A indústria de investimentos mexicana já não enfrenta apenas o desafio de convencer as pessoas a colocar seu dinheiro para trabalhar. Agora tem outro problema: como acompanhar profissionalmente uma comunidade de investidores que cresce muito mais rápido do que há alguns anos. Esse foi um dos principais temas que permearam a quarta edição do Pioneros 2026, encontro organizado pela GBM Advisors que reuniu, em 30 de setembro, no Expo Santa Fe, mais de 1.300 participantes presenciais e pelo menos 3.500 participantes on-line. A Funds Society esteve presente.
Durante o evento, especialistas nacionais e internacionais discutiram o impacto da inteligência artificial, da digitalização, dos novos modelos de construção de carteiras e das transformações nas necessidades dos investidores sobre uma profissão que também está mudando.
O fenômeno tem uma dimensão considerável. De acordo com os números apresentados durante o encontro, os ativos administrados por fundos de investimento chegaram a 5,3 trilhões de pesos em julho de 2026, mais que o dobro do registrado em 2020. Nesse mesmo período, o número de clientes passou de aproximadamente 3 milhões para mais de 18 milhões. Ou seja, o mercado não apenas administra mais dinheiro: há muito mais mexicanos participando dele. E essa expansão está modificando a discussão sobre a assessoria financeira.
Do acesso aos investimentos ao acesso a uma boa assessoria
A digitalização reduziu algumas das barreiras tradicionais para investir. Abrir uma conta, consultar informações, comprar instrumentos ou acompanhar o comportamento de uma carteira pode ser feito hoje pelo celular. Mas, enquanto a tecnologia facilita o acesso, também aumenta a necessidade de interpretar informações e tomar decisões adequadas para cada pessoa. Esse foi justamente um dos pontos centrais do Pioneros 2026. Para Luis Felipe Madrigal Mier y Terán, diretor executivo da GBM Advisors, o próximo passo depois de ampliar o acesso aos mercados consiste em ampliar também o acesso à assessoria profissional.
“O México avançou enormemente na democratização do acesso aos investimentos. O próximo passo é democratizar também o acesso a uma assessoria profissional de qualidade.” A tese pressupõe uma mudança relevante para o setor: o assessor do futuro não será necessariamente quem terá que processar mais informações, mas quem conseguirá utilizar melhor as informações disponíveis para ajudar seu cliente a decidir. Nesse processo, a inteligência artificial começa a se tornar uma ferramenta de trabalho.
A IA muda o trabalho, não necessariamente o papel do assessor
Uma parte importante do Pioneros foi dedicada justamente a explorar o que a inteligência artificial pode fazer pela indústria financeira e o que os investidores esperam dessas novas ferramentas. A Vanguard abordou a relação entre IA e assessoria financeira a partir do que os investidores adotam, em que confiam e o que questionam. Por sua vez, J.P. Morgan e Operadora Valmex analisaram o impacto da inteligência artificial sobre a inovação e as oportunidades de investimento nos próximos líderes tecnológicos.
A incorporação dessas ferramentas abre a possibilidade de automatizar processos, analisar grandes quantidades de informações e reduzir tarefas operacionais que tradicionalmente consomem uma parte importante do tempo dos assessores.
Mas a ideia que surgiu durante o encontro é que a tecnologia pode tornar a assessoria mais escalável sem necessariamente substituir aquilo que constitui seu componente mais difícil de automatizar: conhecer o cliente. Entender o que uma pessoa quer alcançar, quanto risco está disposta a assumir, quais são suas prioridades patrimoniais e como sua situação muda ao longo do tempo exige mais do que informações; exige contexto, comunicação e confiança. Por isso, no novo cenário, a tecnologia pode acabar elevando — mais do que reduzindo — as exigências sobre o profissional.
Uma profissão que também precisa evoluir
O crescimento do mercado financeiro mexicano exige pensar na assessoria como uma profissão que vai além de conhecer produtos de investimento. Construção de carteiras, planejamento patrimonial, comunicação financeira e conhecimento do comportamento do investidor fazem parte de uma atividade que terá que atender a uma população cada vez mais ampla e diversa. Essa foi outra das mensagens do Pioneros: a profissionalização terá que avançar no mesmo ritmo que a democratização dos investimentos. A programação incluiu mais de 17 conferências, painéis e conversas, com temas que foram da inteligência artificial e dos novos modelos de carteiras às perspectivas para a renda fixa.
Entre as sessões estiveram “IA e assessoria financeira: o que os investidores adotam, em que confiam e o que questionam”, da Vanguard; “Model Portfolios”, da S&P Dow Jones Indices; “Além do hype: IA, inovação e como investir nos próximos líderes tecnológicos”, de J.P. Morgan e Operadora Valmex; e “O retorno da renda fixa: onde está a oportunidade hoje?”, da Franklin Templeton. A diversidade de participantes também mostrou até que ponto a transformação da assessoria envolve praticamente toda a cadeia de investimentos.
Vanguard, S&P Dow Jones Indices, Global X ETFs, Prudential, AXA Seguros, EDM Wealth & Asset Management, Finaccess, Franklin Templeton, BBVA, SURA Investments, BridgeWise, Lazard, iShares by BlackRock, J.P. Morgan, Operadora Valmex, Direxion, a Bolsa Mexicana de Valores e a Bolsa Institucional de Valores, entre outras instituições, participaram do encontro.
O próximo desafio: acompanhar a massificação
A dimensão alcançada pelo Pioneros 2026 reflete uma mudança mais profunda no mercado mexicano. Quando o número de investidores passa de alguns milhões para mais de 18 milhões, a pergunta deixa de ser apenas como atrair novos participantes. Também importa como construir uma infraestrutura de assessoria capaz de acompanhá-los em escala. Aí pode estar um dos principais desafios da próxima etapa da indústria. A tecnologia permite atender a mais pessoas; a inteligência artificial pode ajudar a processar mais informações e automatizar tarefas; os modelos de carteiras podem facilitar a construção de soluções de investimento.
Mas a decisão financeira continua ocorrendo em um contexto pessoal. E, justamente à medida que o mercado se torna maior e mais complexo, o valor do assessor pode se deslocar da intermediação para a interpretação, o julgamento e o acompanhamento. Esse parece ser o novo terreno sobre o qual a indústria terá que construir sua próxima etapa: não apenas conseguir que mais mexicanos invistam, mas desenvolver uma profissão capaz de ajudá-los a tomar melhores decisões financeiras durante as diferentes etapas de suas vidas.



