Uma alta demanda por liquidez, acessibilidade e renda fixa tem puxado os investimentos nos ETFs da Investo, maior gestora independente do setor no Brasil, que atingiu no primeiro trimestre R$ 9 bilhões sob gestão.
A alta, de 50% sobre o resultado final de 2025, impulsiona os novos rumos da gestora, que até hoje conta com 27 ETFs na prateleira. O plano ampliar o escopo de produtos, sobretudo na renda fixa.
“Como o Brasil é o país da renda fixa, em que 80% a 90% da alocação de um brasileiro típico, seja pessoa física ou institucional, está nesse segmento, acho que o setor ainda está pouco explorado nos ETFs. Temos muitas classes de ativo e estratégias diferentes para olhar”, diz Cauê Mançanares, CEO da Investo, em entrevista a Funds Society.
O CEO diz que um dos ETFs que tem puxado a alta no trimestre é o de títulos do Tesouro brasileiro.
“Você paga menos impostos, não paga IOF, não tem come-cotas e consegue oferecer o CDI para o cliente”, diz, colocando que as consultorias de investimento estão começando a entender melhor sobre as vantagens desse produto.
O público da gestora é dividido entre 65% do varejo, e 35% de institucional, uma relação que já foi mais desbalanceada. “A gente já teve 90% de varejo. O que está acontecendo agora é que o institucional está acelerando mais rápido, porque os ETFs ganharam escala e liquidez”, afirma.
Entre os institucionais, muitas assets e tesourarias, e até alguns fundos de pensão. “O gestor quer exposição a um setor ou classe de ativo. Em vez de selecionar ativos individuais, ele compra o ETF e resolve isso de forma eficiente.”
Do BC aos ETFs
Ex-Banco Central, onde atuou na área de supervisão não bancária e participou da criação do time dedicado a fintechs, Mançanares passou pelo Vale do Silício no setor de venture capital antes de fundar, em 2020, a Investo, ao lado de Gabriel Lansac e Silvio Junqueira.
Hoje, a gestora brasileira, que conta com 28 pessoas na equipe, é controlada pela VanEck, gestora americana com mais de US$ 90 bilhões em ativos, que se tornou sócia-majoritária da empresa em 2024.
ETFs chegam a R$ 100 milhões em captação
O crescimento da gestora acompanha o avanço da indústria. O mercado de ETFs no Brasil cresceu cerca de 50% em 2025, encerrando o ano com aproximadamente R$ 50 bilhões sob gestão. Em número de investidores, a alta foi de 24% entre pessoas físicas, chegando a 721 mil, segundo dados da B3.
Reflexo disso se dá também na liquidez dos ativos da gestora, com alguns tickers atingindo R$ 100 milhões em captação. “Hoje a gente já tem 10 ETFs acima de cem [milhões de reais]. Há dois anos tínhamos apenas um ou dois”, diz. Segundo o CEO, a liquidez também tem aumentado, com negociação diária somada de todos produtos chegando também a R$ 100 milhões.
Educação como driver
“O principal driver de crescimento, em minha opinião, é realmente o conhecimento de que você pode fazer uma alocação mais eficiente via ETF”, diz Mançanares.
Segundo ele, a estratégia da gestora tem como base a disseminação contínua de conteúdo e a proximidade com clientes e distribuidores.
“Não adianta você achar que passou a mensagem e ela foi compreendida. Você precisa repetir. A gente está na mídia, faz eventos, traz cliente para dentro de casa, participa de conferências, produz conteúdo em diferentes canais”, diz.
A Investo investe também em encontros frequentes com assessores e investidores institucionais, além de manter presença ativa em plataformas digitais. “Toda semana tem dois, três eventos — café da manhã, happy hour com cliente, reuniões com assessorias e assets”, afirma.
Segundo o executivo, o movimento ocorre em paralelo a uma mudança de mentalidade na indústria, mesmo nos escritórios que operam no comission-based. “A cabeça do assessor também tem mudado. Mesmo que não mudou a forma de cobrar, ele está mudando a forma de pensar”, diz.
Esse processo vem sendo acompanhado por investimentos internos da própria gestora. “Há dois anos começamos a investir ainda mais forte em time, produto, geração de conteúdo e education. Agora o crescimento vem”, afirma.


