Os grupos de produtos de gestão de ativos tiveram um ano de 2025 complexo. Embora já estivessem ocupados se adaptando à personalização fiscal, aos ETFs ativos e à geração de uma maior exposição aos mercados privados, um ambiente político e regulatório transformado acelerou o lançamento de produtos de dupla classe de ações, despertou um maior interesse em distribuir alocações ao mercado privado por meio de planos de previdência de contribuição definida (CD) e deu maior atenção à tokenização.
Essa dinâmica gerou mudanças significativas na indústria e um volume de trabalho excepcional para os grupos de desenvolvimento de produtos, segundo o “Relatório Cerulli: Desenvolvimento de Produtos nos EUA 2025”.
“O considerável volume de demandas competitivas entre produtos e classes de ativos, assim como os desafios de distribuição, continuarão até 2026 e além”, afirma Daniil Shapiro, diretor da Cerulli.
De acordo com o estudo da consultoria, quase todos os gestores de ativos consideram a estrutura de ETF como uma grande oportunidade (96%), à medida que a indústria continua focada no desenvolvimento e na distribuição de ETFs ativos.
“Os gestores de ativos têm vários caminhos para acessar a oportunidade dos ETFs ativos, incluindo novos lançamentos (seja com estratégias replicadas, modificadas ou completamente novas) e a conversão de fundos mútuos”, afirma Shapiro.
Segundo o estudo, embora 74% das empresas que ofereciam ou avaliavam oferecer ETFs em 2025 estivessem considerando o uso da classe de ações de ETF, poucas planejam lançar conjuntos completos desse produto.
Tão importante quanto o impulso em direção aos ETFs é o avanço do acesso do varejo aos crescentes mercados privados. Os gestores de ativos estão investindo capital e esforço nessa iniciativa, mas a Cerulli destaca que a enorme concorrência do mercado provavelmente tornará a distribuição cada vez mais difícil.
De modo geral, 65% dos gestores que oferecem produtos de fundos de intervalo percebem uma grande oportunidade de distribuição para essa estrutura, e 87% planejam desenvolver novas estratégias.
Enquanto isso, a oportunidade dos mercados privados nos planos de previdência DC está ganhando um impulso significativo, o que exigirá um esforço sustentado para alcançar a escala dos fabricantes de produtos. O uso da estrutura de fideicomisso de investimento coletivo (CIT) e de seus mecanismos tornou-se a solução ideal para incluir estratégias de mercado privado nos fundos com data-alvo.
“Os gestores devem avaliar parcerias e apoiar iniciativas, entendendo que estabelecer as bases agora permitirá acessar uma oportunidade crucial nos próximos anos”, comenta Shapiro.
Por fim, embora seja provável que a tokenização receba grande atenção nos próximos anos, trata-se de uma iniciativa de longo prazo que vai além dos casos de uso mais óbvios que resultam em ganhos de eficiência e economia de custos.
“A oportunidade atual da tokenização está focada principalmente em ETFs de criptomoedas e produtos do mercado monetário, mas, com o tempo, migrará para ativos do mundo real”, afirma Shapiro.
Buscar parcerias com empresas especializadas em blockchain pode beneficiar aqueles que não possuem experiência interna. Além dos grandes gestores e custodiante, adotar uma postura de espera em relação à tokenização também pode funcionar bem, conclui.



