Em um contexto em que os investidores estão reposicionando suas carteiras para aproveitar os ventos favoráveis dos mercados internacionais, tanto a Natixis Investment Managers quanto a Virtus Investment Partners vêm estreitando seus laços com os mercados do Cone Sul. Buscando conquistar as alocações destinadas ao exterior, as gestoras multiboutique têm percorrido a região para apresentar suas estratégias preferidas.
A parada mais recente das empresas foi em Santiago, no Chile, onde realizaram um evento conjunto voltado a assessores financeiros. Na ocasião, a gestora francesa, por meio da Harris Oakmark — uma das casas especializadas que integram sua rede —, destacou sua estratégia de renda variável dos Estados Unidos, enquanto a multigestora sediada em Connecticut enfatizou a estratégia de renda fixa de mercados emergentes da Stone Harbor.
O roadshow da Natixis também passou por Argentina e Uruguai. Esses dois mercados já haviam recebido uma visita da Virtus alguns meses antes, gestora que também se prepara para visitar o Paraguai no futuro. No caso da Virtus, a distribuição é realizada por meio da Latam Financial Services, que também organiza viagens periódicas de clientes ao escritório da multiboutique em Nova York e a cidades como Carmelo, Sevilha, Chicago e Las Vegas.
“A apresentação dessas estratégias — inseridas em nosso modelo multiboutique — responde diretamente ao contexto atual dos mercados globais: mudanças nas taxas de juros, volatilidade geopolítica e a necessidade de buscar retornos assimétricos ou descorrelacionados”, explica à Funds Society Lucas Pérez, Country Head da Natixis para o Cone Sul.
Segundo o executivo, as visitas à região têm um caráter estratégico, conectando a gestora aos principais assessores financeiros, bancos privados e selecionadores de fundos dos mercados do Cone Sul. O atendimento à região é realizado a partir do escritório de Montevidéu, de onde a empresa oferece, além da distribuição dos fundos de suas gestoras afiliadas, o serviço de consultoria de carteiras Portfolio Clarity, voltado a assessores.
O atrativo dos mercados do Cone Sul
“Temos interesse na região porque ela está em constante crescimento, especialmente o Uruguai, que se posicionou como um hub financeiro regional para gestão patrimonial”, afirma Matías Giménez, executivo da Latam Financial Services responsável pela distribuição da Virtus, que administra cerca de US$ 45 bilhões em ativos. “Argentina e Uruguai demonstraram com sucesso o movimento dos grandes bancos em direção à assessoria independente, o que cria maiores oportunidades para os fundos de investimento”, acrescenta.
No caso do Chile, a experiência da distribuidora é mais recente. A empresa expandiu sua cobertura para o país em meados de 2022, apostando em um mercado consolidado, com uma ampla exposição internacional nos fundos de pensão. Giménez descreve o país como “uma grande oportunidade para essa classe de ativos, tanto no mercado institucional quanto no varejo”.
Na Natixis, a percepção sobre o potencial dos mercados do Cone Sul é semelhante. “O viés doméstico e a concentração em classes de ativos tradicionais continuam sendo desafios relevantes para muitas carteiras. Vemos uma grande oportunidade de aproximar as capacidades especializadas de nossas afiliadas em áreas como renda fixa flexível, renda variável ativa, investimentos alternativos e mercados privados, contribuindo para a construção de carteiras mais resilientes”, afirma Pérez.
Para o executivo responsável pela região, há três tendências no Cone Sul que favorecem gestores como a Natixis. Em primeiro lugar, os selecionadores de fundos estão buscando estratégias mais flexíveis e ativas após o ciclo de alta dos juros. Nesse contexto, ele ressalta que ainda existem muitas carteiras tradicionais “altamente concentradas e correlacionadas”.
Por fim, Pérez destaca um interesse renovado pela gestão ativa. “Em um cenário marcado por incertezas geopolíticas, mudanças regulatórias e ciclos de mercado cada vez mais complexos, os investidores valorizam estratégias globais geridas por equipes especializadas, capazes de identificar oportunidades de geração consistente de alfa.”
As estratégias em destaque
No evento mais recente, voltado a assessores financeiros, a Natixis apresentou ao público chileno a estratégia US Equity Large Value, da Harris Oakmark. Em um momento em que as discussões sobre inteligência artificial, avaliações de mercado e concentração dos índices acionários ganham força, o gestor de portfólio Daniel Nicholas destacou a importância de diversificar a parcela de renda variável norte-americana nas carteiras globais.
“Hoje, o mercado está um pouco eufórico em relação ao nível em que deveria estar”, afirmou o profissional, acrescentando que a empresa não enxerga oportunidades apenas nas maiores companhias ligadas à inteligência artificial. Em especial, a gestora vê valor em empresas que estão utilizando essa tecnologia para fortalecer seus negócios.
A Virtus, por sua vez, foi representada por Brian Estiz, gestor do Emerging Markets Corporate Debt Fund, da Stone Harbor, que ressaltou o potencial dos mercados que continuam crescendo em ritmo superior ao das economias desenvolvidas.
O fundo mantém um viés favorável à América Latina, região que representa uma sobreponderação de 34% da carteira. Dentro desse segmento, os países preferidos da gestora são Brasil e México. Europa e África também estão sobreponderadas na estratégia, enquanto Ásia e Oriente Médio permanecem subponderados.



