A indústria de gestão patrimonial da América Latina vem há anos rondando os mercados privados: interessada, mas estruturalmente incapaz de distribuí-los em escala. Hoje, essa tendência está mudando, à medida que os ETNs privados se tornam a infraestrutura que viabiliza essa distribuição. Não se trata de um novo produto buscando seu espaço em uma carteira. É uma base de distribuição que está tomando forma e redefinindo como a região acessa os investimentos alternativos.
Uma demanda que o mercado já não pode ignorar
Os investidores de alto patrimônio da América Latina destinaram pelo menos US$ 1 bilhão a produtos alternativos por meio de gestores patrimoniais offshore em 2023, um valor que deveria dobrar em 2024.¹ Não é um dado isolado. Reflete uma mudança estrutural na forma como o capital regional busca exposição aos mercados privados.
Em nível global, quase metade dos gestores patrimoniais identifica a demanda por ativos não listados como um fator crítico em seus planos de crescimento para 2025.² Na América Latina, essa pressão é ainda maior: os clientes pedem acesso, as plataformas precisam ganhar escala e os gestores internacionais buscam canais eficientes para a região.
O gargalo nunca foi a demanda. Foi a infraestrutura.
Uma mudança de mentalidade, não apenas de produto
Em toda a região, as plataformas patrimoniais já não estão testando os ETNs privados como um produto periférico. Estão formando equipes dedicadas, estruturando seus próprios produtos, distribuindo estratégias de terceiros e estabelecendo alianças com gestores globais.
Os três problemas resolvidos pelos ETNs são concretos. Eles simplificam o acesso ao eliminar as barreiras operacionais dos fundos fechados tradicionais. Padronizam a distribuição por meio de uma estrutura de ISIN único que funciona em múltiplas jurisdições. E permitem que as estratégias ganhem escala sem multiplicar a complexidade administrativa.
Com mais de US$ 13,1 trilhões em ativos de mercados privados globalmente em 2025 e os alternativos representando, em média, 28% das carteiras de indivíduos de ultra alto patrimônio (UHNW), as plataformas patrimoniais enfrentam uma pressão crescente para oferecer acesso de nível institucional a essa classe de ativos.³ A pergunta já não é se os clientes querem alternativos. É qual estrutura pode oferecê-los de maneira eficiente e em escala.
Por que o momento é agora
Diversos fatores estão convergindo para fazer deste o momento da infraestrutura, e não apenas do produto.
Consolidação do interesse institucional global na América Latina. A América Latina está passando por uma transição estrutural na qual os investimentos alternativos avançam para além do universo institucional em direção a canais de mercado mais amplos.⁴ Essa transição exige uma camada de distribuição que não existia há uma década.
Chegada de plataformas globais com foco regional genuíno. Nossa aliança com a iCapital é um exemplo concreto: cada ETN privado emitido sob essa estrutura possui um ISIN único para distribuição global, reduz o tempo de lançamento no mercado, fortalece os canais offshore e diminui a complexidade operacional.⁴
Amadurecimento do ecossistema local. O ecossistema fintech da América Latina cresceu 340% entre 2017 e 2023.⁵ Atualmente, as plataformas possuem a capacidade tecnológica para operar produtos que, há poucos anos, seriam inviáveis devido à sua complexidade operacional.
O que vem pela frente
A fase de experimentação com investimentos alternativos na América Latina está chegando ao fim. O que vem agora é a construção.
As plataformas que investirem hoje em capacidades de distribuição estruturada — equipes, tecnologia e relações com gestores globais — estarão mais bem posicionadas para captar a demanda que já está chegando. As que esperarem correm o risco de perder essa janela de oportunidade.
Na LynkMarkets, é exatamente nesse ponto que concentramos nosso foco: oferecer a infraestrutura que permite que bancos privados e plataformas patrimoniais construam, distribuam e escalem estratégias de investimento em toda a região por meio da tecnologia de ETNs. Não como um serviço adicional, mas como a camada sobre a qual está sendo construída a próxima geração da distribuição de investimentos alternativos.
O produto foi o primeiro capítulo. A infraestrutura é o segundo e, na América Latina, esse capítulo está começando agora.
Artigo de opinião de Luciano Acosta, Chief Revenue Officer da LYNK Markets
- Cerulli Associates — Demanda por Investimentos Alternativos Cresce na América Latina e no Mercado U.S. Offshore — cerulli.com
- Natixis Investment Managers — Perspectivas da Indústria de Wealth Management 2025 — im.natixis.com
- Finantrix — Guia do Comprador: Plataformas de Gestão de Investimentos Alternativos para Gestores Patrimoniais — finantrix.com
- iCapital — iCapital Realiza Investimento Estratégico na LYNK Markets — icapital.com
- J.P. Morgan Private Bank — América Latina em 2026: Entre Promessas e Pressões — privatebank.jpmorgan.com
Este documento destina-se exclusivamente a fins informativos e educacionais e não deve ser interpretado como aconselhamento de investimento, jurídico, tributário ou qualquer outro tipo de aconselhamento profissional. As informações aqui contidas refletem dados públicos, pesquisas acadêmicas e relatórios da indústria considerados confiáveis no momento da elaboração; no entanto, sua exatidão e integridade não podem ser garantidas. Quaisquer opiniões expressas são de responsabilidade do autor e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. Investimentos em mercados privados e ativos alternativos envolvem riscos, incluindo perda do capital principal, iliquidez, incertezas de avaliação e risco de seleção de gestores. O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. Os investidores devem consultar seus próprios assessores antes de tomar decisões de investimento.
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