A mais recente divulgação de resultados da NVIDIA apresentou uma perspectiva de crescimento acima do esperado e trouxe maior clareza sobre margens, compromissos de financiamento e retornos aos acionistas. Richard Clode, gestor de portfólio, analisa o que isso representa para os debates em torno das ações da empresa e para as perspectivas mais amplas da inteligência artificial.
“Reconhecemos a dimensão desse apoio e sabemos que alguns o chamarão de financiamento circular. Nós vemos a questão de outra forma.”
Jensen Huang, CEO da NVIDIA
A NVIDIA finalmente rompeu a tendência do último ano: mais uma divulgação de resultados acima das expectativas, acompanhada de uma revisão para cima das projeções, foi recompensada com uma reação positiva das ações nas negociações após o fechamento do mercado. Os esforços da administração para amenizar alguns dos debates mais amplos sobre a ação incluíram o anúncio de uma surpreendente projeção de crescimento de 70% para o próximo ano, limitada pela oferta e muito acima do consenso de 45%.¹ Isso pareceu acalmar as preocupações com a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, o desafio de manter taxas de crescimento muito elevadas diante de uma base cada vez maior e a concorrência. A divulgação de informações relevantes sobre os compromissos financeiros da empresa com seu ecossistema pareceu ajudar a rebater as preocupações com financiamento circular. Ao mesmo tempo, a administração enfrentou diretamente as preocupações com a margem bruta ao reconhecer que as margens atingiram seu pico. No entanto, com os acordos de longo prazo para fornecimento de memória (LTAs) já firmados — garantindo a oferta futura e melhorando a previsibilidade de preços e margens — e o exercício do poder de precificação de seus produtos para o próximo ano, uma margem bruta ainda respeitável, superior a 70%, é possível. A geração de fluxo de caixa livre (FCF), que pode superar US$ 300 bilhões em 2027, será utilizada não apenas para garantir o fornecimento e financiar o ecossistema mais amplo de IA: mais da metade está sendo devolvida aos acionistas por meio de recompras de ações e de um dividendo multiplicado por 25.
Principais destaques da teleconferência de resultados da NVIDIA:
1. Revisão significativa das projeções de crescimento: os resultados da NVIDIA, que consistentemente superam as expectativas e vêm acompanhados de revisões para cima das projeções, têm sido recebidos com apatia pelos investidores, apesar de o crescimento ter acelerado pelo quinto trimestre consecutivo, voltando a superar 100%. Mas os investidores certamente despertaram com a projeção de crescimento de 70% para o próximo ano apresentada pela diretora financeira. Para contextualizar, a indicação de que o crescimento da receita pode se aproximar de 70% no próximo ano, muito acima do consenso de mercado, implica acrescentar cerca de US$ 280 bilhões em receitas. Essa projeção também é limitada pela oferta, já que, segundo a NVIDIA, a demanda aponta para um crescimento de 100%. A consequência de uma revisão tão expressiva é que as projeções de lucro por ação (LPA) da NVIDIA precisam subir mais 20% de um dia para o outro, e as estimativas de LPA para o próximo ano já acumulam alta de 75% desde o início deste ano.
2. Tese pessimista sobre a margem bruta é afastada: as preocupações recentes com a pressão competitiva e a inflação dos preços de memória alimentaram uma tese pessimista sobre as margens da NVIDIA. Embora a empresa tenha efetivamente reconhecido que as margens atingiram seu pico, os acordos de longo prazo para fornecimento de memória — que elevaram seus compromissos de fornecimento de US$ 119 bilhões para US$ 279 bilhões em apenas três meses — estão fixando os preços de aquisição, enquanto a companhia também ajusta os preços de seus produtos para 2027. Isso sustenta a projeção de margens brutas ainda fortes, superiores a 70%, no próximo ano.
3. Novas informações sobre financiamento circular: as publicações da NVIDIA em seu blog sobre os novos US$ 500 bilhões em financiamento de terceiros e o financiamento do projeto PORTS-Pike da OpenAI traziam poucos detalhes. Os investidores receberam bem as informações adicionais divulgadas com os resultados: o compromisso financeiro da NVIDIA com o PORTS-Pike está limitado a US$ 105 bilhões, corresponde a apenas uma parcela de cada projeto, será realizado em etapas e começará mais para o fim de 2028. Além disso, houve maior clareza sobre os US$ 56 bilhões em compromissos com as neoclouds, nos quais a NVIDIA pode receber uma participação nas receitas como parte de seu compromisso financeiro. Jensen justificou essa intervenção financeira pelo caráter nascente e ainda pouco maduro dos laboratórios de IA de fronteira e das neoclouds, tanto em infraestrutura quanto em acesso a financiamento com grau de investimento. A NVIDIA pode utilizar sua expressiva geração de fluxo de caixa livre para acelerar o ciclo de expansão da IA. A expectativa é que os laboratórios de IA de fronteira representem apenas 25% das receitas da NVIDIA no próximo ano.
4. Retornos aos acionistas estão aumentando: após a multiplicação do dividendo por 25 e a recompra de US$ 80 bilhões em ações no último trimestre, a diretora financeira falou sobre um compromisso contínuo e crescente de devolver mais de 50% do fluxo de caixa livre aos acionistas. Diante das projeções de geração de US$ 750 bilhões em fluxo de caixa livre em 2027 e 2028, a NVIDIA parece bem posicionada para recomprar um volume significativo de ações e ampliar substancialmente o dividendo daqui em diante.
