A América Latina está participando da tendência global de crescente adoção dos mercados privados. E, embora a demanda por ativos alternativos entre os capitais da região se concentre principalmente nos mercados desenvolvidos — onde os Estados Unidos e, em segundo lugar, a Europa são os principais destinos —, no futuro, os capitais da região estão olhando para mais perto de casa.
Essa é uma das conclusões de um estudo da Preqin, no qual foi realizada uma pesquisa com uma variedade de investidores na América Latina. A análise reuniu a visão de 73 entidades em toda a região, com uma pesquisa realizada entre março e abril deste ano. Esse grupo, detalhou a empresa especializada em alternativos, representa um conjunto diversificado de investidores, incluindo gestores de fundos, bancos de investimento, family offices e fundos de pensão.
Com base nesse universo de estudo, a empresa concluiu que os latino-americanos mantêm um forte apetite pelos mercados privados na região, com um entusiasmo crescente. Na pesquisa de 2026, 84% dos entrevistados afirmaram que a América Latina oferece as melhores oportunidades de investimento para os próximos 12 meses. Em seguida aparece a América do Norte, com 47% das preferências.
Isso representa um aumento em relação à medição do ano anterior. Em 2025, eram 67% dos investidores latino-americanos que viam mais oportunidades em sua própria região.
O pano de fundo desse crescente interesse é um mercado de ativos alternativos que desempenha um papel cada vez mais importante dentro dos portfólios. Além disso, um dos motores dessa tendência também se fez presente entre os latino-americanos: a democratização de estruturas alternativas, mais sofisticadas, que anteriormente estavam disponíveis apenas para grandes investidores institucionais.
Ainda assim, a pesquisa da Preqin com investidores da América Latina reúne a visão dos ecossistemas locais sobre os planos de alocação de capital e as prioridades na seleção de ativos e gestores.
Ativos e países favorecidos
Em relação às classes de ativos, o segmento em que os capitais regionais estão mais otimistas é o de infraestrutura. Cerca de 65% dos entrevistados apontam esse espaço como a maior oportunidade dentro da região nos próximos 12 meses.
Isso, segundo a empresa em seu relatório, “indica um interesse crescente em ativos ligados ao desenvolvimento de longo prazo e aos serviços essenciais”.
Ao mesmo tempo, acrescentaram, esse sentimento se reflete nos planos de alocação de capital dos LPs da região. Mais da metade, destacaram, planeja comprometer mais capital em ativos de infraestrutura durante o próximo ano.
“Embora os resultados da pesquisa sugiram que a infraestrutura lidera em termos de oportunidades futuras, o crédito privado continua sendo uma área de interesse relevante”, afirmou a empresa. Além disso, um terço dos entrevistados afirma que essa classe de ativos superará as expectativas nos portfólios focados na América Latina durante os próximos 12 meses. Isso, observou a Preqin, “reforça seu papel como uma posição core para muitos investidores regionais”.
Em relação aos mercados, os polos da região continuam sendo os de sempre: Brasil e México, superando 60% e 50% das preferências, respectivamente, seguidos por Colômbia e Chile (com pouco menos de 40%).
Quanto aos managers com os quais os investidores latino-americanos trabalham, os resultados do estudo indicam que os GPs interessados em captar capital na região precisam demonstrar mais do que apenas escala global.
“Os investidores continuam atribuindo um prêmio à credibilidade, à relevância local e à especialização em setores”, afirmaram no relatório, acrescentando que “a expertise por setor continua sendo uma consideração fundamental para os investidores que estão avaliando GPs internacionais”.



