A eleição presidencial de 2026 deve ser ainda mais polarizada que a disputa de 2022 e terminar com uma diferença estreita entre os dois candidatos que chegarem ao segundo turno, segundo a XP Investimentos. A avaliação foi apresentada por Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econômica e sócio da instituição.
“É uma sociedade ainda mais polarizada. Isso tem uma implicação direta: é uma eleição muito acirrada. Se alguém tiver uma confiança, uma convicção de que sabe quem ganha a eleição, desconfie. Ninguém sabe”, afirmou Margato, durante o evento Black Bull Brasil Family Office & Investors Summit 2026, realizado na última quinta-feira (27). No entanto, com base em pesquisas internas, a plataforma tem visto uma ascensão na rejeição e na preferência pelos candidatos antípodas do pleito deste ano: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
No caso, a XP acompanha o grau de divisão do eleitorado por meio de um índice de polarização política, elaborado a partir de uma adaptação simplificada de um estudo acadêmico canadense. Na pesquisa, cada entrevistado atribui notas de 1 a 10 aos candidatos mais competitivos da direita e da esquerda. A diferença entre as duas avaliações é calculada para cada participante e, posteriormente, é extraída a média das respostas.
Quanto maior a distância entre as notas dadas aos dois candidatos, maior o grau de polarização. Um eleitor de direita, por exemplo, pode atribuir nota 10 ao candidato de seu campo político e 2 ao concorrente da esquerda — movimento que se repete de forma inversa entre os eleitores de esquerda.
Segundo Margato, o indicador da XP permaneceu próximo de 4,5 pontos entre 2004 e 2015, período marcado principalmente pelas disputas entre PT e PSDB. O índice subiu para aproximadamente 5,5 pontos na eleição de 2018 e chegou perto de 7 em 2022. Nas simulações mais recentes da instituição, já se encontra entre 7,5 e 8 pontos.

“Na média do Brasil, o cara que é mais à direita dá uma nota 10 para o seu candidato à direita e uma nota 2 para o candidato à esquerda, e vice-versa. Nove e um, enfim. É uma sociedade ainda mais polarizada”, explicou.
O agregador de pesquisas da XP também mostra Lula ligeiramente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com uma diferença de aproximadamente três a quatro pontos percentuais. A distância, entretanto, vem diminuindo, e o movimento mais recente do eleitorado parece favorecer a direita, de acordo com Margato.
“A maioria dos times de análise política fala em um ligeiro favoritismo do governo Lula, mas esse momentum das últimas semanas, e faltam algumas até o primeiro turno da eleição, parece estar do outro lado”, disse.

A XP espera que, na proximidade do primeiro turno, algumas pesquisas mostrem Lula à frente, outras indiquem vantagem de Flávio Bolsonaro e a maioria aponte empate técnico. Nesse ambiente, o grau de incerteza deve dificultar a tomada de grandes posições no mercado financeiro com base na expectativa sobre o resultado eleitoral.
“Vai ser uma diferença muito apertada. Acho improvável que quem ganhar o segundo turno tenha mais de dois pontos percentuais de vantagem sobre o oponente”, projetou Margato.
