Ampliar sua plataforma na América Latina, consolidando o negócio em quatro mercados-chave da região. É assim que o CIO da Vicctus Multi Family Office, Roberto Melzi, descreve o foco atual da companhia, que integra o grupo Credicorp. A chave é aproveitar a estrutura regional, nascida no Peru e que se estende até o RIA que mantém em Miami, para oferecer soluções globais aos latino-americanos nos estratos mais elevados de patrimônio.
“Nascemos no Peru, mas fomos nos expandindo para outros países”, diz Melzi em entrevista à Funds Society. A empresa vem ampliando seu negócio, voltado à assessoria de investimentos, tributária e de planejamento financeiro, mas olha com atenção especial para quatro mercados: Chile, Colômbia, Guatemala e Equador. “Esses são os países nos quais, hoje, estamos nos concentrando”, afirma.
São justamente esses os mercados nos quais a Vicctus enxerga mais espaço para crescer. “São praças nas quais ainda não penetramos muito e acreditamos que há oportunidade para oferecer um serviço de assessoria integral”, comenta o executivo. Com exceção do mercado chileno, bastante competitivo nesse segmento, acrescenta, esses mercados são “praças com muito mais capacidade de crescimento”.
O multi family office também avalia outros mercados para ampliar sua rede, mas prefere não detalhar planos específicos. Melzi adianta, porém, que qualquer expansão futura começará pela construção de capacidades locais e de capital humano. “O que precisamos conseguir é ter as capacidades para entrar de maneira eficiente nesses mercados”, destaca.
Questionado sobre a avaliação de oportunidades de fusões e aquisições, o executivo destaca que, até agora, o crescimento regional da Vicctus tem sido predominantemente orgânico. “Essa é a preferência da Vicctus, por fazer parte da Credicorp Capital”, explica, acrescentando que “não podemos descartar” alguma decisão futura de crescimento inorgânico.
Em relação aos segmentos de clientes, Melzi afirma que a empresa pretende manter o foco nos altos e muito altos patrimônios da região. Além de atender pessoas e famílias desse segmento, ocasionalmente presta serviços a alguns single family offices, que a procuram para desempenhar determinadas funções no processo de investimento.
Investimentos internacionais e posições locais
Um dos pontos fortes da Vicctus MFO é sua estrutura regional, que permite aos investidores administrar carteiras internacionais em conjunto com seus ativos locais. A equipe de investimentos da companhia de gestão patrimonial fica em Lima, mas a gestão dos portfólios tem uma abordagem global, descreve Melzi.
Segundo o executivo, a estratégia de investimento da equipe não muda em função de onde os clientes estão. O que muda é a estrutura escolhida pelos clientes e o local a partir do qual são atendidos. “Isso reflete as preferências dos clientes”, afirma o CIO: alguns preferem o RIA de Miami, enquanto outros optam por outras jurisdições.
A Vicctus integra a área de gestão patrimonial da Credicorp, atuando em paralelo à divisão de private banking do grupo de origem peruana e atendendo clientes de alto e muito alto patrimônio.
Sobre o domicílio dos ativos, Melzi ressalta que, embora também dependa das preferências de cada cliente, que escolhe maior ou menor exposição a ativos locais, os investimentos internacionais são uma parte relevante da proposta de valor da companhia.
“Os clientes do MFO normalmente nos contratam porque construíram seu patrimônio assumindo muito risco onshore, em seus países, regiões e negócios”, afirma o executivo. “O que buscam é diversificar os portfólios para o restante do mundo. Esse é o primeiro desdobramento”, acrescenta.
Também há, porém, fatores que atraem o capital para os mercados onshore. Na América Latina, em casos como Chile e Colômbia, os clientes estão retornando ao mercado local por questões tributárias, que geram incentivos para atrair capitais, ressalta. Mais do que as oscilações dos mercados financeiros, explica o profissional, são questões estruturais que têm maior peso.
A gestão em tempos de volatilidade
O cenário apresenta uma série de desafios para as carteiras. Os riscos geopolíticos se multiplicam, há debates sobre quanto tempo a inflação elevada vai durar, especialmente desde que o conflito no Oriente Médio complicou o panorama do mercado de petróleo, e a política monetária global deixou para trás a era dos juros baixos.
Ainda assim, Melzi não acredita que esse cenário em transformação altere a forma de investir da Vicctus MFO. “Somos muito disciplinados e institucionais na hora de investir, tanto em mercados privados quanto em mercados públicos”, afirma, acrescentando que “sempre haverá algum fator de volatilidade” e que, “se não houvesse esses fatores de volatilidade, os retornos não seriam o que são”.
A estratégia do multi family office consiste em manter um portfólio central, ou core, como espinha dorsal da carteira geral. Esse núcleo, relata, é fortemente voltado a produtos líquidos e de baixo custo.
Esse núcleo é complementado por “portfólios satélites”, descreve, compostos por conjuntos de ativos que “trazem outro tipo de valor” e se combinam à carteira core. Um exemplo é o programa de mercados privados oferecido pela empresa, estruturado por meio de fundos especializados em private equity e dívida privada.
