A trajetória de crescimento sustentado da Insigneo Wealth nos nove anos desde sua fundação vem acelerando nos últimos anos, fincando sua bandeira em diversos países latino-americanos e se consolidando no mercado US Offshore, a partir de seu centro de operações em Miami. Agora, olhando para os próximos passos, há alguns espaços que chamam sua atenção. Um deles é ampliar a faixa de patrimônios que atende — em ambas as direções —, com o objetivo de expandir a oferta para novos segmentos, e outro é um dos principais mercados da América Central: Panamá.
“Acredito que temos um bom domínio no segmento high net worth, de 1 a 5 milhões de dólares”, comenta Raúl Henríquez, presidente e CEO da empresa, em conversa com a Funds Society, “e observo com inquietação e curiosidade os outros dois espaços”.
Minutos depois de sua apresentação no primeiro evento realizado pela empresa no Chile — em um roadshow andino que coroou as novas capacidades da Insigneo na região —, o principal executivo da companhia de gestão patrimonial indica que estão observando com atenção as faixas de patrimônio abaixo de 500.000 dólares — um segmento cada vez mais competitivo na América Latina — e também os clientes com patrimônios entre 10 e 20 milhões de dólares.
Para esse último segmento, reflete Henríquez, a história está se repetindo. Isso, explica, porque estão vivendo uma dinâmica que os investidores com patrimônios de 1 a 2 milhões de dólares enfrentaram anos atrás. “Parece-nos que os grandes bancos estão no limite, com a riqueza que cresceu a tal nível”, afirma, com um excesso de demanda e uma oferta limitada na indústria de private banking.
Essa história que ecoa o passado sinaliza oportunidades para a Insigneo. Essa é a dinâmica, lembra Henríquez, “que nos permitiu realmente sair do anonimato e nos tornar um participante relevante”.
Para captar negócios nessas duas frentes, a estratégia da empresa continua voltada a potencializar as capacidades humanas com tecnologia e atrair os melhores banqueiros disponíveis. O foco está em profissionais alinhados ao modelo de atendimento da empresa sediada em Miami, que vejam na Insigneo “um ambiente melhor para se desenvolver e potencializar sua capacidade máxima”, conforme descreve.
Aposta na América Latina
Essas ambições se inserem em um contexto no qual a empresa está apostando fortemente no negócio de wealth management na América Latina, oferecendo uma assessoria ancorada em uma forte oferta de soluções offshore. Essa relação com a região, relata Henríquez, também é um dos vetores que têm apoiado o crescimento da Insigneo Wealth.
De modo geral, explica, quando muitas empresas internacionais olham para a região, “há uma arbitragem importante entre a perspectiva e a realidade”. E essa percepção se tornou uma vantagem para a companhia liderada por Henríquez. “Isso nos permitiu aproveitar esse espaço de uma maneira surpreendente. E espero que continue assim”, comenta.
Uma sequência de aquisições nos últimos anos deixou a empresa com uma forte rede na região. Com mais de 500 profissionais de investimentos — atendendo 45.000 clientes, com ativos sob gestão (AUM) de 38 bilhões de dólares —, a empresa conta com operações na Colômbia, Venezuela, Peru, Chile, Argentina e Uruguai.
“Agora demos ênfase aos mercados que, com a transação da Vector, nos deram maior relevância, como Peru, Chile e Colômbia”, comenta Henríquez, tendo como pano de fundo o Metropolitan Santiago Convention & Event Center. Ele ressalta, porém, que “Argentina e Uruguai continuam sempre sendo muito relevantes”.
Olhando para o futuro, estão de olho na América Central. “Estamos vendo o Panamá como um espaço interessante”, afirma o presidente e CEO da Insigneo, acrescentando que estão avaliando tanto a opção de abrir um escritório quanto a alternativa de crescimento inorgânico. “Acredito que em breve estaremos por lá”, assegura.
Ainda assim, a companhia não perde a confiança no potencial do wealth latino-americano. “A América Latina cresce, contra ventos e marés, com suas oscilações políticas, mas cresce em riqueza e é preciso atendê-la”, ressalta Henríquez.
Nos últimos anos, a aquisição de ativos ajudou a companhia de gestão patrimonial a fortalecer essa presença regional. Entre 2022 e 2023, compraram os veículos da Citi International Wealth Management na região e ativos da área de International Wealth Management da PNG. A compra do VectorGlobal Wealth Management Group — uma empresa com clientes do Chile, México, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Estados Unidos e Canadá — contribuiu para esse fortalecimento neste ano.
