A Global X dobrou os ativos sob gestão (AUM) no Brasil nos primeiros cinco meses de 2026 após reforçar sua estratégia B2B voltada a assessores, consultores e family offices.
Segundo a gestora, que é controlada pela sul-coreana Mirae Asset, a operação encerrou 2025 com cerca de US$ 29 milhões e atualmente administra aproximadamente US$ 63 milhões no mercado brasileiro, entre 35 BDRs de ETFs.
“Desde outubro, novembro do ano passado, commodities como prata e cobre subiram bastante. Então a gente pegou bastante desse fluxo”, afirmou o especialista de produtos da gestora, Flávio Vegas, em entrevista a Funds Society. Segundo ele, mesmo com o cenário recente de volatilidade global, “conseguimos manter esse fluxo, mesmo nesse período agora de guerra”.
A mudança de estratégia ocorreu após alterações na estrutura da companhia no Brasil. Segundo o executivo, a operação deixou de priorizar investidores institucionais e passou a concentrar esforços em canais de distribuição ligados ao wealth management.
“A estratégia mesmo é a gente atacar o varejo. Então é assessor, consultor. Mas são escritórios que já conhecem, já utilizam ETF”, diz. “A mente do assessor está mudando, então nós estamos começando a entender as vantagens de investir nesse ativo”.
A gestora atua principalmente com ETFs temáticos, como IA, robótica, cibersegurança e urânio—um dos principais ativos da casa no Brasil, que tem puxado a maior parte do patrimônio sob gestão.
ETFs resolvem várias dores dos assessores
Na avaliação de Vegas, a popularização dos ETFs acompanha uma transformação mais ampla no modelo de atuação dos assessores. Se antes o foco estava muito concentrado em recomendações pontuais e no stock picking, hoje cresce a preocupação com a construção de portfólios mais robustos e escaláveis. “Os ETFs ajudam a reduzir custos, simplificar a gestão e ampliar a diversificação dos clientes”, diz.
Segundo ele, o produto permite que o profissional deixe de gastar energia acompanhando eventos específicos de cada empresa e passe a ter uma visão mais estratégica da carteira. “Você faz a alocação, define a estratégia e consegue ter outras conversas com o cliente”, afirma. Para Vegas, essa mudança faz com que o assessor dedique mais tempo ao relacionamento e ao planejamento patrimonial, enquanto o ETF se consolida como uma ferramenta eficiente para escalar o atendimento sem abrir mão da qualidade da recomendação.
A nova abordagem incluiu também reforço na presença digital, participação em eventos do setor e aproximação física com escritórios de assessoria. “Começamos a reaviver nosso LinkedIn, que até então a gente não era tão atuante. A gente praticamente criou o Instagram do zero”, afirma. Segundo ele, a gestora também contratou uma agência de marketing para atuar nas redes sociais.
Além dos eventos proprietários, a estratégia inclui parcerias com plataformas e casas de investimento. Segundo o executivo, a gestora passou a entrar em carteiras recomendadas e produtos automatizados de plataformas de distribuição. “A gente começou a entrar em carteira recomendada”, disse.
