A competição por preços está intensa entre as maiores gestoras de fundos. Essa é uma das conclusões da versão mais recente do estudo sobre taxas de fundos nos Estados Unidos da Morningstar, publicado recentemente. Em um contexto no qual as taxas de administração continuam apresentando tendência de queda, duas gestoras de investimentos, em particular, lideram a lista das menores cobranças.
Segundo a equipe da Morningstar Manager Research, o indicador que melhor representa a experiência dos investidores com os fundos é a taxa média ponderada pelos ativos. Nesse caso, Vanguard e Charles Schwab apresentaram a menor taxa no ano passado, de 0,07%.
A Vanguard é a tradicional líder em baixas taxas, mas a Charles Schwab também vem reduzindo as taxas ao longo dos anos, conseguindo alcançar a segunda maior gestora do mundo. Enquanto a primeira reduziu sua taxa média ajustada de 0,09% para 0,07% entre 2020 e 2025, a segunda a reduziu de 0,1% para 0,07% no mesmo período.
Vale destacar que ambas as empresas possuem uma vantagem clara, já que a terceira gestora com a menor taxa média em seus veículos está 3 pontos-base acima. A State Street encerrou 2025 com uma taxa representativa de 0,1%, conseguindo reduzi-la de 0,16% em 2020.
Em quarto lugar, destacou a Morningstar, a iShares registrou uma taxa de 0,15% no ano passado, mostrando que “sua ampla oferta inclui estratégias ativas e de nicho, mais caras, juntamente com seus principais fundos de índice de baixo custo”. No caso dessa gestora de investimentos, a taxa caiu de 0,19% em cinco anos.
“À medida que as empresas competem por custos, os investidores saem ganhando, beneficiando-se de um conjunto cada vez mais amplo de fundos baratos que oferecem extensa exposição ao mercado”, destacou a provedora de informações em seu relatório.
Uma tendência de longa data
Os números das taxas da indústria norte-americana de fundos mútuos e fundos indexados representam mais um marco de uma tendência de longo prazo que vem registrando uma redução das taxas em toda a indústria.
A taxa média de custos paga pelos investidores em 2025 é menos da metade do que custava há duas décadas. “Entre 2006 e 2025, a taxa média ponderada pelos ativos caiu de 0,8% para 0,32%. Os investidores economizaram bilhões em taxas de administração como resultado”, enfatizaram no relatório.
A equipe de Manager Research identifica três grandes fatores por trás da redução de custos na indústria. Por um lado, os investidores estão cada vez mais conscientes da importância de minimizar os custos de investimento, o que os levou a favorecer veículos de baixo custo. Por outro, a concorrência na indústria de gestão de fundos levou diversos participantes a reduzir suas taxas.
O terceiro pilar, acrescentaram, está relacionado à evolução da dinâmica dos assessores. “A mudança para modelos fee-based na assessoria financeira foi um fator-chave na migração para fundos de baixo custo, classes de cotas e tipos de fundos”, explicaram, especialmente os ETFs.
Ainda assim, a Morningstar destacou que esses números médios derivam de um cenário heterogêneo, no qual diferentes segmentos do mercado de fundos mútuos e veículos indexados estão passando por fenômenos distintos.
Na parte de menor custo do espectro, os fundos mútuos indexados e os ETFs “estão se aproximando de um piso, com muitos já cobrando menos de 0,05%”, destacaram. Por outro lado, no segmento de estratégias mais caras, o surgimento de ETFs ativos e estratégias alternativas “contribui para o lançamento de fundos mais caros do que os observados anteriormente”.
A preferência dos investidores
Além das diferentes preferências dos investidores, o estudo da Morningstar Manager Research mostra que as taxas determinam o ritmo dos fluxos dos fundos.
Desde 2000, segundo a instituição, os fluxos líquidos apresentam tendência de alta para fundos e classes de cotas cujas taxas estão entre as 20% mais baixas de suas respectivas categorias. No ano passado, esses fundos receberam fluxos de US$ 694 bilhões.
Em contrapartida, os fluxos para os 80% restantes dos fundos foram negativos em dez dos últimos 11 anos. Em 2025, esses veículos, em conjunto, registraram saídas líquidas de US$ 244 bilhões.
“Essa diferença de US$ 939 bilhões em fluxos é bastante expressiva, mas está um pouco abaixo da diferença histórica de US$ 1,2 trilhão registrada em 2024”, destacaram.
Nesse sentido, a provedora de informações ressalta que seus estudos mostram que as taxas são um bom indicador para os retornos futuros. “Os fundos de baixo custo geralmente têm maiores probabilidades de sobreviver e superar seus pares mais caros. É encorajador ver os investidores preferirem esses fundos”, afirmou o relatório.



