Em uma análise que inclui a maioria das principais economias da América Latina, o Panamá lidera o ranking combinado de programas de migração por investimento elaborado pela Global Citizen Solutions (GCS), consultoria especializada em cidadania e assessoria em residência. Isso, explicaram em um comunicado, porque o país centro-americano obteve uma pontuação de 84,4 pontos, liderando a lista da última versão do relatório “Investment Migration Programs in Latin America: A Comparative Analysis”.
Em seguida, vêm o Paraguai (80,1 pontos) e a República Dominicana (77,7), com os três países à frente da Costa Rica, do Equador, do Uruguai, do Brasil, da Colômbia, do México, do Peru e do Chile. O relatório avalia onze programas de residência ativos na região com base em quatro critérios: rapidez no processamento, atratividade fiscal, flexibilidade de investimento e liberdade de permanência.
O Panamá é o país mais consistentemente competitivo nas quatro dimensões avaliadas, enquanto o Paraguai oferece a melhor relação custo-benefício. Por sua vez, a Costa Rica sacrifica a rapidez em troca de flexibilidade; e a Colômbia é a mais rápida no papel, mas a menos flexível em termos de presença. O México, a segunda maior economia da região, situa-se no meio da tabela, apesar de atrair a segunda maior parcela de investimento regional; e o Chile lidera em qualidade de vida, mas ocupa o último lugar como programa.

América do Norte: a principal fonte de demanda para o Panamá
As aprovações do programa de Investidor Qualificado do Panamá aumentaram 75% em 2024, de 187 para 327, enquanto as de Autossuficiência por Bens Imóveis mais do que dobraram, de 63 para 133. O programa aprovou cerca de 25 solicitações de investidores qualificados por mês, diante de uma meta de 150, um aumento de seis vezes, impulsionado por uma mudança em sua base de solicitantes: os cidadãos norte-americanos superaram os colombianos como o maior grupo individual.
O Panamá lidera o ranking combinado de programas, ocupando o primeiro ou o segundo lugar nas quatro dimensões avaliadas, com a gama mais ampla de ativos qualificáveis da região, desde bens imóveis e valores mobiliários até depósitos bancários e silvicultura, e sem exigência de permanência mínima.
A mudança na demanda por vistos de investidor reflete uma história de capital mais ampla. O Investimento Estrangeiro Direto na América Latina e no Caribe atingiu US$ 194,233 bilhões em 2025, 1,7% a mais do que no ano anterior, com Brasil e México absorvendo, em conjunto, 62% dos fluxos. Amazon, Microsoft e Google comprometeram, em conjunto, aproximadamente US$ 23 bilhões na região, como parte de uma expansão global da infraestrutura de inteligência artificial, na qual se espera que as quatro maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos invistam cerca de US$ 700 bilhões nos próximos anos.
Somente a Microsoft comprometeu US$ 2,7 bilhões para infraestrutura de nuvem e IA no Brasil, US$ 3,3 bilhões para sua região de data centers no Chile e US$ 1,3 bilhão para o México até 2027. A atividade de fusões e aquisições cross-border segue a mesma trajetória: o valor das operações no México cresceu 86% em relação ao ano anterior, para cerca de US$ 32,5 bilhões em 2025, impulsionada principalmente por compradores norte-americanos e europeus.
O índice MSCI de mercados emergentes da América Latina teve retorno de 56% em 2025 e ainda é negociado com um desconto de 43% em relação aos mercados globais, uma diferença explicada, em parte, pela crescente demanda pelas matérias-primas ligadas à inteligência artificial que a região oferece. O “triângulo do lítio”, formado por Chile, Argentina e Bolívia, concentra aproximadamente 50% das reservas mundiais identificadas de lítio, enquanto Chile, Peru e México fornecem cerca de 40% do cobre global, ambos insumos críticos para a expansão de data centers e para a transição energética que sustenta a economia da IA. A riqueza coletiva dos indivíduos de alto patrimônio (HNWI) da América Latina cresceu 5,1% em 2025, com Brasil (+6,0%) e México (+5,4%) superando, ambos, a média regional.
Panamá: o programa mais equilibrado da região
A vantagem do Panamá está na ausência de pontos fracos, mais do que em uma única característica de destaque. O país ocupa o primeiro ou o segundo lugar nas quatro dimensões avaliadas e oferece a gama mais ampla de ativos qualificáveis da região: bens imóveis a partir de US$ 300 mil, valores mobiliários a partir de US$ 500 mil, depósitos bancários a partir de US$ 750 mil ou investimento florestal entre US$ 100 mil e US$ 800 mil, sem exigência de permanência mínima obrigatória. Os volumes de aprovação atingiram números recordes em 2024. O Panamá aprova atualmente cerca de 25 solicitações de investidores qualificados por mês e estabeleceu a meta de chegar a 150, com os cidadãos norte-americanos tendo superado os colombianos como seu maior grupo de solicitantes.
