Quase 60% dos fundos multimercados encerraram 2025 com rentabilidade inferior ao CDI, segundo estudo da LUZ Soluções Financeiras que analisou o desempenho de 492 carteiras ao longo do ano e em janelas de 24 e 36 meses. O levantamento indica que, apesar da maioria dos fundos ter apresentado retorno positivo, a performance ficou aquém dos principais benchmarks da categoria.
De acordo com os dados, 58,13% dos fundos registraram retorno abaixo dos 14,31% do CDI em 2025. Na comparação com o IHFA (Índice de Hedge Funds ANBIMA), que avançou 15,32% no período, apenas 30,28% das carteiras conseguiram superá-lo. Já frente ao Ibovespa, que acumulou alta de 33,95%, o percentual de fundos que entregaram desempenho superior caiu para 2,44%.
“Considerando a base analisada, mais de 93% das carteiras fecharam o ano passado com rentabilidade positiva. No entanto, quando comparadas a indicadores como CDI e IHFA, que são benchmarks importantes para a categoria, a performance deixa a desejar”, afirma o consultor de investimentos da LUZ Soluções Financeiras, Jadson João Alves da Silva.
O estudo também contextualiza o desempenho da categoria no cenário da indústria de fundos. Segundo dados da ANBIMA, os fundos multimercados acumulam resgates de R$ 672 bilhões entre 2022 e o fim de 2025, refletindo a perda de espaço desse tipo de estratégia nos últimos anos.
Silva explica que os multimercados apresentam maior volatilidade em relação a carteiras conservadoras, como renda fixa, por permitirem estratégias diversas nos mercados local e global. “Dependendo da estratégia escolhida, estas incertezas e oscilações impactam diretamente a performance”, diz.
Entre os dez fundos com maior rentabilidade em 2025, seis concentraram investimentos no mercado local e quatro tiveram foco global. “O ano de 2025 foi marcado por muitas incertezas e discussões econômicas, políticas e geopolíticas. Estes desdobramentos impactaram o cenário mundial e diferentes ativos. Assim, as carteiras que focaram mais no mercado doméstico acabaram se destacando no ranking de rentabilidade”, explica Silva.
O levantamento também aponta que, entre os fundos que apresentaram desempenho negativo em 2025, apenas um tinha estratégia voltada ao mercado local. “Com exceção de um fundo, todas as demais carteiras que registraram perda em 2025 estão classificadas como Multimercado Alfa Global. Esta informação reforça o fato de que, no último ano, os fundos com estratégias focadas no mercado externo sofreram mais”, observa o consultor.
Na análise de médio e longo prazo, os resultados seguem a mesma tendência quando comparados ao CDI. Em 24 meses, 73% das carteiras não superaram a rentabilidade acumulada de 26,74% do índice. Em 36 meses, apenas 25% dos fundos analisados conseguiram retorno superior aos 43,28% do CDI. Em relação ao IHFA, que teve desempenho inferior ao CDI nesses períodos, mais de 50% dos fundos superaram o índice em 24 meses e 65,5% em 36 meses.
“Quando comparamos o desempenho com o CDI, os resultados apresentam percentuais piores”, conclui Silva.