5. Expansão da produção do Rubin segue conforme o planejado: utilizando a mesma arquitetura de racks de seu antecessor Blackwell, o Rubin apresenta uma expansão de produção muito mais tranquila, sem necessidade de redesenhar o chip, o que reduz o risco de execução. O Rubin entrou em produção no início deste mês e deve representar 20% das receitas de data centers neste trimestre. Não houve atualização sobre as especificações do Rubin Ultra, cujo lançamento está previsto para a parte final do próximo ano.
6. Nenhuma receita da China é considerada nas projeções: apesar das notícias recentes de que Pequim estaria permitindo algumas importações do H200 e dos planos de enviar LPUs da Groq à China, a NVIDIA esclareceu que o país representou menos de 1% de suas receitas de data centers no último trimestre. Nenhuma receita proveniente da China está incluída nas projeções atuais.
Crescimento, escala e adoção continuam sustentando a oportunidade em IA
O debate em torno da NVIDIA tem se concentrado na possibilidade de sustentar um crescimento tão excepcional tanto para a IA quanto para a empresa. Os resultados abordaram a maior parte das principais preocupações do mercado, com uma surpreendente e significativa revisão para cima das expectativas de crescimento da receita para 2027, além de informações mais detalhadas para amenizar as preocupações com financiamento circular. Também trataram diretamente dos receios de que a forte demanda por IA provoque uma disparada nos preços de memória, afetando as margens da NVIDIA. Continuamos otimistas com as perspectivas para o setor de tecnologia, à medida que os investimentos em infraestrutura de IA ganham escala, novas plataformas surgem e aplicações se desenvolvem.
Todas as informações relacionadas à NVIDIA foram extraídas dos resultados financeiros do segundo trimestre do ano fiscal de 2027 e da transcrição da teleconferência de resultados da companhia, de 26 de agosto de 2026.
1 CNBC.com; Nvidia earnings takeaways: Huang forecasts 70% fiscal 2028 revenue growth, far above estimates; 27 August 2026.
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Definições e Notas de Rodapé
AI flywheel: A self-reinforcing cycle in which greater adoption of artificial intelligence generates more data and investment, leading to better AI models, wider usage and further growth in demand for AI-related products and services.
Blackwell: NVIDIA’s Blackwell graphics processing units (GPUs) are designed for generative AI and accelerated computing with significantly better energy consumption at lower cost to complete tasks for AI processing.
Capital expenditure (capex): Money a business spends on major, long-term assets such as property and equipment (tangible assets) or technology, software, trademarks, patents etc. (intangible assets) to facilitate new projects or investments that support business growth and expansion.
Circular financing: An arrangement in which a supplier provides funding or financial support to a customer that may then use some of that funding to purchase the supplier’s products. Investors may examine these arrangements to assess whether reported demand is independently financed.
Consensus estimate: The average or median forecast made by analysts covering a company, such as an estimate for revenue or earnings.
Dividend: The income received on an investment.
Free cash flow: Cash that a company generates after allowing for day-to-day running expenses and capital expenditure. It can then use the cash to make purchases, pay dividends or reduce debt.
Gross margin: Revenue remaining after deducting the direct cost of producing goods or services, expressed as a percentage of revenue.
Hyperscalers: Companies that provide infrastructure for cloud, networking, and internet services at scale. Examples include Google, Microsoft, Facebook, Alibaba, and Amazon Web Services (AWS).
Long-Term Agreement (LTA): A multi-year contract between a buyer and supplier that secures future supply volumes, and sometimes pricing, for critical products or components. Companies often use LTAs to reduce supply-chain risks and improve planning certainty.
LPU (Language Processing Unit): LPU is a proprietary chip architecture developed by Groq (owned by NVIDIA). LPUs are a crucial part of LPU Inference Engines, which are a new type of end-to-end processing unit system for the applications and workloads that are most commonly associated with natural language processing or AI language applications.
Neoclouds: AI-first cloud providers offering specialised GPU infrastructure at a lower cost than hyperscalers, making AI workloads more accessible.
PORTS-Pike Project: OpenAI announced its participation in the Pike County, Ohio-based project in August 2026. The project is designed to meet projected long-term needs, frontier AI training, and product demand. The site will exclusively host NVIDIA AI compute infrastructure.
Rubin: The successor to Blackwell, NVIDIA’s Vera Rubin chip platform is built for the age of agentic AI and reasoning, engineered to master multi-step problem-solving and massive long-context workflows at scale.
Share buyback: Where a company buys back their own shares from the market, thereby reducing the number of shares in circulation, with a consequent increase in the value of each remaining share. It increases the stake that existing shareholders have in the company, including the amount due from any future dividend payments. It typically signals the company’s optimism about the future and a possible undervaluation of the company’s equity.
Valuation: The process of determining the fair value of an asset, investment, or firm. Among others, future earnings and other company attributes are used to arrive at a valuation.
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O desempenho passado não é garantia de retornos futuros. O valor de um investimento e os rendimentos dele decorrentes podem tanto subir quanto cair, e você pode não recuperar o valor originalmente investido.
As informações contidas neste artigo não constituem uma recomendação de investimento.
Não há garantia de que as tendências passadas se mantenham ou de que as previsões se concretizem.

