A indústria de fundos negociados em bolsa (ETFs) nos Estados Unidos atingiu um marco em maio ao registrar um novo recorde histórico de 15,69 trilhões de dólares em ativos totais sob gestão, superando a marca anterior de 14,87 trilhões de dólares estabelecida um mês antes, segundo o mais recente relatório elaborado pela ETFGI. O novo recorde foi impulsionado por uma forte onda de alocação de capital ao longo do mês, já que os investidores direcionaram para esses veículos um montante recorde de 837,35 bilhões de dólares em captações líquidas acumuladas no ano.
Somente em maio, o mercado americano registrou uma expressiva entrada de patrimônio, captando 189,01 bilhões de dólares em novos recursos líquidos. Esse fluxo mensal consolidou o acumulado do ano em níveis nunca antes observados. Os 837,35 bilhões de dólares captados nos primeiros cinco meses de 2026 superaram os recordes anteriores, ultrapassando com folga os 443,32 bilhões de dólares registrados no mesmo período de 2025.

Esse desempenho confirma a tendência de forte apetite por esses veículos. A indústria de ETFs nos Estados Unidos acumula 49 meses consecutivos de fluxos líquidos positivos. Essa sequência ininterrupta evidencia a preferência dos investidores pelas vantagens de liquidez, transparência e eficiência fiscal que esses fundos oferecem. Os ativos totais do setor cresceram 16,8% desde o início do ano, passando dos 13,43 trilhões de dólares registrados ao final de 2025.
Essa trajetória de crescimento ocorre em um contexto macroeconômico favorável para a renda variável global. Os mercados acionários internacionais demonstraram notável resiliência estrutural ao longo desta primeira metade do ano, marcada por volatilidade. O índice S&P 500 avançou 5,26% em maio, elevando seu retorno acumulado no ano para 11,27%.
Ao final de maio, o mercado americano contava com 5.283 produtos individuais, administrados por 488 gestoras e negociados em três bolsas nacionais. iShares e Vanguard seguem em um empate técnico na disputa pela liderança do mercado de gestão passiva. A iShares mantém a primeira posição com 28,9% de participação de mercado, enquanto a Vanguard aparece logo atrás, com 28,6%. A State Street Global Advisors ocupa a terceira posição, com 13,2% do mercado total.
A Vanguard se destaca na captação de novos recursos orgânicos, tendo atraído 54,4 bilhões de dólares líquidos em maio, elevando seu total acumulado no ano para 233,8 bilhões de dólares. Ambos os números colocam a Vanguard à frente da iShares, que captou 34,3 bilhões de dólares em maio e 155,9 bilhões de dólares no acumulado do ano. A plataforma SPDR, da State Street, registrou um volume médio diário de negociação de 59,8 bilhões de dólares. No entanto, suas entradas líquidas foram mais modestas em comparação com as concorrentes, somando 10,7 bilhões de dólares em maio e 54,3 bilhões de dólares no acumulado do ano.

O bom desempenho das bolsas fez com que os ETFs de renda variável absorvessem a maior parte do novo capital, captando 78,62 bilhões de dólares no mês. Essa entrada elevou os fluxos acumulados do ano em renda variável para 378,22 bilhões de dólares, um valor muito superior aos 148,51 bilhões de dólares registrados no mesmo período do ano anterior.
As estratégias de renda fixa também registraram uma demanda sólida, à medida que os investidores buscaram rendimento e diversificação. Os fundos de títulos captaram 41,5 bilhões de dólares líquidos durante maio. Com isso, o total acumulado do ano em renda fixa alcançou 151,55 bilhões de dólares, superando os 93,67 bilhões de dólares registrados até maio de 2025.
Por sua vez, os fundos de commodities conseguiram captar 47,9 milhões de dólares em fluxos líquidos positivos durante o mês. Apesar desse ganho marginal, a categoria continua em território negativo no acumulado do ano, com um saldo de saídas de 2,99 bilhões de dólares. Esse resultado contrasta fortemente com as entradas líquidas de 14,18 bilhões de dólares registradas no mesmo período de 2025.
Por fim, as estratégias de gestão ativa captaram 75,95 bilhões de dólares líquidos em maio. Esse ritmo acelerado elevou o volume acumulado no ano para um recorde de 329,09 bilhões de dólares, bem acima dos 177,01 bilhões de dólares registrados no mesmo período de 2025.



