A Invesco está impulsionando seu negócio na América por meio de duas alavancas: uma nova estrutura e um acordo estratégico com a LarrainVial. Atualmente, a gestora supervisiona, entre o mercado de US Offshore e a América Latina, 35 bilhões de dólares, sendo Íñigo Escudero, Head of Southern Europe & Latin America da Invesco, seu principal responsável na região.
No início, a gestora mantinha os mercados de US Offshore e América Latina separados, mas, após ampliar suas responsabilidades e ser nomeado também responsável pelo negócio no sul da Europa, Escudero tomou uma decisão relevante: fundir ambas as regiões. “Era uma decisão que fazia sentido porque o vínculo entre ambos os mercados é enorme. No US Offshore operamos há mais de quinze anos e contamos com o grande trabalho que Rhett Baughan, Head of US Offshore Distribution da Invesco, vem realizando. Lá crescemos de forma considerável nos últimos cinco anos e temos cerca de 6 bilhões de dólares em US Liquidity, o que possivelmente nos torna a maior gestora internacional em liquidez. Para a América Latina, temos Begoña Gómez, que até agora era responsável por Latam para Active, e agora também passará a cuidar da parte de US Offshore; de modo que Baughan reportará diretamente a ela. Por fim, para a área de ETFs, Laure Peyranne, diretora de ETFs para Ibéria, América Latina e US Offshore, continuará liderando o negócio”, explica Escudero.
Para compreender essa mudança na estrutura da Invesco, é necessário abordar sua segunda alavanca de crescimento, a ampliação do acordo estratégico com a LarrainVial. Durante mais de 18 anos, a Invesco colaborou com a gestora chilena na distribuição em toda a América Latina. Até o ano passado, o acordo com a LarrainVial incluía 9,2 bilhões de dólares em fundos mútuos UCITS e 15,6 bilhões de dólares em ETFs da Invesco, mas, com a ampliação da aliança para o canal US Offshore para os produtos UCITS da Invesco, o potencial de crescimento é muito maior.
“Foram muitas as gestoras que se aproximaram de nós para trabalhar juntas e crescer no mercado de US Offshore, mas considerávamos que ainda não era o momento para nós. No entanto, após nosso crescimento nos últimos anos e a evolução da LarrainVial, vimos que agora era o momento ideal para ampliar nossa colaboração por vários motivos: sua expertise, sua equipe de profissionais e nossa relação de quase vinte anos”, destaca Escudero.
Uma estrutura para crescer
Essas duas decisões tomadas pela Invesco se traduzem em uma estrutura clara e pronta para gerar crescimento tanto na parte ativa quanto na passiva. Segundo esclarece Escudero, “Rhett será principalmente responsável pela relação com as casas para o mercado US Offshore, ou seja, focará em atuar onde são tomadas as decisões sobre seleção de fundos e trabalhará para que o maior número possível de fundos da Invesco esteja nas principais listas. Seu trabalho é complementado pelo da LarrainVial, cuja grande experiência e rede nos ajudarão a ‘destravar’ e levar o produto ao investidor”.
A gestora está ciente de que o potencial de crescimento é maior no mercado de US Offshore que, assim como o mercado latino-americano, espera-se que cresça a taxas superiores às do restante dos mercados da EMEA. “Ao falar de crescimento, é preciso destacar que US Offshore e América Latina são mercados um pouco distintos”, observa Escudero, e explica: “Da forma como estamos estruturados, a América Latina é predominantemente institucional, ou seja, fundos de pensão, bancos centrais e autoridades; enquanto apenas 10% é representado por bancos privados e family offices. Com nosso acordo de distribuição ampliado com a LarrainVial, acreditamos que isso vai mudar e poderemos registrar um crescimento significativo no segmento de family offices e bancos privados. Além disso, naturalmente, muitos family offices também têm presença no US Offshore; e esse também é um segmento no qual queremos crescer. Associado a esse crescimento viria uma importante diversificação do negócio, objetivo que também buscamos”.
A gestora considera que há uma oportunidade relevante de crescimento nesse segmento, especialmente considerando que a indústria de family offices na América Latina se aproxima de 100 bilhões de dólares, dos quais mais de 55% são investidos em produtos de US Offshore. “Estamos falando de entre 55 bilhões e 60 bilhões de dólares. A ressalva é que cada país é diferente e tem uma configuração distinta, e por isso o conhecimento local é tão relevante. Por exemplo, no México, 90% do que é investido em US Offshore é feito em ETFs, mas no Chile os ETFs representam apenas 30%, na Colômbia 10% e no Peru 25%”, comenta Escudero.
Sobre seus objetivos de crescimento, Escudero evita dar um número específico, mas reconhece que, em suas perspectivas para América Latina e US Offshore, buscam crescer “a taxas superiores às de outros mercados igualmente maduros, como Espanha ou Itália”. E acrescenta: “Para US Offshore queremos, no mínimo, dobrar os ativos no prazo de cinco anos”.
Do advisory ao investidor
Dada a ampla gama de produtos que a gestora possui, o mantra para esse crescimento será, segundo Escudero, “continuar oferecendo a solução de investimento que melhor se adapte a cada investidor, mercado e país”. Segundo ele, a peça-chave para encaixar suas soluções de investimento são os assessores: “Diferentemente do que vemos em outras regiões europeias, na América a decisão sobre o fundo depende dos banqueiros privados, portanto é necessária uma rede comercial muito forte e próxima”.
Em relação ao que os investidores demandam, considera que, apesar das tendências, a essência mudou pouco. “Estamos diante de clientes com carteiras bastante diversificadas, que gostam bastante de fundos multimercado, como o nosso Global Income. Às vezes preferem fazer sua própria combinação e mesclam nas carteiras fundos de renda fixa e renda variável ou optam por carteiras modelo (MPS), que agora ganharam popularidade”, aponta.
Entre as tendências observadas nesse mercado, Escudero destaca a mudança geracional. Segundo sua experiência, “as novas gerações exigem novos canais de comunicação, mas continuam sendo investidores tradicionais que buscam rentabilidade e segurança para seu capital”.



