A Nu Asset pretende lançar nas próximas semanas um ETF de ações globais com proteção cambial. O plano foi apresentado por Pedro Mota, portfolio manager da gestora, durante o painel “ETFs: inovação, acesso e o futuro dos investimentos”, no TAG Summit, evento realizado pelo multifamily office em parceria com o Market Makers.
“Hoje a gente tem o high yield americano hedgeado, a gente tem o investment grade americano hedgeado, a gente tem o de leveraged loans hedgeado e a gente vai lançar nas próximas semanas o de global equities hedgeado”, afirma Mota. Segundo ele, a estratégia busca oferecer exposição a ativos internacionais sem a oscilação do dólar em relação ao real. “A gente faz o hedge com o dólar futuro. Então a gente elimina o risco cambial da oscilação.”
Mota afirmou que a expansão dos ETFs é uma prioridade para a gestora. “Nosso objetivo é ser ETFs first dentro da Nu Asset. Então toda a vertente de crescimento da gestora é focada em ETFs.” Ele também citou o primeiro trilhão de reais em patrimônio como uma expectativa para a indústria brasileira, sem estabelecer prazo para que esse volume seja alcançado.
Na avaliação do executivo, há espaço para uma mudança na distribuição dos recursos entre os veículos de investimento. Ele comparou os cerca de R$ 10 trilhões que atribuiu à indústria de fundos no Brasil aos R$ 120 bilhões em ETFs. “Eu acho que a minha visão é que a gente vai ter um rebalanceamento grande do patrimônio em fundos”, disse.
Essa mudança, segundo Mota, deve ocorrer sobretudo nas posições centrais das carteiras, como exposições a títulos públicos, inflação e índices de ações. A gestão ativa continuaria a ter espaço em estratégias complementares. “Você vai ter esses dois mundos convivendo e eles, de alguma forma, sendo complementares.”
Renda fixa ganha participação
Mota disse que os ETFs de renda fixa superaram neste ano os de renda variável em volume no Brasil. Para ele, o crescimento está ligado à oferta de produtos atrelados ao CDI e à inflação, além da possibilidade de negociar cotas em bolsa com preços disponíveis durante o pregão.
“Você consegue acessar esse mercado listado na B3 com precificação online, com eficiência tributária, baixo custo, sem come-cotas e liquidação em D+1”, afirmou. Ele apontou a diferença em relação ao mercado de balcão, no qual os títulos de renda fixa são negociados individualmente.
Como exemplo de desenvolvimento de produtos, Mota citou três índices de títulos públicos corrigidos pela inflação criados pela Nu Asset em conjunto com a B3. Os ETFs correspondentes buscam manter duration constante de dois, cinco e dez anos. “O cliente sabe que, quando ele investir naquele ETF, ele vai ter aquela duration travada, porque o rebalanceamento lá dentro vai acontecer para manter essa duration”, explicou. A duration é uma medida da sensibilidade do preço de um título às mudanças nas taxas de juros.
O executivo também comparou um ETF de Tesouro Selic da gestora a um fundo que investe nesses títulos públicos. Segundo ele, a estrutura oferece transparência diária da carteira e não está sujeita ao come-cotas. Mota observou, porém, que a liquidação do ETF ocorre em D+1, enquanto o exemplo de fundo caixa apresentado pelos mediadores tinha resgate em D+0.
Índices fatoriais e ETFs ativos
Na renda variável, Mota destacou os ETFs fatoriais, cujos índices selecionam ações segundo critérios definidos em metodologia. Ele citou estratégias de dividendos, baixa volatilidade e maior sensibilidade às oscilações da bolsa. No índice de dividendos desenvolvido com a B3, por exemplo, a seleção considera o histórico de pagamentos das empresas ao longo de seis anos, com peso maior para os dividendos mais recentes.
“Todo dia de manhã, a gente precisa, como gestor, abrir essa carteira desse ETF e mostrar para o mercado publicamente quais são essas empresas”, disse, ao tratar da transparência dos produtos.
Para uma nova etapa de desenvolvimento, Mota apontou a necessidade de regras para ETFs ativos no Brasil. “Acho que a gente precisa hoje criar o arcabouço de ETFs ativos no Brasil”, afirmou. Segundo ele, esses fundos poderiam operar sem compromisso de replicar um índice, desde que o investidor conheça sua política e sua estratégia. “Isso quer dizer que ele vai poder fazer o que ele quiser dentro do ETF? Não necessariamente.”



