento, com aumentos de 16,4% nos preços das joias e de 15,5% nos relógios.
Barcelona consolida sua estabilidade no mercado internacional de luxo
A capital catalã, única cidade espanhola presente no ranking, manteve a 15ª posição mundial, a mesma ocupada na edição de 2025. Longe de representar falta de dinamismo, essa estabilidade reflete a capacidade da cidade de preservar uma posição competitiva em um ano marcado pela volatilidade nas principais economias.
O levantamento elaborado pelo Julius Baer apresenta uma cidade com perfil equilibrado. Barcelona se destaca em categorias relacionadas ao consumo premium, como relógios, joias e saúde privada, enquanto mantém custos relativamente mais moderados em imóveis, automóveis e transporte aéreo, o que ajuda a conter o custo total do estilo de vida de alto patrimônio.

O relatório conclui que o conceito de riqueza está evoluindo para uma visão mais ampla e estratégica. A capacidade de preservar o poder de compra, acessar diferentes jurisdições, manter uma elevada qualidade de vida e diversificar riscos consolida-se como um dos principais ativos das grandes fortunas internacionais.
Outras posições relevantes do estudo
Dubai caiu para a 14ª posição no ranking, embora o Julius Baer tenha indicado que esse recuo reflete o aumento dos custos em outras cidades, e não uma maior acessibilidade do centro financeiro. O banco suíço também afirmou que “muita coisa mudou” no Oriente Médio nos meses transcorridos desde a coleta dos dados do índice, realizada antes do conflito com o Irã. Como resultado, as perspectivas para os residentes, indivíduos e famílias com mobilidade internacional “estão agora menos claras”, afirmou.
Sydney registrou o maior avanço no ranking deste ano, subindo seis posições, para o oitavo lugar. O Julius Baer atribuiu esse movimento, em parte, à valorização do dólar australiano e ao “isolamento geográfico” do país. Segundo o banco, o custo de importar produtos de alto padrão impulsionou significativamente a posição de Sydney na lista.
Pela primeira vez em três anos, nenhuma cidade das Américas apareceu entre as dez primeiras posições. Isso se deve principalmente à desvalorização do dólar norte-americano em relação a outras moedas importantes, apesar da forte alta dos preços locais. Ainda assim, a América do Norte registrou um acúmulo expressivo de riqueza no último ano, com 47% das pessoas de alto patrimônio relatando um aumento significativo no valor de seus ativos.
O relatório conclui que a riqueza já não pode ser medida apenas em termos financeiros: atualmente, também engloba mobilidade, segurança, saúde, resiliência e capacidade de adaptação, elementos que definirão o patrimônio do futuro.



