A Haltin Capital, gestora especializada em special situations no mercado imobiliário, fechou um acordo para adquirir a totalidade do CRI Helvetia, atualmente na carteira do fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11). A operação será realizada por R$ 23,5 milhões, por meio do Haltin Special Sits Real Estate FIDC.
O ativo adquirido está inadimplente e possui saldo devedor próximo de R$ 60 milhões, mais de duas vezes o valor desembolsado pela gestora. O crédito está vinculado ao Helvetia Le Jardin, empreendimento residencial horizontal de alto padrão localizado em Indaiatuba, no interior de São Paulo.
A operação coloca a Haltin em uma posição ativa na recuperação do crédito. Além da dimensão financeira, a estratégia envolve a condução do ativo imobiliário e a reorganização da operação para buscar a recuperação do investimento.
O Helvetia Le Jardin prevê, em sua primeira fase, 22 residências, com áreas privativas entre 272 m² e 455 m², além de infraestrutura de lazer e áreas comuns. Segundo as últimas informações públicas divulgadas pelo CACR11, essa etapa do empreendimento estava cerca de 76% concluída.
O CRI entrou em situação de inadimplência após o devedor descumprir obrigações financeiras e contratuais.
Haltin assume estratégia de recuperação
Com a aquisição de 100% do crédito, a Haltin pretende reorganizar a governança da operação e avaliar quanto será necessário para concluir o empreendimento. A gestora também deverá revisar a estratégia comercial e analisar possibilidades de monetização das unidades, dos recebíveis e das demais garantias associadas ao CRI.
“O Helvetia reúne exatamente as características das operações para as quais a Haltin foi criada: um ativo imobiliário relevante, um crédito em situação de estresse, garantias reais e a necessidade de uma atuação financeira, jurídica e operacional coordenada”, afirmam João Oliveira e José Eduardo Palaia, sócios-fundadores da Haltin Capital.
A aquisição por R$ 23,5 milhões representa aproximadamente 39% do saldo devedor informado, embora essa diferença não possa ser interpretada diretamente como retorno potencial da operação. A recuperação dependerá, entre outros fatores, do valor efetivamente realizável das garantias, dos recursos necessários para o empreendimento e da capacidade de monetização dos ativos vinculados ao crédito.
Segundo Oliveira, a compra da integralidade do CRI permite à gestora assumir diretamente a condução dessa estratégia.
“A aquisição integral do crédito nos permitirá assumir uma posição ativa na condução da recuperação. Não estamos adquirindo apenas um instrumento financeiro, mas uma operação que demanda presença no ativo, reorganização da governança e capacidade de implementar uma solução completa”, afirma.
A prioridade, de acordo com o executivo, será preservar as garantias e organizar os diferentes interesses envolvidos na operação antes de definir a estratégia de recuperação.
“Nossa atuação será orientada pela geração de valor a partir do ativo real. Avaliaremos de forma integrada a conclusão das obras, a comercialização das unidades, os recebíveis existentes e todas as alternativas disponíveis para a recuperação do investimento”, acrescenta Oliveira.
Aposta em special situations imobiliárias
A transação está alinhada à estratégia da Haltin de investir em situações de maior complexidade no setor imobiliário. O foco inclui créditos inadimplentes, reestruturações, necessidades especiais de capital e empreendimentos que exijam uma combinação de atuação financeira, jurídica e operacional.
Fundada por João Oliveira e José Eduardo Palaia, a Haltin Capital atua na aquisição e estruturação de créditos e ativos imobiliários, com foco em operações que demandem soluções customizadas.
A aquisição do CRI Helvetia ainda depende do cumprimento das condições precedentes previstas nos documentos da transação.
