Depois de ocupar o cargo desde 1970, Warren Buffett, o “Oráculo de Omaha”, deixará amanhã seu posto como CEO da Berkshire Hathaway. Tal como estava previsto e anunciado, quem assumirá, já de forma operacional, será Greg Abel. No entanto, Buffett não se desligará totalmente de seu conglomerado financeiro, já que continuará ligado à companhia como presidente do Conselho.
Ao longo deste meio século, por meio de suas cartas aos acionistas, conhecemos a visão e a história mais pessoal de Buffett. Como ele mesmo contou, sua esperteza para os negócios começou quando, por volta dos cinco anos, comprava pacotes de chicletes Wrigley’s e garrafas de Coca-Cola na mercearia de seu avô para revendê-los pelo bairro com uma pequena margem. Aos 11 anos, conta que deu o passo para se tornar investidor no primeiro trimestre de 1942 ao comprar seu primeiro título negociado em bolsa: ações preferenciais da Cities Service. No entanto, iniciou sua carreira profissional após trabalhar com investimento e análise na empresa de Benjamin Graham, para depois fundar a Buffett Partnership Ltd. em 1956, seu veículo de investimento que mais tarde o levou à Berkshire Hathaway.
O legado
Para a indústria e seus profissionais, Buffett é elogiado por como combinou resultados sustentados com uma filosofia de investimento muito “voltada aos negócios” e por sua maneira particular de gerir a Berkshire Hathaway. Em especial, é um claro exemplo para gestores por sua disciplina buy & hold e sua visão de longo prazo. Segundo vozes da indústria, é famoso por investir com horizonte de décadas, evitando o “ruído” de curto prazo e deixando que os juros compostos façam seu trabalho.
Também é uma referência por sua abordagem de value investing centrada no valor intrínseco, já que insiste que o importante é o valor econômico real de um negócio (intrinsic value), e não apenas métricas contábeis como o valor patrimonial quando deixam de ser representativas.
Quanto à sua forma de gerir a Berkshire, para muitos o mérito está em ter conseguido transformar seu veículo em um conglomerado financeiro de primeiro nível. Se revisarmos a história da empresa, vemos como Buffett passou de ter uma empresa têxtil para um holding diversificado, usando uma estratégia de aquisições e reinvestimento de capital muito consistente.
Últimas nomeações
Antes que sua saída se torne efetiva, Warren parece ter querido deixar “a casa em ordem” e, por isso, a empresa anunciou, no início de dezembro, suas últimas nomeações na área corporativa. Em concreto, foi comunicado que Marc D. Hamburg, vice-presidente sênior e diretor financeiro (CFO), também se aposentará da Berkshire Hathaway em 1º de junho de 2027, após 40 anos de serviço. “Marc tem sido indispensável para a Berkshire e para mim. Sua integridade e discernimento não têm preço. Ele fez mais por esta companhia do que muitos de nossos acionistas jamais chegarão a saber. Seu impacto foi extraordinário”, afirmou Buffett.
Segundo o que foi anunciado, Charles C. Chang o sucederá como vice-presidente sênior e diretor financeiro (CFO) da Berkshire Hathaway, com efeito em 1º de junho de 2026. Além disso, esclarecem que Hamburg e Chang, sediados em Omaha, trabalharão juntos para garantir uma transição tranquila e sem contratempos. Atualmente, Chang é vice-presidente sênior e diretor financeiro da Berkshire Hathaway Energy, cargo que ocupa desde 2024. Antes de ingressar na Berkshire Hathaway Energy, foi sócio da PricewaterhouseCoopers. Ele conta com mais de três décadas de experiência em informações financeiras de empresas listadas e em fusões e aquisições, prestando serviços a alguns dos maiores clientes da PricewaterhouseCoopers.
Por outro lado, Michael J. O’Sullivan foi nomeado vice-presidente sênior e assessor jurídico geral, com efeito em 1º de janeiro de 2026. Ele também terá sua base em Omaha e se junta à Berkshire Hathaway vindo da Snap Inc., onde atuou como assessor jurídico geral desde 2017. Anteriormente, exerceu a advocacia na Munger, Tolles & Olson por mais de duas décadas, assessorando empresas em temas de governança corporativa, litígios e fusões e aquisições. “Sua nomeação implica a criação de um novo cargo na Berkshire Hathaway, que durante décadas recorreu principalmente à assessoria jurídica externa para assuntos corporativos”, apontam desde a empresa.



