Tornar-se um ator de peso no mercado latino-americano de wealth management. Esse é um dos pontos relevantes das ambições que impulsionaram a criação do Zentral Family Office, há três anos. Trabalhando a partir de seu objetivo inicial de atender investidores de alto patrimônio na região com seus serviços de gestão patrimonial, a empresa conseguiu ganhar impulso. Agora, olhando para o futuro, a intenção continua sendo tornar-se um player regional, e o plano inclui futuros escritórios em Miami e na Suíça.
“Nestes três anos, a Zentral se consolidou de forma orgânica e intencional. Fomos muito disciplinados para que o crescimento da equipe ocorresse no mesmo ritmo que o dos ativos sob gestão”, relata o CEO e sócio-fundador da empresa, Santiago Jaime Romero, à Funds Society.
Nesse período, a empresa multiplicou seus AUM por cinco e aumentou sua equipe na mesma proporção, chegando a 20 profissionais. Esse reforço da equipe inclui a incorporação de dois profissionais de peso às fileiras do multi-family office.
Simón Hernández foi recrutado do UBS, onde liderava a operação do grupo na Colômbia, e chegou para reforçar a presença da Zentral nesse país, um de seus mercados-chave. Giorgio Tedesco, por sua vez, incorporou-se à mesa de investimentos da empresa de wealth management, depois de liderar a estratégia do Banistmo no Panamá.
Com a ambição de se tornar um “family office regional de referência”, segundo seu CEO, o caminho à frente está traçado.
O caminho para se tornar uma referência regional
Uma parte do plano está em consolidar o espaço que já conquistaram no mercado latino-americano. Atualmente, detalha Jaime, atendem famílias de alto patrimônio na Colômbia, México, Guatemala e El Salvador, além de investidores no Panamá, onde está centralizada a operação da Zentral FO.
O mercado colombiano, em particular, continua sendo o principal foco da empresa. “Para aprofundar nossa atuação, criamos uma empresa local que nos permite acompanhar as famílias para além da gestão patrimonial”, explica o executivo. Isso, acrescenta, permitiu “ampliar a cobertura para Bogotá, Medellín, Cali e Manizales, e ter uma força comercial mais próxima do cliente”.
Olhando para o futuro, Jaime afirma que a estratégia está centrada em “continuar ganhando presença cidade por cidade, com equipes locais que entendam as dinâmicas de cada região”. Isso, considerando que a Colômbia é um mercado altamente descentralizado, com polos de crescimento para o negócio além da capital.
Nas palavras de seu sócio-fundador, o foco está em continuar penetrando nos mercados da América Central e da região Andina. No médio prazo, acrescenta, voltarão os olhos para o Cone Sul. Tudo isso, observa, entrando com equipes próprias ou por meio de alianças estratégicas. “Acreditamos que, para fazer as coisas bem, é preciso conhecer profundamente a regulamentação e a cultura de cada país”, afirma.
De todo modo, a América Latina é uma região de interesse para a Zentral FO. Diante de um cenário heterogêneo, no qual cada país apresenta diferentes desafios tributários, regulatórios e de risco local, o multi-family office identifica uma demanda por especialização. “As famílias latino-americanas estão buscando diversificar e profissionalizar seus patrimônios. É aí que queremos estar: acompanhando-as com soluções sob medida para cada mercado”, comenta.
O futuro em Miami e na Suíça
Em termos da estrutura da Zentral FO, o próximo passo é Miami. A empresa planeja estruturar um RIA nos Estados Unidos, com o objetivo de oferecer aos seus clientes a opção de operar sob uma jurisdição panamenha ou norte-americana, de acordo com o que melhor se adapte às suas necessidades.
“Estamos trabalhando para acelerar os prazos. A prioridade no curto prazo são os EUA, justamente porque muitos de nossos clientes e seus beneficiários têm residência fiscal lá”, explica Jaime. “Queremos ter essa estrutura pronta para continuar acompanhando-os de geração em geração”, acrescenta.
A terceira fase da expansão é a Suíça. O país europeu é um tradicional bastião da gestão patrimonial.
Ainda assim, o ponto crucial para a empresa está na regulamentação: “Temos uma regra clara: só operamos em jurisdições reguladas. Não acreditamos em zonas cinzentas”.
Nesse sentido, Jaime afirma que há dois motivos que os fazem olhar para Miami e para a Suíça. “Primeiro, porque nos permitem atrair talentos que queiram construir sob a marca Zentral. E, segundo, porque damos às famílias a liberdade de escolher onde e como querem estruturar seu patrimônio, com a tranquilidade de estar sob marcos regulatórios de primeiro nível”, explica.
De todo modo, o Panamá continuará no coração da operação da Zentral FO. O país, afirma o executivo, evoluiu muito além dos depósitos a prazo. “Hoje temos um regulador ativo, um marco legal claro e reputação internacional. Para as famílias, isso se traduz em tranquilidade. E, para nós, na capacidade de oferecer um serviço sofisticado com padrões globais a partir da região”, afirma.
