A Galapagos Capital, companhia global de investimentos, vai lançar quatro ETFs que reúnem, em uma única cota, uma posição majoritária em renda fixa e uma parcela de exposição à Bolsa brasileira ou a ações internacionais. Batizada de “Família Fácil”, a linha começa a ser negociada na B3 nesta quinta-feira, 29 de outubro, com foco em investidores que desejam diversificar carteiras concentradas em renda fixa.
A composição de referência dos produtos será de 80% no POSB11, ETF da gestora da Galapagos Capital que investe em títulos públicos brasileiros, e 20% em uma estratégia específica. As alternativas incluem Ibovespa, ações de empresas pagadoras de dividendos, S&P 500 e um índice amplo de ações globais.
O lançamento procura reunir duas decisões que investidores e assessores costumam executar separadamente: a escolha do mercado ao qual desejam ganhar exposição e a definição de uma parcela da carteira para essa aplicação. Nos novos fundos, a proporção já vem estabelecida, e os ajustes seguem as regras dos respectivos índices.
“Queremos facilitar o primeiro passo de quem deseja diversificar, mas encontra dificuldades na montagem da carteira e na apuração do imposto”, afirma Bruno Stein, sócio e responsável pela área de ETFs da Galapagos Capital.
O FBOV11 terá exposição ao Ibovespa, enquanto o FDIV11 acompanhará o Idiv, índice que reúne empresas com histórico de pagamento de dividendos. Para os mercados internacionais, o FSPY11 utilizará ETFs UCITS ligados ao S&P 500, e o FMUN11 terá exposição ao FTSE Global Equity All Cap por meio de ETFs UCITS de ações globais.
A parcela de renda fixa busca reduzir as oscilações em comparação com uma aplicação integral nos respectivos mercados acionários. A estrutura, porém, mantém exposição aos riscos dos ativos que compõem cada estratégia.
Tributação e custos
Segundo a Galapagos, a composição permite enquadrar os quatro produtos como ETFs de renda fixa para fins tributários, com retenção de 15% de Imposto de Renda sobre o ganho na venda das cotas. Dessa forma, o investidor não precisa calcular e recolher o imposto por DARF nessa operação, embora continue responsável por informar o investimento na declaração anual, quando aplicável.
A companhia informa que o custo total, somando a taxa global e as taxas dos ETFs investidos, será de 0,19% para FBOV11, FSPY11 e FMUN11, e de 0,32% para FDIV11. Até dezembro, a isenção temporária da taxa do POSB11 reduzirá esses custos para 0,07% nos três primeiros e 0,20% no fundo ligado a dividendos.
Para assessores e alocadores, a proposta é simplificar a implementação de posições em diferentes mercados. A escolha envolve avaliar tanto a exposição oferecida quanto a adequação da proporção de 80% em renda fixa e 20% na estratégia complementar aos objetivos e à carteira de cada cliente.
“Um dos maiores obstáculos à diversificação não é a falta de interesse. É a distância entre dizer que quer investir na Bolsa brasileira, por exemplo, e saber exatamente como começar”, diz Stein.
Expansão da plataforma
A nova família amplia uma plataforma que, segundo a companhia, reúne cerca de R$ 1 bilhão em ETFs, de um total superior a R$ 45 bilhões sob gestão.
A Galapagos já oferece produtos ligados a metais físicos, bitcoin, ações internacionais e títulos públicos. Entre os lançamentos deste ano estão os ETFs OROF11 e PRAF11, voltados a metais, e o GLMP11, dedicado a ações brasileiras relacionadas à energia limpa, desenvolvido em parceria com o BNDES.
A companhia prevê novos produtos da Família Fácil ainda em 2026, conforme as demandas identificadas entre investidores e profissionais de alocação.
