Ao longo de seus 25 anos operando na América Latina, na empresa de tecnologia bancária Temenos, eles viram como a transformação digital foi se consolidando na indústria de gestão patrimonial. Olhando para frente, a expectativa da empresa é que essa tendência continue se aprofundando, com o mercado de luxo como um espaço especialmente fértil para esse tipo de soluções.
Para o representante da companhia para a região, atualmente ainda estamos apenas vendo o início da onda de transformação tecnológica na indústria financeira. “Hoje estamos começando a ver os primeiros benefícios se estendendo a outros mercados em temas de uso de educação financeira e canais digitais. Essa é a peça que possibilita que os usuários desse tipo de produto estejam mais propensos ou mais predispostos a adotar ferramentas – inclusive a inteligência artificial – para a parte de investimentos”, disse Alejandro Masseroni, Regional Sales Leader da Temenos, em conversa com a Funds Society.
No futuro, um espaço que estão observando com atenção é o mercado de “afluentes”, um segmento mais massivo ao qual as empresas de wealth management têm aberto as portas, apoiadas pela tecnologia. “No mercado mais afluente é onde vemos que há maior potencial, por uma questão de volume”, explica.
O executivo descreve um efeito “bola de neve” na adoção de tecnologia no setor. “Os usuários que começaram a usar suas ferramentas para suas operações do dia a dia, para produtos mais simples, hoje são os que estão confiando em investir ou fazendo seus primeiros investimentos nesses canais”, comenta.
O potencial do mercado affluent
Para Masseroni, o encanto de tecnologias como a inteligência artificial é que auxiliam a assessoria de investimento. Não substituindo o executivo ou assessor financeiro, mas sim fornecendo informação, respondendo aos interesses dos investidores e entendendo suas necessidades. A ideia, segundo ele, é que os clientes a utilizem como uma espécie de “copiloto”.
“No mercado afluente, há mais a ser feito para empoderar o executivo”, afirma o representante da Temenos. Dada a natureza massiva do setor, as ferramentas tecnológicas têm o potencial de ampliar a atuação de um assessor financeiro. “É onde vai haver uma mudança mais drástica”, acrescenta, em termos de criar novas ferramentas e potencializar os assessores.
Nesse sentido, Masseroni destaca que é o maior acesso a estratégias de investimento para patrimônios menores que tem impulsionado o crescimento “importante” que o segmento affluent tem apresentado. “O importante é entender a nova onda de investidores que existe graças a esses canais digitais e essas novas formas de investir”, indica.
Subindo na escala de capitais, para as carteiras de alto e ultra alto patrimônio, a visão da Temenos é que será gerado um sistema de atendimento híbrido, que preserve algumas características da assessoria financeira tradicional com o ganho de eficiência das ferramentas tecnológicas. Isso inclui aspectos operacionais e também informação especializada.
Dinâmica na América Latina
Em linha com essa tendência, na empresa tecnológica veem um negócio atraente na América Latina, onde têm presença há 25 anos. Atualmente, operam no México, Brasil, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia e mercados relevantes na América Central e no Caribe.
Sobre quais enxergam como espaços com maior potencial de crescimento, Masseroni ressalta que “o maior potencial está onde há menor inserção da indústria financeira na população”. Por exemplo, indica, o México, que conta com uma oferta ampla, mas concentrada em certos segmentos de clientes, e o Brasil, onde as plataformas de investimento não tiveram a mesma massificação que o sistema transacional Pix.
Para isso, ressalta, é fundamental que se construam as bases e a educação, que trazem confiança no momento de usar plataformas. Para que as pessoas passem a investir nesses canais, primeiro é necessário estabelecer seu uso em transações básicas e no consumo de produtos financeiros mais simples, como depósitos bancários.
Por outro lado, onde observam maior penetração de ferramentas tecnológicas no setor de wealth management é no Chile e em alguns mercados do Caribe e da América Central, destacando Panamá, República Dominicana, Bermudas e Bahamas, entre outros. Nesses mercados, a Temenos tem observado uma alta atividade de transformação digital.
Esse impulso tem sido liderado pelos serviços voltados a altos e muito altos patrimônios. Hoje, acrescenta Masseroni, “estão buscando chegar a segmentos de patrimônios mais baixos, para torná-lo mais massivo”.
“Parte do potencial da região é que também se investe muito”, onde as instituições estão aplicando recursos para se transformar, acrescenta.



