Durante aproximadamente uma década antes da pandemia, o private equity no middle market se beneficiou de dívida barata, aumento das avaliações e mercados abertos para saídas. Um sponsor que comprasse uma boa empresa a um preço razoável poderia obter bons resultados simplesmente mantendo-a na carteira. Esse contexto mudou.
Um mercado mais difícil nas duas pontas
O crescimento desacelerou e a volatilidade aumentou. O crédito privado se tornou uma fonte de financiamento profunda, mas os juros permanecem muito acima dos níveis da década de 2010. Os custos mais elevados do endividamento absorvem uma parcela maior do fluxo de caixa das empresas da carteira e reduzem o impulso que a alavancagem proporciona ao retorno do capital. Atualmente, a operação média precisa de aproximadamente o dobro do crescimento dos lucros de antes da pandemia para produzir o mesmo múltiplo sobre o capital investido (MOIC).
A concorrência pelos ativos é outra preocupação. O capital ainda não investido do private equity global era de US$ 1,66 trilhão em março de 2025, representando 45% do capital não investido, a maior participação em cinco anos. Aproximadamente 75% desse montante está em fundos captados entre 2022 e 2024, o que pressiona os gestores a alocá-lo.¹ Os sponsors que se aproximam do fim de seus períodos de investimento podem competir de maneira mais agressiva, elevando os preços de entrada e comprimindo os retornos. Os períodos de permanência também se alongaram para sete anos ou mais, e a PitchBook estima que a carteira acumulada de ativos de private equity ainda não vendidos supera 30 mil empresas.
A desaceleração das saídas implica distribuições mais lentas. As estimativas da Preqin, que usam como referência os índices globais de buyouts, mostram que as distribuições aos investidores têm sido mais lentas nas safras recentes.¹ Há sinais iniciais de alívio: o valor das saídas de investimentos respaldados por private equity no mundo quase dobrou em relação ao primeiro trimestre, alcançando US$ 206 bilhões no segundo trimestre de 2026. No entanto, o número de saídas caiu para 500 e seu tamanho médio aumentou para US$ 1,6 bilhão, o que sugere que a recuperação favoreceu, até agora, a faixa superior do mercado.² Atualmente, muitos LPs consideram as distribuições sobre o capital integralizado (DPI) mais importantes do que a taxa interna de retorno (TIR).¹ Os fechamentos de fundos caíram quase 40% desde 2022, com o capital concentrado nos gestores capazes de demonstrar um histórico de devolução de caixa.
Cinco imperativos
É provável que a próxima década do private equity seja definida pela dispersão entre gestores, que já se ampliou nas safras recentes. A seguir, cinco fatores que podem diferenciar os melhores:
Foco em subsetores. A experiência em um conjunto definido de indústrias e subsetores ajuda os sponsors a detectar oportunidades antes de elas serem amplamente oferecidas ao mercado e contribui para gerar credibilidade perante vendedores e equipes de gestão. Ainda assim, o desempenho dos setores se alterna: saúde ocupou o primeiro lugar em retorno de saída no quartil superior entre 2015 e 2020, mas passou para o quarto entre 2020 e 2025, enquanto as utilities subiram do décimo para o primeiro lugar.
Originação diferenciada. Os intermediários continuam essenciais, mas uma estrutura própria de originação, construída ao longo de anos de relacionamento com os proprietários de empresas, permite identificar alvos antecipadamente e costuma se traduzir em avaliações de entrada mais baixas. Em contrapartida, leilões amplamente divulgados tendem a elevar os preços quando muitos sponsors estão pressionados a alocar capital.
Criação de valor replicável. Entre 2022 e 2025, o crescimento das receitas e das margens representou aproximadamente 80% do MOIC de saída, ante 55% no período de 2015 a 2019.³ Sponsors com uma equipe operacional interna dedicada, envolvida desde a due diligence até a saída, podem aplicar sua experiência de forma consistente a alavancas como precificação e compras. Repetir um conjunto de estratégias em diferentes empresas também reduz a dispersão dos resultados e dá suporte à análise de investimento.
Criação de valor por meio da IA. A inteligência artificial já acelera os processos de due diligence, e suas ferramentas podem revisar um data room e responder a perguntas detalhadas quase instantaneamente. A maior oportunidade está nas empresas da carteira, que frequentemente investem pouco em tecnologia e estão bem posicionadas para avançar em áreas como análise de preços e automação do back-office. A IA costuma apresentar os melhores resultados quando faz parte da disciplina operacional das empresas, com responsáveis definidos e metas de desempenho.
Planejamento deliberado da liquidez. Gestores com DPI no quartil superior tendem a buscar liquidez ativamente, em vez de esperar a reabertura dos mercados de saída. Uma saída integral com MOIC sólido continua sendo a ferramenta mais eficaz, mas veículos de continuação oferecem uma alternativa, assim como vendas de participações minoritárias e dividendos.
Nenhum dos cinco fatores é suficiente isoladamente. Um sponsor sem experiência em subsetores corre o risco de ser superado nas ofertas, e outro sem originação própria pagará preços de mercado com maior frequência. Sem um conjunto de estratégias comprovado, gerar o crescimento dos lucros necessário a esses preços se torna mais difícil. Um sponsor incapaz de devolver capital de forma consistente provavelmente terá dificuldades para captar seu próximo fundo. No entanto, para os gestores que desenvolveram essas capacidades, um ambiente mais exigente pode oferecer a oportunidade de distinguir a verdadeira habilidade dos ventos favoráveis da década passada.
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¹ Preqin, Private Equity in 2026, publicado em 2025; dados de capital não investido de março de 2025. ² Preqin, Private Equity Q2 2026: Preqin Quarterly Update; dados de saídas do segundo trimestre de 2026. ³ MSCI Private Assets, em 30 de junho de 2025.
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