A internacionalização das carteiras dos investidores brasileiros ganha um novo aliado. Itaú Asset Management e Vanguard anunciaram uma aliança estratégica que busca ampliar a oferta de produtos vinculados aos mercados internacionais e, ao mesmo tempo, impulsionar o desenvolvimento do mercado brasileiro de ETFs.
O primeiro resultado concreto do acordo será a modificação do SPXI11, ETF da Itaú Asset que acompanha o S&P 500 e que foi lançado em 2015. O fundo passará a utilizar como ativo subjacente o Vanguard S&P 500 UCITS ETF, veículo domiciliado sob o regime UCITS e desenvolvido para replicar o desempenho do principal índice acionário dos Estados Unidos.
A mudança tem uma leitura que vai além da substituição de um ativo por outro: coloca duas grandes plataformas de gestão de ativos — uma com forte presença no Brasil e outra com alcance global — dentro de uma mesma estrutura de investimento voltada para o mercado brasileiro.
A nova estrutura também permitirá o reinvestimento automático dos dividendos, uma característica que pode favorecer a capitalização dos rendimentos no longo prazo ao evitar que os dividendos recebidos fiquem fora do investimento.
Um mercado que busca ir além das fronteiras brasileiras
A aliança chega em um momento em que a diversificação internacional ganha maior relevância para os investidores locais. A Itaú Asset já conta com uma plataforma de escala considerável: no fechamento de maio, tinha mais de R$ 1,2 trilhão sob gestão (cerca de US$ 231,102 bilhões), 2,6 milhões de clientes e mais de 380 profissionais em sua equipe.
O banco também informa que seus clientes mantêm mais de R$ 250 bilhões (US$ 48,142 bilhões) investidos no exterior, um número que mostra a dimensão que a demanda por ativos internacionais adquiriu entre os investidores vinculados à instituição.
Nesse contexto, os ETFs oferecem uma via relativamente simples para acessar mercados estrangeiros. O SPXI11, por exemplo, proporciona exposição ao S&P 500 a partir da infraestrutura do mercado brasileiro. Em 18 de agosto, o ETF registrava ativos líquidos de aproximadamente US$ 67,8 milhões, segundo dados da CFRA Research.
A parceria com a Vanguard pode permitir à Itaú aprofundar essa oferta utilizando um dos veículos indexados mais reconhecidos da indústria global.
A escala da Vanguard
A contraparte da Itaú traz uma dimensão internacional muito diferente. A Vanguard administra aproximadamente US$ 12 trilhões em ativos e atende dezenas de milhões de investidores em escala global.
A empresa, fundada em 1975, é particularmente reconhecida por sua especialização em estratégias indexadas e por seu modelo de investimento de baixo custo. Sua participação no Brasil representa, portanto, mais do que uma operação pontual em torno de um ETF: representa uma maior presença da empresa em um dos maiores mercados de investimentos da América Latina.
Para a Vanguard, o Brasil também oferece um mercado no qual os produtos negociados em bolsa ganharam espaço como instrumentos para acessar ações, renda fixa e ativos internacionais.
Tanto a Itaú Asset quanto a Vanguard afirmaram que o acordo contempla outros âmbitos de colaboração, entre eles educação financeira, intercâmbio de melhores práticas e desenvolvimento de novos produtos.
Esse último ponto pode ser particularmente relevante. A Itaú Asset conta com uma plataforma que combina fundos tradicionais, ETFs, renda fixa, crédito privado e estratégias administradas por diferentes equipes de investimento. Seu modelo Multi-desk, por exemplo, já concentra R$ 165 bilhões (US$ 31,767 bilhões), distribuídos entre 23 mesas de investimento, com mais de 130 profissionais.
A colaboração com a Vanguard abre a possibilidade de que essa infraestrutura local seja combinada com estratégias internacionais de uma gestora que administra cerca de US$ 12 trilhões, como mencionamos anteriormente.
Por enquanto, o primeiro passo está concentrado no S&P 500, um dos índices mais utilizados pelos investidores para obter exposição às grandes empresas dos Estados Unidos. Mas o alcance anunciado por ambas as instituições aponta para uma colaboração de maior duração.
Para a Itaú Asset, o acordo se encaixa em uma estratégia de internacionalização que busca oferecer aos investidores brasileiros mais ferramentas para construir portfólios diversificados. Para a Vanguard, representa um aprofundamento de sua relação com um mercado no qual a demanda por investimentos internacionais continua crescendo.
A aliança, em última instância, reflete uma tendência mais ampla da indústria latino-americana: os grandes gestores locais estão buscando se associar a plataformas globais para ampliar a oferta internacional sem que os investidores necessariamente tenham que abandonar a infraestrutura de seus mercados domésticos.
