Repercutiu nesta segunda-feira (6) um vídeo do ex-presidente Michel Temer declarando apoio ao candidato vitorioso do primeiro turno.
A declaração do ex-chefe do Executivo não se dá por mera convicção no primogênito de Bolsonaro, se é que ela existe em algum nível.
Mas por lealdade a um grande aliado e amigo, Alexandre de Moraes, e pela pacificação institucional, tema que vem sendo repetido pelo constitucionalista em qualquer oportunidade.
“O que há no Brasil, lamento dizê-lo, é uma radicalização de posições (…) Nos últimos tempos as pessoas saem muito do seu quadrado constitucional, e ao saírem do seu quadrado constitucional, elas violam o Estatuto”, disse Temer em eloquente discurso durante evento da ANFIDC, em 2 de setembro. “Isso dá, meus amigos, insegurança jurídica, e a insegurança jurídica seguramente atrapalha a atividade dos senhores”, prosseguiu.
Nos últimos anos, Temer tem sido chamado a apagar incêndios em Brasília. Uma eminência parda ativa.
Foi assim após o episódio em que Jair chamou Moraes de “canalha” na Avenida Paulista, disparando o dólar e derrubando a bolsa, em setembro de 2021.
E com a articulação sutil entre Supremo e Congresso pelo “PL da Dosimetria”, nome inventado pelo presidente a fim de substituir o então “PL da Anistia”, há um ano.
É o apaziguador, o “Winston Wolfe” da política, novamente em ação.
Michel nunca apoiou nenhum Bolsonaro publicamente.
E hoje seu apoio é justamente a um projeto de governo que tem Alexandre como nêmesis, colocando sua sobrevivência política em seu maior nível de ameaça, ante revelações dramáticas do caso Master e o resultado do pleito, que indica provável vitória de Flávio, além da consolidação de um Congresso com seu maior alinhamento à direita desde após o fim da ditadura.
Não é um aceno gratuito, é pragmático. É a Realpolitik.
Faz menos de duas semanas que Temer esteve presente no casamento do filho de Moraes, Alexandre Barci.
Foi uma das poucas figuras políticas presentes, junto ao ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e ao ex-deputado Gabriel Chalita, próximo à família Temer, que foi cerimonialista do evento.
Às vésperas das últimas eleições, em 2022, no segundo casamento da primeira filha de Temer, Luciana, Alexandre compareceu, acompanhado de sua esposa, junto ao ex-presidente. É uma proximidade notável, e eventualmente pública.
No casamento de Alexandre Barci, já com uma crise deflagrada no Supremo, o ex-presidente reuniu-se também com importantes colegas de seu indicado, como Gilmar Mendes e Flávio Dino, também alvos prováveis de uma retaliação bolsonarista ao Judiciário.
Dessa intimidade, a lealdade chega em nome de um Brasil sem ruptura institucional, pleiteando uma “reconexão” entre o Executivo e o Judiciário. Resta saber se a conversa já foi iniciada e se vai dar frutos.

