Embora tenha havido algum ruído em diferentes classes do universo de ativos alternativos, a expansão desses investimentos segue de vento em popa. A expectativa é que o ritmo de crescimento continue, levando os mercados privados a patamares nunca vistos, segundo estimativas da plataforma especializada Preqin.
Considerando as dinâmicas de private equity, venture capital, dívida privada e ativos reais, juntamente com um ritmo mais lento de crescimento dos ativos sob gestão, a expectativa é que os ativos alternativos, incluindo hedge funds, cresçam a uma taxa composta anual de 8,5% nos próximos cinco anos.
A firma prevê que os mercados privados alcançarão US$ 34,12 trilhões até 2031. Ainda assim, ressaltou no relatório, esse valor continua sendo uma pequena parcela dos US$ 290 trilhões que a Preqin estima para o mercado investível total, entre mercados públicos e privados.
“Os motores fundamentais por trás do crescimento dos mercados privados continuam intactos. As companhias de capital fechado têm opções de financiamento cada vez mais variadas, tornando a permanência nessa condição uma alternativa viável à abertura de capital”, comentou a firma.
Com uma nova onda tecnológica decorrente da disseminação da inteligência artificial, private equity e venture capital, em particular, estão bem posicionados para capturar boa parte do valor criado. “Exemplos recentes de grandes companhias de capital fechado que alcançam uma escala considerável antes de acessar os mercados privados ressaltam quanto valor pode ser acumulado antes que os investidores dos mercados públicos tenham a oportunidade de participar”, apontou o relatório.
Necessidades de financiamento e de carteiras
Há também o componente de infraestrutura, com a dimensão das necessidades de capital de longo prazo exigidas pela segurança energética, pela infraestrutura de IA, pela internalização das cadeias industriais e pelas construções tradicionais. Esses elementos, preveem os especialistas da Preqin, continuarão atraindo investidores para áreas antes financiadas predominantemente pelos governos.
“Os profundos déficits fiscais em muitas economias desenvolvidas reforçam essa necessidade, à medida que os balanços públicos se tornam menos capazes de financiar integralmente os investimentos necessários”, indicaram.
Ao mesmo tempo, há uma evolução do lado dos investidores, que estão mudando a forma de enxergar os mercados privados. “A crescente adoção da abordagem de carteira total (total portfolio approach) por investidores institucionais de destaque significa que estamos começando a abandonar as classificações tradicionais de classes de ativos para considerar as exposições que podem ser obtidas por meio dos investimentos públicos e privados”, afirmaram.
A oferta de produtos também vem evoluindo, permitindo a diferentes investidores acessar os benefícios dos mercados privados e controlar a liquidez em um contexto de períodos de investimento cada vez mais longos.
“Espera-se que os avanços no aprofundamento do mercado secundário continuem, com aumento da flexibilidade dos LPs para administrar suas posições”, projetou a Preqin.
Mudanças no ambiente dos alternativos
Embora as perspectivas sejam positivas para as classes de ativos alternativos, o ambiente está mudando e também afeta as condições de mercado. Segundo a plataforma especializada, os mercados privados operam sob “condições econômicas fundamentalmente diferentes” das observadas no passado recente.
Alguns gestores, alertou, enfrentam dificuldades com negócios fechados em uma era de juros nominais baixos, o que gerou um acúmulo de ativos maduros, com alguns fundos estendendo seus prazos e com queda nas expectativas de desempenho desses ativos.
Paralelamente, a desaceleração das distribuições de capital aos LPs complicou a captação de recursos para novos veículos. Essa combinação cria um contexto em que a dispersão é mais clara do que nunca.
“O impacto não é universal; uma maior dispersão no desempenho, na captação de recursos, nas realizações e nos resultados gerais significa que a seleção de gestores continuará sendo um foco importante para os investidores”, ressaltaram.
A Preqin também destacou que isso cria uma situação paradoxal, com “melhores perspectivas para o capital que está sendo alocado no ambiente de mercado atual”. Isso porque os processos competitivos podem ter menos participantes do que no pico de 2021, o que pode resultar em menor concorrência e múltiplos de entrada mais baixos.
“Dado o momento do ciclo em que estamos, os fundos das safras de 2026 e 2027 poderão apresentar perspectivas mais fortes do que os veículos que alocaram capital em anos anteriores”, indicaram.
Para o futuro, a expectativa é que a trajetória dos juros de longo prazo continue sendo um fator central para os responsáveis pelas decisões de investimento, especialmente enquanto as demandas estruturais de capital de longo prazo permanecem elevadas, tanto para governos quanto para as grandes empresas de infraestrutura de computação em nuvem.