Por outro lado, o Paraguai combina um limite de US$ 70 mil com as menores alíquotas tributárias da região, 10% para empresas e entre 8% e 10% para pessoas físicas, além de uma exigência de presença de apenas uma visita a cada três anos. O país concedeu 29.765 residências no primeiro semestre de 2026, 81% a mais do que no mesmo período de 2025, com cidadãos brasileiros representando 76% dessas concessões. Seu novo Investor Pass, introduzido em abril de 2026, concede residência permanente de forma direta e acrescenta modalidades de investimento em bens imóveis, ativos financeiros e turismo ao que antes era uma única via empresarial.
A Colômbia, por sua vez, processa solicitações em apenas duas a quatro semanas, mais rápido do que qualquer outro programa avaliado, mas com prazos menos previsíveis e uma documentação mais exigente, o que a deixa no meio da tabela, em oitavo lugar. É também o mais exigente em termos de presença, ao exigir 180 dias de permanência no país a cada ano para manter a autorização vigente, um requisito que, segundo o relatório, efetivamente descarta os investidores que não estejam dispostos a residir de forma substancial no país. A Colômbia é um dos apenas quatro programas da região que estende a elegibilidade aos pais do solicitante, além do cônjuge e dos filhos dependentes.
A Costa Rica ocupa o quarto lugar geral, sacrificando a velocidade de processamento, sétimo lugar entre onze, em troca de uma das gamas mais amplas de investimentos qualificáveis da região, que incluem bens imóveis, ações negociadas em bolsa e uma modalidade de renda de rentista de US$ 2,5 mil mensais. É um dos quatro países, junto com Chile, Uruguai e Panamá, que lideram a região em qualidade de vida, o que o torna uma opção natural para investidores que planejam efetivamente residir no país, em vez de simplesmente manter uma autorização.
O Chile lidera a região como lugar para viver, mas termina em último lugar entre os onze programas avaliados, ficando atrás em matéria fiscal, de flexibilidade e de presença, e ocupando o oitavo lugar entre onze em velocidade. Sua única modalidade qualificável, um investimento empresarial patrocinado pela InvestChile que exclui bens imóveis, reflete um programa projetado para atrair negócios operacionais, mais do que capital internacionalmente móvel. O passaporte chileno empata com o brasileiro como o mais forte entre os onze, com acesso a 177 destinos sem visto ou com visto na chegada. Junto com Argentina e Bolívia, o Chile também faz parte do “triângulo do lítio”, que concentra aproximadamente 50% das reservas mundiais identificadas de lítio, e, junto com Peru e México, fornece cerca de 40% do cobre global.
O México é a segunda maior economia da região, com um PIB projetado de US$ 2,12 trilhões para 2026, e captou US$ 43,221 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto em 2025, equivalentes a 22% do total regional, atrás apenas do Brasil. A Microsoft comprometeu aproximadamente US$ 1,3 bilhão para infraestrutura mexicana até 2027, e a atividade de fusões e aquisições transfronteiriças cresceu 86% em relação ao ano anterior, para aproximadamente US$ 32,5 bilhões, impulsionada em grande medida por compradores norte-americanos e europeus. No entanto, seu programa de residência, baseado na comprovação de solvência econômica e não em uma estrutura formal de investimento, ocupa o nono lugar entre onze. O programa combina a tributação sobre a renda mundial com a ausência de um período mínimo de permanência estrito, uma das poucas combinações desse tipo na região.
O Brasil é a maior economia da região e seu principal destino de investimento em infraestrutura de IA, tendo captado 40% do IED regional em 2025. Apesar de contar com custos de entrada a partir de apenas US$ 30 mil, seu programa de residência ocupa o sétimo lugar geral, e sua modalidade de investimento imobiliário atraiu menos de 700 solicitantes em cinco anos, uma diferença que o relatório atribui à falta de conhecimento e de presença de assessoria no exterior, mais do que ao desenho do programa.
O preço é um indicador fraco da qualidade do programa
Entre os onze programas, a análise da GCS conclui que o custo tem pouca relação com o desempenho. O Equador, com um limite de investimento de US$ 48,2 mil, ocupa o quinto lugar geral, e o Paraguai, com US$ 70 mil, o segundo. O Uruguai, cujo limite de US$ 2 milhões é mais de quarenta vezes o do Equador, ocupa o sexto lugar.
Esse impulso é reforçado pelo recuo em outras regiões: a Espanha eliminou seu golden visa em abril de 2025, Portugal retirou a modalidade de investimento imobiliário e ampliou os prazos de naturalização sob uma lei vigente desde maio de 2026, e a Grécia triplicou o limite de investimento em zonas prime, o que resultou em uma queda de 24% nas aquisições de imóveis por estrangeiros no âmbito de seu programa. Para os investidores norte-americanos, a combinação de fluxos de capital em aceleração e um leque cada vez mais amplo de opções de residência posiciona a América Latina como um terceiro polo da migração por investimento, que complementa, mais do que compete com, um mercado europeu cada vez mais restritivo.
“A América Latina continua sendo muito subestimada, com programas que têm um potencial real e passaportes que oferecem mobilidade. Complementam os programas de residência da Europa e as ofertas de cidadania do Caribe, ao mesmo tempo em que competem em custo, velocidade, prazos de naturalização e acesso a um espaço de mobilidade regional mais amplo”, afirmou Patricia Casaburi, fundadora e CEO da Global Citizen Solutions.



