A frase vem sendo ouvida nas reuniões de investidores há cerca de dois anos: “A América Latina rende mais e dá menos default”. Por trás do enunciado, os resultados positivos têm se materializado nos portfólios e 2026 promete impulsionar ainda mais a região graças ao vento favorável para os emergentes.
Os investidores internacionais estão comprando ações da região no ritmo mais rápido em uma década, e o MSCI EM Latin America subiu mais de 20% em 2026.
O mercado de renda fixa com fundamentos sólidos
“O crescimento econômico sustentado, os mercados financeiros externos favoráveis, a fraqueza do dólar norte-americano e os preços favoráveis das commodities devem sustentar a solvência soberana da região neste ano. Os principais riscos potenciais vêm de tensões geopolíticas, um crescimento menor do que o esperado nos EUA ou na China, ou condições de financiamento mais voláteis e difíceis”, resume a Fitch Ratings em um relatório sobre os emissores soberanos da região.
Do lado dos riscos estão a queda das remessas na América Central e os déficits fiscais que, segundo a Fitch, em 2026 terão uma leve redução, situando-se em 2,2% do PIB.
Os analistas da Schroders apontam que os Mercados Emergentes apresentam hoje maior disciplina fiscal e monetária do que seus pares de países desenvolvidos. Muitos países têm taxas reais mais altas ou similares às de países desenvolvidos, mas com uma melhor relação dívida/PIB.
Os preços dos metais e o mercado acionário
A orientação da LarrainVial é clara: “Não pensar em emergentes como mais risco, mas sim em estar melhor recompensado pelo risco assumido”.
O aumento dos preços dos metais é um fator-chave para os mercados acionários latino-americanos, impulsionando um sólido crescimento dos lucros por ação, segundo um relatório da Oxford Economics.
A LarrainVial acrescenta: “A América Latina se destaca por suas avaliações atrativas, melhora dos fundamentos e fortes ventos favoráveis das commodities. As mudanças políticas, políticas monetárias críveis e a demanda estrutural por commodities criam um argumento convincente para o investimento seletivo na região”.
“As ações peruanas e chilenas são as mais indicadas para se beneficiar de um aumento estrutural dos preços do cobre, já que a recuperação da produção industrial global e a construção de centros de dados de IA impulsionam a demanda, mas observamos riscos de baixa para as exportações de cobre do Chile”, afirma Lara Gigov, estrategista da Oxford Economics.
A consultoria mantém uma posição sobreponderada no Brasil: “Embora o mercado esteja na parte inferior do nosso modelo de alocação de ações, esperamos que seu crescimento seja impulsionado por cortes de juros de 250 pontos-base neste ano, o que deve sustentar as avaliações das ações brasileiras”.
Por outro lado, a menor dependência da economia mexicana em relação aos metais limitará o potencial de alta da valorização dos metais, e prevemos volatilidade antes das negociações do T-MEC”, acrescentou. No caso da Colômbia, o banco central endurecerá a política monetária, com o risco de altas adicionais caso o presidente em exercício permaneça no poder nas eleições de maio, o que representa um obstáculo para as avaliações das ações.



