A BNY Investments realizou em Denver, Colorado, o INSITE26, sua conferência anual para clientes da Pershing, a custodiante e liquidante mais utilizada por broker-dealers e RIAs das Américas e líder incontestável no segmento de wealth management na América Latina e no mercado US Offshore. Mais de 1.100 pessoas participaram do evento, sendo 25% delas ligadas ao ecossistema dessas regiões. Nesse contexto, Robin Vince, CEO da empresa, apresentou um diagnóstico do cenário global: “Temos guerras, níveis recordes de dívida pública e privada, turbulências nas commodities, máximas históricas na renda variável e incertezas sobre a inflação. E, como se não bastasse, revoluções tecnológicas simultâneas: ativos digitais e inteligência artificial”, destacou.
A partir de sua posição privilegiada de observação — a BNY custodia 60 trilhões de dólares em ativos e liquida diariamente 30 trilhões de dólares em títulos do Tesouro americano — Vince descreveu clientes que já não buscam fornecedores especializados, mas sim parceiros capazes de sustentar múltiplas transformações ao mesmo tempo.
Sobre a tecnologia de registro distribuído (DLT, na sigla em inglês), sistema utilizado pela BNY para modernizar o sistema financeiro tradicional, Vince recorreu à perspectiva histórica de uma instituição com 242 anos de existência. “Estamos passando do livro contábil clássico para algo muito mais multifacetado”, afirmou. Ainda assim, rejeitou visões mais extremas sobre blockchain, considerando improvável uma tokenização universal e imediata. “Trata-se de uma evolução geracional de cinco ou dez anos, em um ritmo diferente do da IA”, argumentou.
O objetivo da BNY é posicionar-se como ponte entre o mundo tradicional e o digital. O banco foi o primeiro entre as grandes instituições a oferecer custódia nativa de Bitcoin e atualmente opera com stablecoins, tokenização de depósitos e títulos. “Alguém precisa reunir novamente todos os fios. Esse é o nosso trabalho”, resumiu. Com investimentos anuais de 4 bilhões de dólares em tecnologia, a escala é o que torna essa posição possível.
Eliza: a IA com nome próprio
Poucas semanas após o lançamento do ChatGPT, a BNY tomou uma decisão precoce: investir antes que a indústria terminasse de compreender o fenômeno. O resultado foi Eliza — nome inspirado em Elizabeth Schuyler Hamilton, esposa do fundador do banco —, uma plataforma multiagente conectada aos principais modelos de IA do mercado, que opera em três níveis: produtividade individual para os quase 50 mil funcionários da instituição, automação de processos operacionais complexos e soluções de inteligência artificial oferecidas diretamente aos clientes. “Não é necessário que você construa sua própria IA. Nós construiremos a solução adequada para você dentro da nossa plataforma”, explicou Vince.
Ele também fez um alerta explícito sobre a autonomia dessas tecnologias: “Com as tecnologias mais avançadas, vimos que elas podem desenvolver um pouco de vontade própria. Entregar o controle total dos seus ativos a um agente não me parece algo realista neste momento”, avaliou.
Em outro momento de sua apresentação, Vince rejeitou categoricamente comparações com os robo-advisors. “No negócio que todos vocês administram, há três elementos que precisam convergir: boa assessoria, boa tecnologia e a magia humana que nasce do relacionamento. Confiança é um conceito humano. Você confiará na IA da mesma forma que confia na pessoa que cuida do seu patrimônio há anos e conhece sua família?”, questionou. Segundo ele, o papel da IA será ampliar as capacidades dos assessores. “Ela nos dará superpoderes para oferecer uma assessoria mais inteligente e fazer com que as coisas pareçam simples, porque a IA estará trabalhando nos bastidores”, destacou.
A voz dos clientes
O diagnóstico de Vince encontrou eco imediato entre os participantes do Summit. Clientes da Pershing com mais de uma década de relacionamento concordaram que a plataforma evoluiu de um simples custodiante para algo mais próximo de um integrador tecnológico.
“Participo do INSITE há mais de vinte anos e a Pershing é o maior custodiante com o qual trabalhamos. Para clientes offshore, não existe outra estrutura de custódia comparável”, afirmou Rocío Harb, branch manager em Miami da IPG, empresa que atualmente cresce com foco em produtos alternativos.
Sebastián Ballester Molina, CEO da Insigneo, descreveu uma relação iniciada em 2013 e que acompanhou o crescimento da Pershing até sua consolidação como referência do setor. “Hoje ela é número um para a América Latina, número um internacionalmente. E o que estamos vendo agora é a Pershing buscando também a liderança em tecnologia”, afirmou. Ariel Kay, managing partner da Safebay Capital, acrescentou a dimensão da integração: “Ela se consolidou como integradora de tecnologias e serviços. É líder absoluta em custódia na América Latina e também em escala global”, destacou.
Carlos Martín, CEO da Bci Securities, explicou como essa arquitetura permite criar novos negócios. “Estamos ampliando os relacionamentos em SMAs (Contas de Gestão Individualizada) por meio da Canvas. A ideia é utilizar o conhecimento que temos no Chile para desenvolver produtos sob medida para clientes offshore”, explicou. Martín acrescentou que também explora uma colaboração mais ampla com a BNY na área de custódia local no Chile e no Peru. “Faz muito sentido associar-se ao banco mais antigo dos Estados Unidos e ao maior custodiante do mundo”, afirmou.
José Andrés Martínez, Global Wealth Advisor do BBVA nos Estados Unidos, trouxe a visão institucional: “A Pershing BNY Mellon é a instituição financeira onde os ativos de nossos clientes são custodiados. A PAS é a broker-dealer que fornece a plataforma para que o cliente possa visualizar suas posições e realizar operações, sempre com nossa assessoria como RIA (Registered Investment Advisor)”, concluiu.



