Depois de um primeiro semestre em que os fundos de pensão chilenos se inclinaram fortemente para estratégias de renda variável latino-americana, a tendência se reverteu. Recentemente, observou-se uma rotação no portfólio global administrado pelas AFPs, afastando-se dos fundos de ações da região — particularmente do Brasil — e aproximando-se dos grandes mercados asiáticos nos últimos meses. É o que mostra o relatório mais recente de posicionamento das AFPs publicado pela HMC Capital.
“A América Latina passou, pela primeira vez em 2026, para o campo negativo no acumulado do ano, depois de ter sido, durante o primeiro semestre, a única região que se mantinha positiva”, destacou Nicolás Fonseca, Head de Distribuição de Líquidos da gestora. “Até julho, a América Latina havia sido a única região que se mantinha positiva no acumulado e, no início do ano, chegou a registrar seis meses consecutivos de entradas”, acrescentou, complementando o relatório.
Em agosto, as sete AFPs que operam no país andino somaram desinvestimentos líquidos de US$ 280 milhões em ativos latino-americanos, registrando seu terceiro mês consecutivo.
Somadas às saídas líquidas de junho e julho, de US$ 328 milhões e US$ 280 milhões, respectivamente, o acumulado de 2026 recuou para uma venda líquida de US$ 171 milhões. Assim, os fundos de pensão registraram seu primeiro acumulado negativo na classe de ativos.
As maiores vendas ocorreram em estratégias de ações brasileiras, totalizando US$ 184 milhões em agosto. Em seguida, vieram vendas líquidas de US$ 68 milhões na categoria genérica LatAm e de US$ 27 milhões no México.
“É importante esclarecer que se trata de um movimento de fluxo, e não de valorização”, afirmou Fonseca, já que a valorização de mercado da região foi de apenas US$ 72 milhões negativos em agosto. Com isso, o AUM regional recuou de US$ 8,016 bilhões para US$ 7,664 bilhões, respondendo principalmente às vendas líquidas.
“Três meses consecutivos de saídas apontam para uma redução deliberada da exposição regional, mais do que para um ajuste pontual, embora, com as informações disponíveis, não seja possível atribuí-la a uma causa específica”, acrescentou o executivo.
Aproximando-se da Ásia
Do outro lado, enquanto os fundos de pensão chilenos estão desinvestindo em renda variável latino-americana, observa-se um movimento na direção contrária nas estratégias de ações de outras regiões. Os números compilados pela HMC mostram que agosto foi o segundo mês consecutivo de entradas líquidas na classe de ativos, algo que ainda não havia ocorrido em 2026.
A liderança dos fluxos está, sem dúvida, com a Ásia. Embora o acumulado do ano ainda seja negativo para a região, agosto registrou a entrada de US$ 679 milhões de capital institucional nas bolsas da região.
Dentro dessa categoria, também foi observado um certo rebalanceamento das posições. No oitavo mês do ano, as gestoras investiram US$ 580 milhões na bolsa da Coreia do Sul e US$ 308 milhões na de Taiwan. Ambos os países, vale destacar, são considerados entre os mais expostos ao boom da IA, graças à sua exposição a empresas de semicondutores.
Por outro lado, foram registradas saídas parciais de US$ 114 milhões da renda variável da Índia e de US$ 43 milhões das ações chinesas.
Com esses números, a região reduziu seu desinvestimento acumulado no ano para US$ 2,020 bilhões.
A Ásia foi o dado de maior destaque do mês, mas a renda variável internacional, de forma geral, captou fluxos positivos de US$ 312 milhões, somando-se às posições positivas de US$ 338 milhões registradas em julho. No acumulado de 2026, porém, o saldo continua negativo, com desinvestimentos de US$ 5,750 bilhões na classe de ativos.
As maiores vendas do período se concentram na Europa, com US$ 2,370 bilhões no acumulado do ano, aprofundadas por uma venda líquida de US$ 40 milhões em agosto. Nos Estados Unidos, por sua vez, as vendas líquidas acumulam US$ 1,2 bilhão desde o fechamento de 2025, com uma alienação de US$ 31 milhões no mês passado.



