A forte desvalorização do dólar ante o real brasileiro tem sido uma boa notícia para a Avenue. Em abril, a principal plataforma de acesso ao mercado americano registrou a melhor captação mensal de sua história, segundo o Diretor de Institucional da Avenue, Caio Azevedo. A empresa não divulga números.
“Tivemos a melhor captação já registrada”, diz o executivo em entrevista a Funds Society, atribuindo o movimento à volatilidade do câmbio. “Seja para cima ou para baixo, a gente consegue captar muito bem. Usualmente, a entrada de fluxo na plataforma é menor em períodos de menor oscilação”, afirma.
Ele diz que o sentimento do momento é algo como um FOMO (Fear of Missing Out) do público, que vê o dólar a R$ 5 como um bom preço de compra. E o fluxo é pulverizado em diversos canais, como wealth, advisory e family office. A direção desse capital é principalmente nos equities americanos mais populares.
“S&P, Nasdaq, ETFs e ações continuam sendo os principais”, afirma. “Ainda temos um fluxo relevante para o setor de IA. Para as Magnificent Seven”.
ETPs entram na plataforma
No lado institucional, Azevedo segue buscando ampliar a oferta de estruturas para o mercado B2B. Nesse contexto, a Avenue prepara o lançamento de ETPs (Exchange Traded Products) em parceria com a FlexFunds, mirando especialmente assessorias e gestoras menores que buscam acessar estruturas offshore sem precisar montar veículos próprios.
Os ETPs são certificados listados internacionalmente — normalmente via Irlanda e distribuídos por plataformas como a Euroclear — que permitem “empacotar” estratégias de investimento em um ativo negociável com ISIN próprio. Na prática, a estrutura funciona como uma alternativa mais simples e eficiente aos fundos offshore tradicionais, reduzindo custos operacionais e facilitando a distribuição internacional de produtos financeiros.
“Se você é gestor ou assessor e não tem escala para operacionalizar uma estrutura offshore, o ETP resolve isso”, afirma.
Segundo ele, já existem conversas com mais de 15 gestoras e assessorias interessadas no modelo. A expectativa é que a estrutura esteja operacional nos próximos três a quatro meses.
O produto deve funcionar principalmente como ferramenta para o mercado institucional e de assessorias, permitindo empacotar estratégias em um ativo internacional com ISIN próprio.
Plataforma lança fundo com a Verde Asset
O timing não poderia ser melhor para algumas assets brasileiras que passaram a enxergar na Avenue uma nova forma de captar recursos do investidor local: por meio de fundos internacionais.
Com uma estrutura montada em Cayman, chamada Avenue Funds Hub, a empresa criou um novo canal potencial de distribuição para gestoras brasileiras interessadas em acessar o investidor offshore.
“A gente montou uma estrutura onde facilita o acesso desses fundos. É tudo operacionalizado pela Avenue”, explica. Segundo ele, as gestoras não precisam necessariamente ter uma estrutura offshore própria para acessar a plataforma.
“A gente conseguiu criar uma estrutura mais simples, mais direta e menos custosa”, afirma. O movimento começou com nomes já conhecidos do mercado brasileiro, como Kinea, Itaú Asset e Verde, que passaram a disponibilizar produtos globais por meio da estrutura da plataforma.
No caso da Verde, a gestora estreia na Avenue com uma estratégia global de ações fortemente exposta ao tema de inteligência artificial, apostando que o ciclo atual de investimentos em tecnologia ainda está longe do fim. A carteira combina empresas ligadas a infraestrutura, semicondutores e tecnologia americana, refletindo a visão da casa de que a IA representa uma transformação estrutural da economia global.
“É engraçado, porque quando o brasileiro pensa em investir lá fora, imagina sempre os grandes players globais. Mas o investidor também quer acessar as marcas que ele já conhece aqui no Brasil”, afirma Azevedo.
Segundo ele, a Avenue mantém conversas com diversas outras gestoras brasileiras interessadas em acessar o canal internacional.
“Tem muita coisa acontecendo e nomes que os clientes gostariam muito de acessar”, diz.
Além dos fundos brasileiros, a empresa também distribui uma ampla prateleira internacional. Hoje, a plataforma reúne mais de mil fundos globais, incluindo estratégias de renda fixa, ações, alternativos e UCITS.
