O investimento varejista em ETFs está aumentando em todas as regiões e prevê-se que continue crescendo. Assim demonstra o estudo “ETFs 2030 Capitalising on disruptive innovation” elaborado pela PwC. O relatório aponta que mais de 90% dos entrevistados prevê uma demanda significativa por esse tipo de produto por parte dos investidores varejistas nos próximos dois ou três anos. A demanda prevista é maior nos Estados Unidos, em consonância com a maturidade do mercado nesse país. No entanto, também vive um auge em outras regiões, como a Europa.
Os participantes da pesquisa consideram que o acesso às plataformas dos broker dealers é um dos fatores mais importantes para atrair o investimento varejista. “Conscientizar os investidores sobre o que os ETFs podem oferecer poderia incentivar os clientes a buscá-los nas plataformas digitais ou a mencionar essa opção em suas conversas com os assessores”, apontam no relatório. Além disso, quase 80% dos entrevistados classifica a educação dos investidores como «muito importante» para atrair o investimento varejista.
O crescimento do investimento varejista poderia ser impulsionado por incentivos que incentivem os poupadores a transferir suas economias de depósitos de baixa rentabilidade para produtos inseridos nos mercados de capitais, como os fundos cotados. “O apoio da União de Poupança e Investimento da Comissão Europeia às contas de poupança e investimento constitui um passo importante nessa direção”, aponta o estudo. Quase metade dos entrevistados prevê uma demanda significativa por ETFs por meio de planos de poupança, e os resultados são notavelmente mais sólidos na Europa (79%) do que nas demais grandes regiões geográficas no que diz respeito aos ETFs.
Os gestores de ETFs podem contribuir para isso abrindo canais de distribuição acessíveis e ampliando a gama de produtos acessíveis e compreensíveis disponíveis para os clientes varejistas.
“As plataformas de distribuição digital têm um papel importante a desempenhar nesse sentido, ao oferecer um canal de acesso fácil, bem como uma oportunidade para reforçar o engajamento e o conhecimento dos investidores”, aponta o estudo.
Entre os principais objetivos estão as gerações de investidores que dão prioridade à tecnologia e que estão entrando no mercado: mais de três quartos dos entrevistados pela PwC esperam que a grande transferência de riqueza aumente a preferência dos investidores por plataformas digitais.
Outras oportunidades de acesso ao mercado incluem o crescente número de gestores que utilizam provedores de marca branca para lançar ETFs.
Sinergias na abertura de mercado
A combinação da personalização baseada na inteligência artificial com a acessibilidade dos canais digitais e a acessibilidade dos ETFs permite aos gestores de fundos cotados oferecer soluções sob medida em grande escala.
Para os clientes varejistas, as sinergias entre a inteligência artificial, os ETFs e as plataformas digitais poderiam oferecer o tipo de assessoria e soluções financeiras personalizadas que antes estavam disponíveis apenas para investidores com elevado patrimônio líquido (HNW). Por sua vez, inovações como dashboards gamificados permitiriam aos clientes avaliar o progresso em direção a objetivos financeiros específicos, além de fornecer ferramentas interativas para explorar diferentes opções em simulações de carteiras.
A tokenização como novo e inovador canal de distribuição
A PwC prevê que o valor dos ativos sob gestão tokenizados alcance 715.000 milhões de dólares americanos em 2030. “A tokenização tem o potencial de tornar os fundos cotados mais eficientes e acessíveis, além de oferecer mais oportunidades para a inovação de produtos”, destacam.
Essa tendência avança passo a passo. Por exemplo, em janeiro passado, a New York Stock Exchange anunciou uma plataforma para negociação e liquidação on-chain de valores tokenizados com o objetivo de permitir operações 24 horas por dia, 7 dias por semana, bem como liquidação instantânea, entre outras funcionalidades.
Uma das principais vantagens da tecnologia blockchain e dos contratos inteligentes é a redução dos custos de distribuição: os ETFs tokenizados podem ser negociados diretamente por meio da gestora de ativos ou por meio de um contrato inteligente, sem necessidade de um intermediário nem de um depositário.
Outras vantagens incluem a possibilidade de negociar fundos cotados ao longo de todo o dia, bem como globalmente, desde que sejam respeitadas as normas e regulações locais de cada país. “Isso reduziria significativamente os atrasos na liquidação, liberando capital para os investidores e os participantes autorizados, e melhorando a eficiência geral do mercado”, esclarecem na PwC.
O maior obstáculo para a tokenização é a incerteza regulatória. Para mitigar esse cenário, os participantes do mercado estão colaborando ativamente com os reguladores em todo o mundo, além de realizar testes nas regiões onde a tokenização já é permitida atualmente.
Classes de ações de ETFs
A inclusão de classes de ações, tanto de fundos de investimento quanto de ETFs dentro do mesmo fundo, oferece aos gestores a oportunidade de entrar na indústria de ETFs em grande escala, ao mesmo tempo em que aproveitam sua trajetória e experiência na gestão ativa. 36% dos entrevistados esperam que as classes de ações de ETFs tenham um impacto significativo em suas estratégias de distribuição durante os próximos dois ou três anos.
As classes de ações de ETFs, como lembra a firma, já são comuns na Europa e constituem uma tendência de alta no Canadá e na Austrália. A aprovação pela SEC dos pedidos de isenção para classes de ações de ETFs no final de 2025 “tem o potencial de impulsionar um maior crescimento dos fundos cotados nos Estados Unidos”. Dessa forma, “os gestores deverão abordar diversas considerações empresariais, de governança e operacionais para aproveitar o potencial das classes de ações de ETFs”, destacam na firma.
Expansão para novas regiões
Embora a expansão global continue sendo uma prioridade, os marcos regulatórios regionais e as preferências dos investidores continuam determinando as estratégias de entrada. Ao considerar a expansão dos fundos cotados para novas regiões, os entrevistados europeus preferem o «passaporte» dos ETFs UCITS.
Os ETFs UCITS são distribuídos em mais de 90 países em todo o mundo. Os entrevistados norte-americanos tendem a preferir o crescimento orgânico por meio do lançamento de ETFs locais, mas, entre os entrevistados europeus que buscam novas regiões, a Ásia-Pacífico é o principal mercado em que se concentram, já que mais de 60% atualmente distribui nessa região ou está considerando fazê-lo.
Integração dos mercados financeiros da UE
Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia propôs um pacote de medidas de integração dos mercados, projetado para criar um mercado único da UE para serviços financeiros. Esse pacote aborda as barreiras à atividade transfronteiriça e transfere determinadas responsabilidades de supervisão das autoridades nacionais para a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados (AEVM). Os ETFs se beneficiarão dessas medidas, segundo o estudo da PwC.
O outro grande avanço é a criação de um passaporte de depositário em escala da UE, que poderia reforçar a flexibilidade operacional dos gestores de ETF.
“Em conjunto, os resultados poderiam facilitar a captação de recursos em nível transfronteiriço, melhorar a liquidez, reduzir as cargas administrativas e reforçar a proteção dos investidores, ao mesmo tempo em que proporcionam segurança jurídica à tecnologia de registro distribuído”.



