Mais de três em cada quatro fundos de renda fixa encerraram o primeiro semestre com desempenho inferior ao CDI, um dos principais referenciais da categoria. É o que mostra um levantamento da LUZ Soluções Financeiras, realizado com 829 fundos de renda fixa, que identificou rentabilidade média de 4,49% entre janeiro e junho, abaixo dos 6,85% acumulados pelo CDI no período. Apenas 206 fundos atingiram a variação do indicador, enquanto 75,15% das carteiras ficaram abaixo desse patamar.
O estudo considerou fundos classificados, segundo a metodologia da própria LUZ, nas categorias Beta Pós-fixado, Beta Inflação, Beta Prefixado, Beta Composto e Outros, Alpha Macro, Alpha Indexado, Crédito Privado High Yield e Crédito Privado Investment Grade.
Na comparação entre os grandes grupos, os fundos de crédito privado apresentaram a maior rentabilidade média acumulada no semestre, de 5,65%. Embora o resultado também tenha ficado abaixo do CDI, superou a média das demais categorias, de 3,86%, e o Índice de Debêntures Anbima (IDA Geral), que registrou 4,40% no período.
Laura Adorno, analista da LUZ Soluções Financeiras, ressalta que o levantamento considerou apenas os fundos classificados pelos próprios gestores como Crédito Privado – High Yield ou Crédito Privado – Investment Grade.
“É importante ressaltar que outros fundos, que foram classificados pelos gestores em outras categorias, podem ter algum percentual alocado neste tipo de papel. Estas particularidades não foram contempladas na análise.”
Crédito privado domina o ranking dos maiores retornos
Os fundos de crédito privado concentraram a maior parte das melhores performances do semestre. Entre os dez fundos com maior rentabilidade acumulada, nove pertencem à categoria.
Segundo Laura Adorno: “A rentabilidade acumulada do ano por este grupo de 10 fundos varia de 8,39% a 7,64%. Ou seja, os fundos com as melhores rentabilidades conseguiram superar o CDI no primeiro semestre.”
Os dois melhores desempenhos foram registrados pelo Prass Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento, com retorno de 8,39%, e pelo Banrisul NTN-B 2026 FIF RF Responsabilidade Limitada, com 8,38%.

Fundos incentivados aparecem entre os menores retornos
No ranking das dez piores rentabilidades do semestre, metade das carteiras é composta por fundos classificados como crédito privado. As demais pertencem à categoria Alpha Macro.
Laura Adorno observa que: “Vale destacar, no entanto, que, nas cinco carteiras restantes, apesar de classificadas como Renda Fixa – Alpha Macro, as nomenclaturas sugerem que são fundos incentivados, ou seja, focados em infraestrutura ou debêntures incentivadas.”
As duas maiores perdas foram registradas pelo Alfa II Infra Kinea FIF – Fundo Incentivado em Investimento, com queda de 49,43%, e pelo ATS Kinea FIF Fundo Incentivado em Investimento em Debênture Incentivada, que recuou 39,54% no acumulado do ano.

Junho também ficou abaixo do CDI
O levantamento também avaliou o desempenho dos fundos apenas em junho. Dos 829 fundos analisados, 250 — equivalentes a 30% da amostra — superaram o CDI no mês, quando o indicador avançou 1,12%. A rentabilidade média da categoria, entretanto, foi de 0,28%.



