Equiparar os padrões de custódia e segurança aos das instituições financeiras tradicionais traria benefícios substanciais ao setor de ativos digitais, segundo o mais recente estudo global da Nickel Digital Asset Management (Nickel). De acordo com suas conclusões, 92% dos investidores institucionais e gestores de patrimônio afirmam que provavelmente aumentariam suas alocações em ativos digitais diante de melhorias nos padrões de segurança e custódia. Desse total, 32% dizem que seria muito provável ampliar as posições.
O estudo, realizado com mais de 200 investidores institucionais e gestores de patrimônio, revela que ciberataques de grande repercussão, falências de plataformas de negociação e ataques às finanças descentralizadas (DeFi) têm grande impacto sobre a disposição das instituições de investir no setor. Entre os entrevistados nos Estados Unidos, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Alemanha, Suíça, França, Itália, Países Baixos, Singapura, Brasil e países nórdicos, 87% afirmam que esses episódios têm impacto muito significativo ou bastante significativo sobre sua disposição de investir. Apenas 1% diz que não há impacto, e cerca de 13% afirmam que o efeito é leve.
A pesquisa identificou que quase metade dos participantes, 46%, apontou os riscos de cibersegurança ou de invasões como a maior barreira para as instituições aumentarem suas alocações. Outros 43% citaram a custódia e a gestão de chaves privadas como o principal obstáculo. Apenas 28% indicaram a volatilidade dos preços como a principal barreira, enquanto 24% mencionaram liquidez ou profundidade de mercado insuficientes.
Opiniões divididas
As instituições estão divididas sobre qual proteção de segurança mais contribui para aumentar a confiança. Cerca de 19% gostariam de uma custódia institucional regulada com auditorias independentes; 17%, de um seguro abrangente contra crimes ou riscos cibernéticos para a custódia e a negociação; e 16%, de comprovações independentes de reservas e passivos. A opção com a qual os entrevistados se sentem mais confortáveis é a custódia administrada pela própria instituição com supervisão independente, escolhida por 38%. Outros 27% prefeririam um custodiante especializado e regulado em ativos digitais, e 20%, a custódia direta em um banco ou em uma instituição fiduciária regulada.
Mais da metade, 57%, só se sentiria confortável em assumir exposição a estratégias de finanças descentralizadas ou de geração de retorno em ativos digitais com contratos inteligentes auditados e supervisão contínua. Outros 44% considerariam satisfatórios controles conservadores de garantias e liquidez. Quase dois em cada cinco, 38%, exigiriam transparência nas exposições a contrapartes e protocolos.
Na avaliação de Anatoly Crachilov, CEO e sócio-fundador da Nickel Digital, a infraestrutura institucional de ativos digitais avançou muito. “Na Nickel, acompanhamos essa evolução de perto e há anos desenvolvemos as estruturas de gestão de riscos, custódia e contrapartes necessárias para operar capital institucional de forma responsável nesse mercado. A indústria está mais próxima da meta do que há doze ou vinte e quatro meses, mas não devemos confundir progresso com conclusão do trabalho. Os ativos digitais ainda têm um caminho a percorrer até que os padrões de custódia e segurança se equiparem de forma consistente àqueles que os investidores esperam dos prime brokers e custodiantes tradicionais. A oportunidade para as instituições capazes de construir essa ponte é substancial”, conclui.
